21/08/2012
Desde quando foi criado, em junho deste ano, o Qualicultura já passou por oito cidades baianas, visando fortalecer os setores da economia criativa no Estado, e atraiu mais de 600 pessoas
Empenho. Sem dúvidas, essa é a palavras-chave que motivou mais de 600 pessoas que atuam ou pretendem atuar nos setores criativos na Bahia a participarem do projeto Qualicultura, lançado pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult/BA) e Sebrae em junho deste ano. O projeto, que tem sede no escritório-piloto implantado no Pelourinho, já ofertou cursos em competências essenciais de gestão cultural em oito cidades baianas, entre elas, Salvador, Feira de Santana, Vitória da Conquista e Santo Antônio de Jesus. Resultado: "Os cursos têm sido realizados com turmas lotadas, com pessoas altamente comprometidas com os objetivos do projeto, que são qualificação e profissionalização da economia criativa na Estado", conta Lila Silva, coordenadora do projeto. E foi justamente o comprometimento que motivou o promotor de eventos Gileno Júnior a viajar por mais de cinco horas de Teixeira de Freitas até Porto Seguro, no último final de semana, para participar do curso de Gestão Cultural. "Temos um potencial gigantesco para explorar, mas ainda falta qualificação, direcionamento sobre linhas de apoio e gestão. Tenho algumas dúvidas e estou aqui para obter informações e ser um multiplicador na minha cidade", afirmou. Ainda de acordo com ele, o investimento financeiro que realizou, assim como o longo deslocamento para estar na terra do descobrimento, não foi em vão. "Todos que estão aqui, que largaram seus afazeres, o final de semana de praia e suas famílias, vão levar informações valiosas para casa e a esperança de que é possível, sim, viver de cultura, desde que tenhamos capacitação para isso", completou. O curso, previsto para acontecer numa sala do Centro de Cultura com capacidade para 30 pessoas, foi transferido para a sala principal e reuniu mais de 40 participantes, entre eles, artistas, produtores e gestores. Animado com a qualificação, o professor Ramom Guilherme, de Itamaraju disse que já havia participado do curso de Elaboração de Projetos, disponibilizado pela SecultBA em Teixeira de Freitas, e que graças a isso, conseguiu participar de alguns editais. "Foi uma base excelente. Hoje existem muitos tipos de financiamentos para a cultura, mas para ter acesso a eles é necessário escrever um projeto claro. Quando soube do curso de gestão aqui, em Porto Seguro, me inscrevi e arrumei as malas. Não ia perder por nada", garantiu. Para a consultora do Sebrae Rosa Villas-Boas, diretora do Teatro Sesi Rio Vermelho e especialista em Gestão de Iniciativas Culturais, responsável por ministrar o curso em Porto Seguro e também em outras localidades, o Qualicultura atende a uma demanda da classe cultural. "Tenho estado com turmas ainda maiores do que a de Porto Seguro. Há uma necessidade de integração, de organização. Estamos no caminho, mas sabemos que existem melhorias a serem realizadas, como uma melhor distribuição dos cursos por território", aponta. Para ela, o anseio do público e o interesse já são grandes avanços no fortalecimento da economia criativa. "As pessoas vem de longe, se inscrevem e são participativas, o resultado do estimulo ao associativismo e à cooperação tem sido excelente, assim como o empenho dos participantes", conta.

