2ª edição do Alagados em Cena debate Cultura e Juventude Negra

19/09/2013

Com presença de artistas e educadores sociais, a comunidade da península de Itapagipe dá início a semana de arte e cidadania O Espaço Cultural Alagados esteve em festa na tarde desta terça-feira (17/09) com a abertura da segunda edição do Alagados em Cena, evento apoiado pela SecultBA e que acontece dentro da programação da Mostra de Arte e Cultura da Península de Itapagipe. A primeira parte do dia foi marcada por uma mesa de discussão sobre Juventude Negra e a Cultura que contou com a presença de Magary Lord, Lazzo Matumbi, Margareth Menezes, Olívia Santana, Tatiane dos Anjos e Carlos Eduardo Baby Barbosa, a mediação ficou por conta de Jackson Costa. À noite, a Rua Direta do Uruguai ferveu com o palco montado na praça do final de linha e as apresentações dos grupos Bagunçaço, Palafitas e The Calice Reggae. A programação segue até esta quinta-feira com espetáculos teatrais, apresentações de dança e capoeira, a exibição do filme “Ninja do Gueto” e mais shows dos artistas da comunidade local e de bairros próximos. A educadora social, Maria de Lourdes, presente na abertura, aprovou a discussão da primeira mesa que, segundo ela “deu uma mensagem bacana à comunidade e, assim, impulsionou ainda mais a cultura local”. Ela acredita que o tema abordado é pertinente pois o adolescente e o jovem “vivem a cultura de um modo diferente de nós adultos”. A produtora cultural Geise Oliveira avalia que a mesa foi importante também por levar figuras famosas da cultura para uma comunidade “carente de segurança e de atividades culturais, mas que se destaca na mobilização da juventude”. O balanço inicial de Jamira Alves, coordenadora do Espaço Cultural Alagados, é positivo. “A gente observa que tem uma energia, que a comunidade acredita na perspectiva de mudança, com uma rede que produz junto com ela e sustenta tudo isso. É um sucesso”. Juventude Negra Nascido e criado no bairro de Brotas em Salvador, caçula de uma família de 11 irmãos, o cantor e compositor Magary Lord participou da mesa de abertura, quando contou sobre a sua árdua trajetória de vida marcada por dificuldades e pelo preconceito racial. Na infância, Magary tinha um sonho bem distinto do caminho que ele vem traçando atualmente: "na verdade, eu queria ser médico, mas foi na música que eu me encontrei", revela o cantor. Para conquistar seu espaço, ele precisou de bastante disciplina, a qual creditou em boa parte à sua família. "Eu acreditei muito. Meu pai e minha mãe também acreditaram. Ouvi os conselhos certos", conta o músico. Já o cantor e mobilizador social Carlos Eduardo Baby Barbosa falou sobre a importância da Rede Campi para a comunidade da Península de Itapagipe. Ele rememorou que na década de 90, quando o PNUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - esteve na região promovendo a discussão sobre a importância de se articular em rede, as pessoas na comunidade enxergaram a necessidade de se realizar uma ação neste sentido e a partir deste contexto surgiu a Rede Campi. "A nossa maior vitória, seja qual for o cenário político, é de toda segunda-feira estarmos reunidos discutindo ações sociais deste território", ressalta Baby sobre o papel da organização na comunidade e acrescenta os resultados: "a gente percebeu que os olhares da cidade passaram a se voltar para cá, pois nós somos referência no diálogo com o Estado". A atual chefe de gabinete da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte da Bahia (SETRE), Olívia Santana, levantou a discussão sobre a importância da consciência política para a juventude, sobretudo na região da Península de Itapagipe. "Política é atitude coletiva e o que acontece aqui é atitude", enfatizou. A busca pelo desenvolvimento social através da coletividade e do reconhecimento das origens enquanto reafirmação de identidade foi o que embasou o seu discurso. Ela citou o exemplo do Correio Nagô, um periódico digital feito pela iniciativa de jovens negros: "A gente precisa dar referências positivas e a nossa juventude pode mais", conclui. Há quase 10 anos, moradia, saúde, lazer e cultura são temas reivindicados pela rede Reprotai, grupo do qual Tatiane dos Anjos é secretária. A jovem explicou que a rede atualmente é referência dentro da comunidade e está sediada em dois locais: no Colégio Polivalente San Diego e no Espaço Cultural Alagados. Dentre algumas ações promovidas pela organização estão a busca de recursos para a manutenção da infraestrutura do Colégio, além do Monitoramento de Políticas Públicas, feito pelos próprios jovens que integram a equipe. “A gente escolhe a política pública e monitora”, explica sobre os critérios utilizados para promover tal ação. A cantora Margareth Menezes, ex-moradora do bairro de Alagados, relembrou como sua carreira começou. Primeiramente, no teatro, através de um trabalho social, em seguida, aos 15 anos de idade, ganhou um violão e embalada pelas serenatas cantadas no bairro foi tomando gosto pela profissão de cantora. “Eu tirava o melhor de tudo”, disse. Ela ainda abordou as inúmeras invenções criadas por negros, como: o semáforo, geladeira, filamento e máscara de gás no intuito de estimular nos jovens presentes a ânsia pela curiosidade e a sabedoria. “Não há limite na cor da pele, há limite na cabeça de cada um”, declarou. O cantor e compositor Lazzo Matumbi ressaltou a importância em se tratar o tema da discriminação racial atualmente em todos os meios, pois esse “país é oriundo dos afrodescendentes e indígenas”. E avisou aos jovens presentes que é necessário que cada um descubra seu talento nato para que eles possam conquistar seus espaços. “Eu tive que ser o produtor, o cantor e o grande artista”, enfatizou e fez questão de estimular os jovens presentes “continue, crie um objetivo, mesmo que seja naquela luz no fim do túnel, vá com fé”. Pra fechar a tarde, antes das apresentações das bandas Palafitas Cantantes e The Cálice Reggae, Margareth e Lazzo se reuniram à banda Bagunçaço e cantaram sucessos que marcaram suas carreiras. ENCERRAMENTO 19/09/2013 (Quinta-Feira) Confira a programação do último dia do Alagados em Cena: 17h00 - Apresentação do Grupo de Dança Aratu – Escola Municipal Vereador Péricles Reni de Souza 17h10 - Exibição do documentário “Subúrbio Negro” – Dir. Diego Haase, 40min. 17h30 - Apresentação do Grupo Renascer Dance 18h00 - Apresentação do Grupo de Dança União Dance 18h30 - Espetáculo “Mákaba – Um conto quase de fada” –  TEMA – Teatro Experimental Meninos da ABEAC. 19h30 - Apresentação do Grupo FICA – Roda de Capoeira Angola 20h00 - Apresentação do Grupo de Dança Vem Chamegar Comigo 20h30 - Apresentação da Companhia de Dança Reflexo 21h00 - Apresentação do Grupo Conspiração (dança de rua)