Estreia de Drácula marca a celebração dos 40 anos de carreira do diretor teatral Marcio Meirelles

17/08/2012

Adaptação multimídia e discurso político atualizam a releitura do clássico de Bram Stoker

Drácula - obra de Bram Stoker - é o mais novo espetáculo do diretor Marcio Meirelles. O romance, contado através de cartas, recortes de jornais, escritos de diários pessoais e de bordo, convida o público para uma reflexão sobre o lugar da mulher, a evolução das sociedades, o crescimento do capital versus o crescimento humano. A estreia é dia 17 de agosto, às 20h, no Teatro Vila Velha, em Salvador.

Embora montada 6 vezes no Brasil, esta encenação de Meirelles traz linguagem inovadora à obra: o lugar do protagonista é revisitado, pois nenhum ator interpreta o Conde Drácula. O personagem é constituído por projeções que contracenam com os atores Ciro Sales, Igor Epifânio, Lis Luciddi, Luisa Proserpio, Rafael Medrado e Will Brandão e percorrem a sala do teatro através de imagens, palavras e sons.

Tal concepção visa dar conta dos escritos de Stoker diante da construção do mito. Ao encenar Drácula, Meirelles tenta nos fazer ver que "o mito do vampiro nada mais é que uma imagem que projetamos fora de nós para ocultar nossa própria monstruosidade". Na nova abordagem, não há sangue nem caninos latentes. O célebre romance é recontado de modo atual e estabelece contrapontos entre Oriente e Ocidente, homem e mulher, ciência e magia, questionando, a todo momento, os monstros que nos habitam.

Inserções midiáticas

Meirelles busca uma nova leitura para o próprio teatro, pois acha que este deve dialogar com as novas tecnologias e comunicação para transformá-lo em uma arte mais dinâmica e atual.

Imagens são projetadas no teatro, vezes funcionando como cenário, ilustração, ou encenação. Um sistema de som espacializado preenche todo o ambiente e amplifica ou modifica as vozes dos atores, que, por sua vez, manipulam computadores e tocam instrumentos como guitarra, baixo, teclado, bateria e percussão.

Gravações em off compõem diálogos do espetáculo. Alguns personagens são representados por vozes e o elenco contracena com áudios gentilmente gravados por Antônio Pastori, César Oliveira, Chica Carelli, Espedito Magrini, Sérgio Laurentino e Sônia Robatto.

Outro recurso para a releitura do clássico literário é o uso de uma webcam que grava a fala do personagem Dr. Seward e a projeta na peça. Na obra original, este registro foi feito através de um fonógrafo, equipamento que havia sido criado poucos anos antes de Bram Stoker, fascinado por tecnologias da comunicação, escrever o livro.

A ideia de montar Drácula surgiu em 1977, quando Meirelles, então em Salvador, liderava o grupo "Avelãz y Avestruz". Já havia tido sua primeira bem sucedida montagem (Fausto, de Goethe - 1976), mas, por desistência de um outro parceiro, a ideia ficou adormecida por décadas. Após a realização de oficinas sobre "Teatralidade digital - potencialidades e desafios da cultura digital nas artes cênicas" e com a entrada do Grupo Supernova Teatro na realização do espetáculo no ano passado, é que diretor e realizadores conseguiram recursos financeiros, através do Fundo de Cultura da Bahia, para concretizar o projeto. Serviço: Espetáculo Teatral Drácula Temporadas: de 17 a 26 de agosto e de 14 a 23 de setembro de 2012 Quando: de sexta a domingo, sempre às 20h Onde: Teatro Vila Velha [Av Sete de Setembro, s/n, Passeio Público, Campo Grande, Salvador] Quanto: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia entrada válida para idosos, estudantes e demais casos previstos em lei) Lotação: 180 lugares Classificação indicativa: 15 anos Duração: 2 horas Tel da bilheteria: (71) 3083-4600