Mostra Jorge Amado e Universal alcança marca de 60 mil visitantes

19/11/2012

Mais de 60 mil visitantes em três meses. Estes são os números da exposição Jorge Amado e Universal, em cartaz no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA) até este domingo (18/11). A mostra, que faz parte das comemorações do centenário do escritor baiano, retrata passagens importantes de sua vida familiar, profissional e política, além da sua obra completa, as temáticas e os personagens marcantes. A visitação é gratuita e acontece de terça a sexta, das 13h às 19h, e sábados, domingos e feriados, das 14h às 19h. Além das fotografias, objetos, folhetos de cordel, filmes e imagens, a mostra contou com extensa programação educativa, que atendeu a quase 17 mil estudantes de 233 escolas e instituições, através de visitas guiadas por um mediador cultural. A mostra contou ainda com intensa programação educativa, realizada através de palestras e dos projetos coordenados pelos arte-educadores do museu: - Zoom in.Zoom out, que envolveu cerca de 418 estudantes e educadores, estreitando as relações entre o museu e a cidade. No primeiro momento, a equipe de educadores do MAM-BA leva até escolas e instituições atividades estético-artísticas e educação patrimonial. Em seguida, são os alunos e professores que realizam visita mediada ao museu; - Linha do Abraço, com o atendimento semanal a 30 crianças da Comunidade Solar do Unhão, com o objetivo de aproximá-las às linguagens artísticas que são presentes no museu, através de oficinas de artes visuais, visitas mediadas e rodas de conversa; - Contação de histórias, com a participação de 95 crianças. A arte-educadora Maju Fiso narra a história “O Gato malhado e a Andorinha Sinhá”, de Jorge Amado. O evento é aberto a todos os interessados.

A coordenadora do Núcleo de Arte e Educação de museu, Roseli Amado, explica que a proposta da mediação e das ações educativas é sempre relacionar a obra do escritor com as artes visuais. “O interessante é que a maioria dos estudantes chegou ao museu conhecendo a obra de Jorge Amado. Isto nos ajudou a fazer um trabalho muito bonito e prazeroso”, revela. A exposição é dividida em módulos distintos, cada um deles dedicado a um aspecto marcante na vida do autor. “Não tivemos a pretensão de esgotar nem a biografia, nem a criação ficcional de Jorge Amado. A ideia é fornecer pistas, sugerir caminhos, para que o visitante fique instigado, tenha vontade de ler e de descobrir mais depois da exposição”, explica Willian Nacked, diretor-geral de Jorge Amado e Universal. Sobre a exposição O primeiro módulo é dedicado aos personagens – dentre mais de mil nomes, nove foram escolhidos por representar a diversidade e abrangência da obra em diversos períodos: Gabriela e Nacib (Gabriela Cravo e Canela, 1958), Dona Flor (Dona Flor e seus Dois Maridos, 1966), Os capitães da areia (Capitães da Areia, 1937), Pedro Arcanjo (Tenda dos Milagres, 1969), Antonio Balduíno (Jubiabá, 1935), Guma e Lívia (Mar Morto, 1936), O Menino Grapiúna (O Menino Grapiúna, 1981), Santa Bárbara (O Sumiço da Santa, 1988) e Quincas (A Morte e a Morte de Quincas Berro d’Água, 1961). Eles têm destaque em materiais audiovisuais que ajudam a contextualizar os personagens e os livros. São datiloscritos com correções feitas à mão por Jorge Amado, ilustrações das obras, fotos que remetem ao universo dos romances e algumas curiosidades, como produtos e restaurantes que levam nomes dos personagens. Cada monitor terá também um trecho locutado da obra em questão. O segundo espaço apresenta a faceta política do autor, que chegou a ser eleito Deputado Federal por São Paulo e era comunista. O terceiro discute as misturas que, segundo Jorge Amado, caracterizam o Brasil – sobretudo a miscigenação e o sincretismo religioso. Outro módulo é dedicado à malandragem e à sensualidade presentes em sua obra. Em seguida, uma seção apresenta a Bahia tal como foi ‘(re)inventada’ por Jorge Amado, com suas belezas e suas mazelas. Há ainda espaço para depoimentos de amigos, artistas e críticos, para uma cronologia sintética da vida do escritor e para destacar sua presença internacional, entre outros aspectos. Entre os depoimentos, falas de amigos ilustres e anônimos de Jorge Amado, pois essa era uma de suas marcas – a capacidade de transitar entre o universo erudito e o popular, entre o terreiro de candomblé e a Sorbonne. Os áudios e vídeos mostram também a esposa Zélia Gattai e a filha Paloma Amado contando sobre o processo de criação de Jorge, explicando que os personagens mandavam nele – em Dona Flor, o autor pretendia que ela fosse embora com Vadinho, mas a protagonista decidiu ficar com os dois maridos aqui na Terra. Outro destaque é o próprio Jorge Amado contando que, no curto período em que foi Deputado Federal, em 1946, conseguiu aprovar lei que garante a liberdade de culto no Brasil. Exposição Jorge Amado e Universal Visitação: Até 18 de novembro Local: Casarão, Capela e Galeria 1 do MAM-BA Horários: terça a sexta, das 13h às 19h, e aos sábados, domingos e feriados, das 14h às 19h Entrada gratuita Informações:  (71) 3117 6139