“Perdemos um acervo. Ele foi um grande mestre religioso”, diz Maca sobre Mestre Didi

08/10/2013
Representantes do Conselho Estadual de Cultura (CEC) fizeram questão de externar a tristeza pela morte do artista plástico e sacerdote Deoscóredes Maximiliano dos Santos, o Mestre Didi. Aos 95 anos, ele perdeu a batalha contra um câncer de próstata diagnosticado em 2011. O sepultamento aconteceu no último domingo, 06, no Cemitério Jardim da Saudade, em Brotas. “Mestre Didi é insubstituível, vai ser algo difícil ocupar o lugar que ele ocupou. Perdemos um acervo. Ele foi um grande mestre religioso, contista e deixou um grande legado na literatura e nas artes plásticas”, afirma o conselheiro Nelson Maca. Poeta, professor de Literatura Brasileira no Instituto de Letras da Universidade Católica de Salvador e fundador do Coletivo Blackitude: Vozes Negras da Bahia, Maca utiliza toda sua experiência para afirmar que a trajetória de Mestre Didi precisa servir de exemplo às novas gerações. “Perder o Mestre Didi significa duas coisas. A primeira é que temos de reverenciá-lo, não deixar que sua memória se apague. A segunda é que devemos chamar atenção e lembrar das pessoas que estão vivas e ainda não foram reconhecidas”, assinala. Para o conselheiro Jaime Sodré a perda simboliza também o fechamento de um ciclo, pois ele é o autor do livro A influência da religião Afro Brasileira na Obra Escultórica de Mestre Didi, resultado da sua dissertação de mestrado em História da Arte pela Universidade Federal da Bahia (Ufba). “Considero que Mestre Didi fez sua passagem para ancestralidade. Era um homem genial e tinha várias habilidades. Ele se empenhou à tradição religiosa africana, sendo interlocutor de ancestrais africanos colocados no infinito. Na condição de escritor, é autor do importante livro infantil ‘Por que Oxalá usa ekodidé’ e produziu um breve dicionário da língua Iorubá. Foi um orientador espiritual que defendia que devemos evoluir sem perder a essência e preservar a tradição sem ficar estagnado a ela”, comenta. Veja mais no portal do CEC: