Flica confirma mesas da programação adulta

18/10/2013

A Flica – Festa Literária Internacional de Cachoeira – chega a sua terceira edição com novidades, como a Fliquinha, espaço de literatura infantil, com a presença de autores do gênero e atividades diversas, e a transmissão ao vivo pela internet de todas as mesas da programação adulta, programação que contará com vasto elenco de autores, nacionais e internacionais, e mediadores. Divididos em 12 mesas, os autores apresentar-se-ão no palco montado no claustro do Conjunto do Carmo, na Praça da Aclamação, espaço climatizado com livraria e capacidade para 300 espectadores sentados. O evento tem a realização da CALI - Cachoeira Literária e Icontent/Rede Bahia. A Flica tem Patrocínio da Oi e Coelba, através do Fazcultura, uma parceria entre a Secretaria da Fazenda e Secretaria da Cultura, Governo do Estado da Bahia, Terra de Todos Nós. A primeira mesa da festa literária, que ocorre no próximo dia 23, foi batizada “Enfrascar o Cotidiano”. Nela Cristovão Tezza e Fabricio Carpinejar falarão sobre texto ficcional e crônica, entre verossimilhança e caos. Tezza também apresenta o mais novo livro, “Um operário em férias”, coletânea de crônicas lançada em maio (2013). Escritor gaúcho, agraciado com diversos prêmios literários, Fabrício Carpinejar levará à mesa a experiência de quem já publicou 24 livros, oito de poesias, oito de crônicas, um de reportagem e sete infanto-juvenis. A segunda mesa, no dia 24, é “Qualquer Um Poeta”. Nela, os baianos Elieser Cesar e Karina Rabinovitz tratam da especialidade em comum: a poesia. Elieser foi primeiro lugar do Prêmio Damário da Cruz de Poesia, instituído pela Fundação Pedro Calmon (FPC). Com a publicação “Antologia A Vida das Palavras”, recebeu o Prêmio Folha Dirigida e foi indicado pela Academia Brasileira de Letras para redações de professores sobre a importância social das palavras. Já Karina Rabinovitz trabalha experimentando e realizando interações entre poesia e artes visuais. Em 2010, recebeu o Prêmio Roquette Pinto (patrocínio da Petrobrás e apoio do Ministério da Cultura). Na sequência do mesmo dia, debaterão Mário Magalhães e Ana Teresa Baptista na mesa “Vidas Comuns, Vidas Notáveis”. Os dois biógrafos falarão da experiência de escrever sobre personagens que fizeram história. Mário Magalhães, com mais de 20 prêmios e menções honrosas no Brasil e no exterior por seus trabalhos, escreveu a biografia do guerrilheiro Carlos Marighella (1911-69). Além de “Marighella – O guerrilheiro que incendiou o mundo”, é coautor, com o fotógrafo Antônio Gaudério, do livro de reportagens "Viagem ao País do Futebol" (DBA-1998) e autor do livro-reportagem "O Narcotráfico" (Publifolha-2000). Já Ana Teresa conta com a experiência  de biografar ilustres baianos, como Chico Pinto, biografia que recebeu o titulo "Chico Pinto - a voz que desafiou os ditadores", e Elsimar Coutinho,  retratado em “Elsimar Coutinho: o cientista que o mundo aplaude”. O primeiro autor nacional a ter confirmado presença na Flica estará no terceiro debate do dia 24. Laurentino Gomes, autor do best-seller “1808 - Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil”, estará junto a Eduardo Bueno na mesa “1889 - Clientes, Coronéis e a República”. Escritor, jornalista, editor e tradutor, Eduardo Bueno defende o bordão “Povo que não conhece sua História está condenado a repeti-la”. O encontro entre Eduardo Bueno, também conhecido como Peninha, autor de diversos best-sellers sobre a história nacional, e Laurentino Gomes tem como curiosidade o fato de unir numa mesma mesa os dois autores que mais venderam livros sobre História do Brasil na história do Brasil. Na sexta-feira, dia 25, o escocês Ewan Morrison estará junto a Sérgio Rodrigues na mesa “O Não Legado da Literatura”.  Em recente ensaio para o jornal britânico The Guardian, Ewan Morrison especulou sobre as características da literatura de ficção em 2043.  A redação levanta questões sobre pirataria, democratização do acesso ao conhecimento e à cultura, os meios de produção e divulgação, os limites que o capitalismo impõe à seara literária e a interação entre cultura e tecnologia. Já Sérgio Rodrigues estreou na ficção no ano 2000, com o livro de contos “O homem que matou o escritor”. Recentemente, lançou "O drible", sucesso imediato de crítica e público, pela Companhia das Letras. Com duas colunas muito acessadas em Veja Online, Sérgio atua como crítico literário e etimologista. Kiera Cass, sensação do mercado editorial global, é a segunda atração internacional do dia 25 a se apresentar. Ela estará ao lado de Gláucia Lemos, autora baiana de 35 títulos de gêneros diversos. Ambas debatem “Lirismo, sonhos e imaginários” na Flica. Nascida na Carolina do Sul (EUA), autora da trilogia A Seleção, versão contemporânea e “antenada” dos contos de fadas na forma de romances, Kiera sabe lidar como poucos com o tema da mesa, que explora a presença do lirismo na prosa. Gláucia também se define, em algumas de suas obras, como escritora lírica. Entre paixões e arrebatamentos, elas falarão sobre o processo de criação literária de príncipes e princesas, donos de coroas de ouro e de lata, pois na prosa lírica do século XXI cabe um tanto de realismo. A mesa “Entre Flores e Espartilhos” terá a presença da americana Sylvia Day e da baiana Állex Leilla. Sylvia Day é autora da trilogia “Crossfire”, com livros publicados em mais de trinta países, ocupando os primeiros lugares nas listas de vendas. Nos livros, Day mistura emoções ligadas ao amor e ao desejo, com cenas sensuais. Állex Leilla é vencedora do prêmio para autores inéditos da BRASKEM e Fundação Casa de Jorge Amado, em 1997, com seu primeiro livro de contos, "Urbanos", e do 20° Concurso de Contos Luiz Vilela, com o texto “Felicidade não se conta”. Na primeira mesa do sábado, dia 26, "Donos da terra? - Os neoíndios, velhos bons selvagens", teremos Demétrio Magnoli e Maria Hilda Baqueiro Paraíso falando de história e contemporaneidade indígena, com foco na dúvida sobre a etnicidade de alguns dos que se apresentam como índios. Demétrio Magnoli é autor de diversos ensaios e obras. Seu livro “O Corpo da Pátria: imaginação geográfica e política externa no Brasil -  1808-1912” inscreve-se numa tendência de estudos recentes que tomam a formação do território como um importante eixo estruturador da história brasileira. Maria Hilda Baqueiro Paraíso é a mais respeitada autoridade em índios da Bahia. Atualmente,  pesquisa a formação territorial da Bahia no período colonial, para criação de um "Atlas Histórico da Bahia Colonial". Entre os livros publicados, é da escritora “Caminhos ao encontro do mundo: a capitania de Ilhéus, os frutos de ouro e a Princesa do Sul - Ilhéus 1534-1940”, “História Indígena”, livro didático para Licenciatura em História e “Os Boruns do Watu”. “A Velocidade da Contemplação Moderna” é o nome da mesa que reúne Joca Reiners Terron e Tom Correia. Terron é autor de vários livros, entre eles o premiado “Do fundo do poço se vê a lua” (2010), que conquistou o Prêmio Machado de Assis de Romance da Fundação Biblioteca Nacional. O jornalista e escritor Tom Correia lançará na Flica o livro “Ladeiras, Vielas e Farrapos”. Na obra, o autor faz um mergulho ficcional em Salvador. O debate, o segundo do sábado, 26, gira em torno do saudosismo em relação ao passado da literatura, tempos de contemplação lenta, supostamente habitado por autores amados por seus povos, cidadãos pacientes a esperar pelas revelações de seus escritores oráculos. Saudosismo estimulado pelo desconsolo com a velocidade de contemplação contemporânea, que exige mais do autor sem muitas perspectivas de louvação pela sociedade. Carola Saavedra e Leticia Wierzchowski participam da mesa “Afetos e Ausências”. Saavedra está entre os vinte melhores jovens escritores brasileiros escolhidos pela revista Granta. É autora dos romances “Toda terça” (2007),  “Flores azuis “(2008; eleito melhor romance pela Associação Paulista dos Críticos de Arte, finalista dos prêmios São Paulo de Literatura e Jabuti), e “Paisagem com dromedário” (2010, Prêmio Rachel de Queiroz na categoria jovem autor, finalista dos prêmios São Paulo de Literatura e Jabuti). Leticia Wierzchowski publicou 11 romances e novelas, uma antologia de crônicas, além de seis livros infantis e infanto-juvenis. É autora de “A casa das sete mulheres”, romance que inspirou a série homônima produzida pela Rede Globo e exibida em trinta países. Com obras publicadas no exterior, a escritora recebeu o Prêmio Açorianos de Literatura, em 2012, por “Neptuno”. O francês Jean-Caude Kaufmann fecha junto a Luiz Felipe Pondé a programação literária de sábado na mesa “As Imposições do Amor ao Indivíduo”. "Primeira manhã: Como Nasce uma História de Amor", "A mulher só e o príncipe encantado", "Labirinto Conjugal" e "A invenção de Si" são títulos de livros do francês, que é sociólogo e se destaca por focar o tema relacionamento. Autor de best-sellers na França, Kaufmann é diretor de pesquisa do Centre National de Recherche Scientifique - CNRS e do Centre de Recherche sur les Liens Sociaux da Universidade Paris Descartes – Paris V. Ele tem obras traduzidas para 15 idiomas. Grande nome da filosofia e da literatura nacional, Luiz Felipe Pondé é autor de obras como “O homem insuficiente: Comentários de Psicologia Pascaliana” (2001), “Conhecimento na desgraça: Ensaio da Epistemologia Pascaliana”(2004), “Crítica e profecia: filosofia da religião em Dostoiévski” (2003), “Do pensamento no deserto: Ensaio de Filosofia, Telogia e Literatura” (2009) e “O Catolicismo Hoje” (2011). Na mesa, ambos debaterão, a partir de pontos de vista opostos, sobre amor e vínculos libidinais, os sociais e os a dois. No domingo, dia 27, se encerra a festa literária. Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos, mundialmente conhecido como Pepetela, e Makota Valdina participam da mesa final: “Ndongo, Ngola, Angola, Bahia”. Pepetela é autor dos romances “Mayombe” e “A Geração da Utopia”, sendo um dos mais importantes escritores de Angola. Em 1997, conquistou o Prêmio Camões, um dos mais renomados e desejados pelos escritores da língua portuguesa, pela totalidade de sua produção. Makota é membro do Conselho de Cultura da Bahia, uma referência para as comunidades negras baianas, sendo reconhecida como mestra da sabedoria Bantu em meios intelectuais nacionais e internacionais, valorizando as especificidades da nação de candomblé Angola-Congo. SERVIÇO O quê: Festa Literária Internacional de Cachoeira – Flica 2013 Onde: Claustro do Conjunto do Carmo, na Praça da Aclamação – Cachoeira Quando: 23 a 27 de outubro (quarta a domingo) Realização: CALI - Cachoeira Literária e Icontent/Rede Bahia EVENTO GRATUITO