16/08/2012
Os Sertões, escrito magnanimamente por Euclides da Cunha, é a inspiração para a exposição “Os Sertões de Euclides da Cunha em Xilogravuras de Gabriel Arcanjo”, na qual o artista se debruça de forma mais detalhista sobre a Guerra de Canudos em 20 xilogravuras inéditas. Contemplado com o Edital de Demandas Espontâneas da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia em 2011, a exposição conta ainda com o apoio da Biblioteca Pública da Bahia.
A exposição acontecerá em Salvador e Canudos. Na capital, a mostra acontece no foyer da Biblioteca Pública dos Barris, com abertura programada para as 18 horas do dia 23 de agosto, e segue aberta à visitação até o dia 24 de setembro. Na cidade sertaneja, a mostra vai ganhar as ruas através de 20 banneres em grandes dimensões, com abertura no dia 30 de agosto. Em cada cidade o artista ministrará uma oficina de xilogravura, com duração de 04 (quatro) horas, para 20 jovens.
A proposta estética de Arcanjo é mostrar aquele que foi (e ainda é), para muitos, pesquisadores o maior livro-reportagem já feito em língua portuguesa. A obra, lançada em 1902, foi escrita com base na cobertura que o escritor fluminense Euclides da Cunha fez sobre o sangrento episódio como correspondente de o Estado de S.Paulo.
Seguindo o roteiro do livro, Gabriel Arcanjo utiliza seu esculpir para traduzir A Terra, O Homem e A Luta, os três capítulos da clássica obra, que nortearão também as divisões temáticas na exposição. Na primeira parte, as montanhas, serrotes e chapadas assim como os bichos que fazem moradia nos rochosos campos sertanejos ganham corpo e forma no seu traço rústico.
A segunda parte da exposição, correspondente ao capítulo O Homem, mostra as diversas labutas do sertanejo no Arraial de Canudos: casas de farinha, capinagem nos roçados semi-tostados de milho, mulheres grávidas, vaqueiros montados, cenas de ontem, mas também de hoje. Nesta parte, o artista evoca a tradição oral, repassada pelos sobreviventes e por seus filhos a Gabriel nas andanças pelo sertão catingueiro.
A terceira parte de exposição, correspondente ao capítulo A Luta, mostra a foice contra o facão, o rifle contra o bacamarte e a cruz contra o canhão - a famosa Matadeira - que Euclides tão bem descreve e hoje está exposto em praça pública na cidade de Monte Santo.
Gabriel Arcanjo, soteropolitano de nascimento e sertanejo de criação, tira de suas experiências e vivências entre Alagoinhas e suas andanças pelo sertão de Canudos a motivação para sua obra. Seu traço xilográfico, com maestria, decola do folclórico e foca seu olhar também na paisagem urbana atual, com direito a explorações cromáticas no campo da xilogravura, o que torna seu fazer artístico ainda mais raro.
