Bailarina e coreógrafa baiana Ana Vitória se apresenta no Palacete das Artes - Museu Rodin

06/08/2012

Artista convida o público a deixar sua marca no trabalho “Afinal, o que há por trás da coisa corporal?”, onde fará três performances em agosto

A bailarina e coreógrafa baiana, Ana Vitória, radicada no Rio de Janeiro desde 1994, revisita seu diálogo da vida inteira com a obra e o pensamento de da artista plástica carioca Lygia Clark num espaço dedicado às artes visuais: nos dias 10, 11 e 12 de agosto, a artista volta a compartilhar com o público a instalação “Afinal, o que há por trás da coisa corporal?”, criação que estabelece uma relação entre o espaço, o corpo e o movimento. Nesse período, Ana Vitória fará três performances para um público reduzido, que dividirá com ela o espaço performativo. A entrada é franca, tanto para as performances quanto para a visitação normal à Instalação. A obra em movimento – que estreou em 2010, durante as comemorações dos 15 anos de atividades da Cia. Ana Vitória Dança Contemporânea – no Centro Cultural dos Correios – RJ, foi também exibida nas Cavalariças do Parque Lage, espaço até então consagrado às artes plásticas e visuais, cabendo à artista o desafio de inaugurá-la com sua arte Performativa. O diálogo de Ana Vitória com Lygia Clark tem sido permanente desde a década de 1980. Provocador e estimulante, nas palavras da própria coreógrafa, é parte de sua relação intensa com as artes plásticas. “Sempre dialoguei com artistas plásticos em todas as minhas criações”, conta. “O processo é profundo e vai além da cenografia. Em Lygia, o que me encanta é sobretudo o percurso do diálogo do corpo e do objeto e  o olhar feminino dela nesse sentido”. No espaço criado por Ana,  invólucro uterino de fibras naturais, Ana Vitória escreve uma espécie de autobiografia em movimento. “Tudo o que fiz em minha carreira sempre foi intensamente autobiográfico, ainda que expresso de formas variadas”, comenta. “Se, em outras fases, busquei primeiro a gestualidade e a técnica, com este trabalho me desafiei a viver o contrário: o sentido pulsou primeiro, o movimento nasceu depois.”

Tudo nesta obra tem a ver com a organicidade do corpo. Nesse sentido, desde o espaço - concebido no âmbito de uma longa parceria com o cenógrafo e artista plástico Sérgio Marimba e o Light Designer Milton Giglio é também a obra. Todos os materiais são naturais e criam uma atmosfera receptiva para o movimento. E o público está o tempo todo ali, presente e incluído na proposta. “É super interessante o fato de uma performance de dança acontecer num espaço pensado a priori para as artes plásticas, que costuma receber as vanguardas da arte contemporânea. É como presenciar um diálogo íntimo entre o movimento e a estética”, observa Suzy Muniz, produtora da exposição. O público terá também a chance de deixar sua marca no trabalho de Ana Vitória: quem quiser poderá inscrever sua vivência pós-performance em uma pedra – e esta será incorporada à instalação no dia seguinte. “Durante os ensaios em fazia isso; registrava a data e o tema com o qual tinha desenvolvido a pesquisa gestual daquele dia.” Uma forma de memória exposta que acabei incorporando, para saber um pouco do que deixo nas pessoas com o meu trabalho”, resume Ana Vitória. Após sua breve passagem por Salvador Ana Vitória retorna ao Rio de Janeiro para a inauguração de seu novo trabalho – Ferida Fêmea no Centro Cultural Hélio Oiticica onde ficará em exposição de outubro a novembro de 2012. “Afinal, o que há por trás da coisa corporal?” tem patrocínio da Cia Vale do Rio Doce e produção executiva assinada por Suzy Muniz Produções. SERVIÇO “Afinal, o que há por trás da coisa corporal ? ” Instalação performática de Ana Vitória. Palacete das Artes – Museu Rodin Rua da Graça, n. 184 – Graça – Salvador – Bahia Tel: 3117-6987 Visitação da Instalação – dias 10, 11 e 12 de agosto das 14 às 18h. Performances – dias 10, 11 e 12 de agosto às 19h. Workshop com a artista dia 10/08  às 15h para 15 pessoas (inscrições gratuitas por ordem de chegada 30min antes), com duração de 2h. ENTRADA FRANCA Capacidade de público: 40 pessoas dentro da instalação e 20 pessoas em torno da tenda penetrável.