18/10/2013
A restauração de altares e imagens na igreja de Bom Jesus de Piatã, originária do século XVIII, no município de Piatã, Chapada Diamantina, realizada pela Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA), está sendo ampliada. Os trabalhos são realizados por especialistas de equipe multidisciplinar do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), vinculado à Secult-BA. A ampliação dos serviços se deve à importância do acervo artístico e arquitetônico da Igreja Matriz e da Capela do Rosário, ambas na cidade, que já têm tombamentos provisórios do Estado como Patrimônios Culturais da Bahia desde 2002.
Na Matriz, foram descobertas pinturas singulares do ‘barroco popular’, das quais não se sabia da existência, além de itens originais do século XIX em imagens sacras. A comunidade e a paróquia local incentivaram as novas ações do IPAC na região. “Desde abril do ano passado (2012), quando iniciamos as restaurações, trabalhamos mais que o previsto. Mantivemos técnicos e marceneiros, em revezamento, para garantir a realização”, explica o diretor de Projetos e Obras (Dipro) do IPAC, Paulo Canuto.
As intervenções atingem três igrejas de Piatã, cidade do centro-sul baiano, a 572 km de Salvador. Além de dois altares laterais e dois colaterais na de Bom Jesus, e 10 imagens restauradas, a SecultBA/IPAC realiza intervenções na Capela do Rosário. Na de Bom Jesus, foram restaurados cancelos em madeira e um arcaz (arca com gavetões) da sacristia, removidas oxidações e impurezas inorgânicas de tocheiras (grandes castiçais para tochas), recuperadas esquadrias e o baldaquino (dossel em colunas) da fachada. Foram beneficiadas 10 imagens sacras com suportes em gesso, madeira e pedra, policromadas ou douradas. Na Igreja de Catolés, foi escorado altar-mor, reforçadas esquadrias, realizada análise técnica e reunião comunitária.
CUIDADO e EDUCAÇÃO – “O processo de restauração é longo e necessita de cuidado. Fazemos limpeza, fixação de estratos, remoções, recomposição das faltas, reintegração da policromia, douramento, aplicação de verniz, dentre outras ações”, ressalta Rozelita Sá Barreto, uma das restauradoras, juntamente com os restauradores Claudio Brito, Bruno Visco e Célia Moura. Foram beneficiadas duas portas e quatro janelas das sacristias da Igreja do Rosário, com desmontagem, limpeza, retirada de oxidados, recomposição e colagem, além de contenção emergencial na Igreja do Catolé, onde uma das imagens também foi restaurada. Durante as obras, foram feitas visitas da comunidade local, seminaristas e estudantes guiados por restauradores do instituto. “O restauro de bens artísticos responde à missão do IPAC, de preservação do patrimônio cultural. A comunidade de Piatã acompanhou as ações com grande interesse”, lembra a coordenadora de Restauro de Elementos Artísticos (Cores) do IPAC, Milena Tavares.
DESCOBERTAS e BARROCO POPULAR – Na imagem de Nossa Senhora da Soledade, foram encontrados no peitoral da peça um jornal de 1898 e um tecido bordado em seda e fios com lâminas supostamente de ouro e prata. Os objetos estão em processo de planificação e acondicionamento para preservá-los. “Os altares da Igreja de Bom Jesus têm características em estilo ‘barroco popular’, bem raro no Brasil. Os elementos são diferentes dos existentes nas igrejas barrocas do país”, informa a subcoordenadora de Restauro do IPAC, Káthia Berbert. A igreja de Piatã tem querubins, anjos, atlantes (figuras masculinas) e cariátides (femininas) com fisionomia nordestina, representando a população local. “Na ornamentação, encontramos aves e frutas típicas da região”, alerta a restauradora.
O IPAC encaminhará ao Conselho Estadual de Cultura (CEC) os dossiês para consolidação dos tombamentos dos imóveis com seus bens artísticos integrados. “Nas obras, o IPAC disponibilizou especialistas, material artístico, equipamentos de segurança e formação de ateliê, enquanto a Paróquia cedeu madeiras e logística local”, comenta o diretor de Obras, Paulo Canuto. Mais informações na Cores/IPAC, via telefone (71) 3117-6387 e endereço cores.ipac@ipac.ba.gov.br.
