12/09/2013
Entre outras demandas, grupos de trabalho colocaram a necessidade da realização periódica de encontros territoriais e fóruns permanentes
O último dia do 4º Encontro Baiano de Museus - Museu, Educação e Desenvolvimento Social, ontem, no Instituto Feminino da Bahia, foi marcada por discussões levantadas pela mesa redonda Museus, Patrimônio e Desenvolvimento Social: Abordagens e Perspectivas, composta pelos professores doutores Eduardo José Fernandes Nunes (UNEB), Heloísa Helena Gonçalves da Costa (UFBA) e Tânia Moura Benevides (UFBA) e mediada por Luís Viva, diretor em exercício de Preservação Cultural do IPAC. Eduardo Nunes afirmou que o desenvolvimento de um país deve ocorrer em paralelo ao progresso social. O pesquisador citou como exemplo desse pensamento os Estados Unidos, onde existe um enorme investimento por parte do governo no setor cultural, em detrimento de outras áreas. A partir dos estudos disseminados pelo educador Paulo Freire, Nunes foi enfático: “A educação deve ser vista como possibilidade de luta por uma sociedade livre e igualitária”. A professora Heloísa Helena também foi categórica e começou sua fala com a máxima “Museu faz bem à saúde”. A docente da UFBA disse que a finalidade das instituições museais não deve se restringir à condução de turistas, ou a um local confinado no passado, mas, sim, a instituições de memória e pesquisa, capazes de estimular indagações e pensar o futuro. “O museu não é um lugar. É um caminho, uma viagem, uma proposta de itinerário, por meio do qual cada visitante vai percorrer sendas e se apropriar dos contos históricos, de acordo com a sua própria vivência”, discorreu. A partir de citações literárias, Heloisa Helena destacou o papel sedutor que os museus devem ter na contemporaneidade para atrair públicos e gerar conhecimento. A pesquisadora Tânia Moura Benevides mostrou aos presentes o outro lado dos projetos museológicos: a gestão. Para tal, relatou sua experiência com o Curso Tecnológico em Gestão Pública e Gestão Social, ministrado na Faculdade de Administração da UFBA. “A ideia é formar profissionais aptos a desenvolver, de forma plena, ética e inovadora, as diferentes e complexas atividades”, ressaltou. GTs apresentaram resultados para a área de museus Em seguida, foram apresentados os resultados da reunião dos Grupos de Trabalhos (GTs). O grupo Sistema de Museus do Estado da Bahia, representado por Anarleide Menezes, ressaltou: a necessidade da formação dos colegiados setoriais de museus; a grande demanda pela manutenção das reuniões regionais com alcance aos territórios de identidade, “para a discussão da museologia local numa Bahia plural”; a realização dos Encontros Territoriais de Museus e a expectativa que isso ocorra até 2015. O grupo Formação e Capacitação em Ações Socioculturais e Educativas foi representado por Mona Ribeiro. A integrante colocou a necessidade de um programa de formação de mediadores, espaço que será utilizado para a troca de informações. O grupo solicitou a melhoria da comunicação do setor com as escolas, através de cartilhas educativas. Foi defendida, ainda, a criação de uma publicação periódica, que divulgue mais amplamente as exposições dos museus baianos. A elaboração de fóruns permanentes – presenciais e virtuais – foi uma das principais colocações do GT intitulado Fomento em Projetos na área de Patrimônio, representado por Déa Márcia. A museóloga expôs também a necessidade da criação e cursos específicos de gestão e elaboração de projetos para a área. A diretora da DIMUS, Ana Liberato, encerrou as atividades do 4º Encontro Baiano de Museus. “Para quem estava disposto a aprender, ouvir e acrescentar conhecimentos, nós tivemos boas oportunidades com os nossos palestrantes”. Ela ressaltou, ainda, a importância de a DIMUS manter o diálogo com os participantes do interior do estado: “Precisamos planejar junto às comunidades e escolas. Temos muito ainda o que estudar”, concluiu. Já no Palácio da Aclamação, a música vibrante da Orquestra Museofônica, regida por Emília Biancardi, contagiou o público. A orquestra é composta por cerca de 30 integrantes, funcionários atuantes nas instituições museais e no IPAC, além de músicos convidados. Os instrumentos (que foram doados ao Governo do Estado) são provenientes das viagens de Emília por terras africanas, indígenas, orientais e europeias, e são oriundos do acervo pessoal da pesquisadora. “Fiquei muito emocionada com essa apresentação. Foi linda, não foi?”, indagou a etnomusicóloga.