O Sumiço da Santa revela um Jorge Amado mais contemporâneo

12/09/2012

Nova montagem de Fernando Guerreiro mergulha no universo de Jorge Amado e integra as comemorações do centenário do autor

O público baiano vai conhecer uma face mais contemporânea de Jorge Amado, revelando uma Salvador urbana e que se abre para transformações das tradições e hábitos. Essa é a marca de O Sumiço da Santa, romance de Jorge Amado, que tem sua primeira versão para teatro, assinada pelo dramaturgo Claudio Simões e com direção de Fernando Guerreiro. A montagem estreia nesta sábado, dia 15 de setembro, às 20h, e fica em cartaz de sexta a domingo, às 20h, com ingressos a preços populares, R$30 e R$15 [meia-entrada], no Teatro ACBEU (Corredor da Vitória). O  espaço cultural, que estava fechado desde 2010 para reforma, abre excepcionalmente nesta temporada para abrigar a peça, que fica em cartaz de sexta a domingo, no mesmo horário, até 2 de dezembro. A peça homenageia o centenário do autor grapiúna, encarnando no teatro os personagens da obra das mais recentes do escritor. A produção é da Janela do Mundo e da Multi Planejamento Cultural, com patrocínio da Chesf, através do FazCultura, e da Embasa, por meio da Lei Rouanet, e apoio cultural do Banco do Nordeste e Rede Bahia. Publicado em 1988, Jorge Amado revela em O Sumiço da Santa uma Salvador da década de 70, em pleno desenvolvimento urbano, expansão da Universidade Federal da Bahia e conflitos ideológicos entre a tradição e a modernidade, mas também as tensões de uma cidade multifacetada racial e religiosamente. A trama mostra os transtornos pelos quais passa a cidade depois do sumiço de uma imagem de Santa Bárbara, vinda de Santo Amaro para uma exposição de arte sacra. A história se passa durante a ditadura militar e reúne religiosidade e política num só texto, permeado por um realismo fantástico e bastante humor, com aquele toque de crônica do cotidiano soteropolitano de Jorge.

O diretor - Fernando Guerreiro é uma das figuras mais importantes do teatro baiano. Com 35 anos de carreira, é um dos fundadores da Companhia Baiana de Patifaria e dirigiu espetáculos de sucesso como Os CafajestesVixe Maria, Deus e o Diabo na BahiaPólvora e Poesia, com o qual foi laureado como melhor diretor pelo Prêmio Braskem, em 2010, além do Troféu Sharp de Melhor Musical Brasileiro de 1997 para Os Cafajestes, Prêmio Copene de Melhor Espetáculo e Direção para Calígula, em 1999 e Prêmio Braskem de Melhor Espetáculo para Boca de Ouro. Em O Sumiço da Santa, Guerreiro toca em feridas históricas e inéditas em sua trajetória como encenador. “Pela primeira vez irei tratar de temas como racismo, de forma mais direta, a intolerância religiosa e desnudar o véu que encobre a negritude na Bahia. Temas que são constantes na obra de Jorge Amado e absolutamente atuais no momento de recrudescimento de um conservadorismo em todo país”, conta o diretor. O encenador volta com tudo ao humor peculiar que marca seu trabalho e também enche o palco de música e da poesia visual com que Jorge Amado descreve a Bahia, uma mescla de religiosidade e política com o humor com que o baiano costuma tratar suas tragédias. “Jorge Amado é um grande cronista da Bahia e da cidade de Salvador. Esta montagem é uma mostra da nossa diversidade pintada com cores tropicalistas”, completa. Economia da Cultura – Além de homenagear o centenário de Jorge Amado, revelando uma obra pouco conhecida do público, O Sumiço da Santa é um espetáculo que movimentará a cena teatral de Salvador, como uma grande produção, envolvendo 65 profissionais das áreas artísticas, técnicas, produção e comunicação. “Para além de uma homenagem, esse projeto tem também o intuito de formar plateias e ampliar o acesso às artes cênicas. Estimular os jovens a conhecerem mais da obra de Jorge, trazer as escolas e aproximar outros públicos é investir na renovação e na perpetuação do teatro baiano”, explica Daniel Thomé, gerente de projetos especiais da Janela do Mundo. Para Fernanda Bezerra, coordenadora de projetos da Multi Planejamento Cultural, “a produção movimenta a cena da economia da cultura local, mobilizando um conjunto diverso de profissionais, mas também forma plateia e convoca a participação de empresas privadas, com atuação representativa na cena cultural”. O Sumiço da Santa conta com o patrocínio da Embasa, presente no cotidiano dos baianos não só com os serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário, como também em iniciativas que promovam o desenvolvimento cultural do estado. Para Abelardo de Oliveira Filho, presidente da empresa, “a peça é uma oportunidade para que um grande número de pessoas conheça um texto pouco conhecido de Jorge Amado, e é uma homenagem mais do que merecida pelo centenário desse escritor que levou a cultura baiana ao mundo inteiro”. Para Gilberto de Barros Pedrosa Junior, administrador regional da Chesf em Salvador, “a empresa vem investindo em patrocínios de projetos culturais, a exemplo de O Sumiço da Santa, que com grande alegria resgata para o público da Bahia, no seu centenário, mais uma grande obra de Jorge Amado”. SERVIÇO O quê: “O Sumiço da Santa” Quando: a partir de 15 de setembro, de sexta a domingo, 20h Onde: Teatro Acbeu [Av. Sete de Setembro, 1883, Corredor da Vitória. Tel.: 71 3444-4411] Quanto: R$30 e R$15 [meia-entrada] Contatos: Janela do Mundo – (71)3267-1355 Karlene Rios (9949-8517) ou Mônica Santana (9974-5289)