10/09/2013
Atuante no ramo há dez anos, Robson Mol, presidente do Colegiado Setorial do Circo, segue sua trajetória em terras peruanas, nas cidades de Lima e Cuzco, fazendo um intercâmbio sobre a produção cultural voltada para o setor. O acrobata, palhaço, trapezista e estudante de mágica partiu no dia 21 de agosto com o objetivo de estudar a produção circense no Peru. A volta à capital baiana está prevista para 03 de outubro.
“A minha proposta é entender as principais semelhanças e diferenças entre a produção circense aqui e no Brasil. Saber como ‘se faz circo’ no Peru, como se produz e como se financia. Quero estudar para depois apresentar essa outra realidade no Brasil”, explica o presidente do colegiado. A viagem foi apoiada pela Secretaria de Cultura da Bahia (SecultBA), por meio do Edital de Mobilidade Artística.
O intercâmbio envolve um estudo de caso do La Tarumba, um circo privado que existe há 29 anos e nas suas apresentações investe em música e teatro. “La Tarumba é um grande sucesso. É um circo respeitado e admirado em todo o país. O maior exemplo disso é que o próprio presidente da nação foi assistir a uma apresentação”, acrescenta.
Quando voltar à Bahia, Mol deseja que essa experiência internacional contribua com a construção do Plano Setorial Estadual do Circo. “Espero trazer experiências que nos orientem no processo de criação de um plano sólido, que sirva de fundação para o desenvolvimento da atividade circense em nosso Estado”, disse.
O presidente do Colegiado Setorial de Circo enfatiza que tem sido uma excelente experiência observar o formato de gestão e financiamento do La Tarumba. “Existe uma visão empresarial muito forte. Muito mais que qualquer outra instituição cultural que eu conheça no Brasil. La Tarumba possui uma equipe fixa com cerca de 50 pessoas e mais de 90% da receita de toda a instituição provém de recursos próprios. Embora seja uma instituição fixa, não-itinerante, essa característica me lembra muito os circos itinerantes brasileiros, que sobrevivem quase que exclusivamente da renda gerada pelos seus próprios produtos (espetáculo, oficinas, venda de comidas, bebidas e insumos)”, assinala.
Quanto à produção circense no Peru, Mol diz que existe uma forma muito distinta da brasileira de financiar produções artístico-culturais. Outro ponto observado é que os preços dos ingressos são elevados, quando comparados com a bilheteria brasileira. “E os peruanos pagam. Um exemplo disso é que a média de lotação do La Tarumba, que cabe mais de 900 pessoas, é de cerca de 90%, embora o ingresso mais barato custe 26 soles [em torno de R$ 25] e, o mais caro, 180 soles [R$ 172]. Isso torna o La Tarumba um grande sucesso autossustentável”, aponta.
O presidente do colegiado diz ainda que há muito o que aprender com o modelo de gestão peruano. Apesar de as instituições públicas não funcionarem de modo adequado no país, as produções culturais têm conseguido sobreviver da própria bilheteria. “O desafio que tem se colocado para a produção cultural brasileira é alcançar um equilíbrio entre a necessidade de receber recursos (principalmente financeiros) e a capacidade de se autossustentar”, complementa.
Fonte: Conselho de Cultura
