Reflexões sobre a III “Maratona” Cultural da SecultBA

26/03/2013
Por Taiane Fernandes, Superintendente de Desenvolvimento Territorial da Cultura Foram sete dias na estrada, onze municípios visitados e uma infinidade de aprendizados acumulados. A III Caravana Cultural da SecultBA não se resume a pequenos eventos promovidos por uma rápida passagem da comitiva do Secretário e seus dirigentes. São  pelo menos três as duradouras conquistas que esta Caravana legou: 1) O acesso da comunidade cultural (agentes, produtores e consumidores) à informações sobre a política cultural do Estado da Bahia, seus programas e projetos; 2) O agendamento do tema da cultura e da política cultural nos municípios; 3)A oxigenação da SecultBA, da formulação e da execução de suas políticas culturais. A política cultural da SecultBA ainda é uma incógnita para boa parte dos agentes culturais. Ficou evidente nas perguntas realizadas em cada município, o quão rasa é a compreensão do trabalho desenvolvido por esta Secretaria de Estado. Alguns poucos atores presentes à “Conversa com o Secretário” demonstraram ter conhecimento sobre os mecanismos de fomento e os componentes do Sistema de Cultura. Especialmente a Conferência, mecanismo de controle e participação social recorrentemente acionado nos últimos anos (bianualmente realizada no Governo Jaques Wagner), apareceu muito pontualmente na fala da sociedade civil, e não do poder público municipal. As discussões em torno dos mecanismos de fomento, por sua vez, refletiram a confusão entre Fundo de Cultura e Fazcultura. A criação do CCPI, da Rede de Formação e Qualificação em Cultura, do Centro de Formação em Artes e tantos outros projetos e ações que desdobram as propostas de Conferências, eram ignoradas pelo público presente. A presença do Secretário e representantes de todas as unidades da SecultBA permitiu ampliar o reduzido repertório de informações acerca da SecultBA. Os materiais impressos disponibilizados também significaram suporte fundamental de disseminação de informações. Em momento de transição do poder público municipal, o quadro identificado em cada um dos municípios foi de reestruturação e instabilidade dos setores/departamentos/secretarias de cultura.   A passagem da III Caravana Cultural da SecultBA trouxe a público (e à tona) a discussão da cultura e da política cultural no âmbito municipal. Muitos problemas e conflitos afloraram, especialmente no município de Eunápolis, onde as distorções e o desalinhamento entre prefeitura e sociedade civil ficaram mais evidentes. Neste sentido, a rápida passagem da Caravana pela cidade, permitiu estabelecer um espaço de diálogo e discussão sobre papéis, responsabilidades e prioridades da política cultural municipal. Ainda mais fundamental foi levar a estas populações os novos conceitos e diretrizes da política cultural adotada nacional e estadualmente desde 2007. Para a equipe da SecultBA que vivenciou esta maratona, os ganhos também foram significativos e duradouros. Através das demandas apresentadas nos encontros, da identificação de parceiros e interlocutores e do choque com a realidade da cultura local, cada unidade da Secretaria terá capacidade de aprimorar a formulação e a execução de seus programas, projetos e ações. Esta experiência única areja as ideias e refaz o fôlego de uma rotina tão avassaladora vivida na capital. Além disso, os vínculos que se formaram nesta convivência intensa entre funcionários de diferentes unidades, que malmente se viram nas dependências da SecultBA, irá reverberar num trabalho mais afinado, alinhado e entrosado. As ilhas do arquipélago que ainda compõem a  Secretaria vão, pouco a pouco, construindo pontes entre si.