Negro e Negra Malê 2016 são eleitos em concurso

25/01/2016

male de bale

Crédito: Rosilda Cruz

 

O bloco afro Malê Debalê elegeu na noite do último domingo (24) o Negro e a Negra Malê, compondo a programação da 37ª edição do Festival de Música Malê Debalê. No concurso, competiram 12 candidatos na categoria masculina e seis candidatas na categoria feminina, ao som do grupo em animado festejo na sede do bloco. Após a seleção de uma comissão de técnicos, a premiação elegeu Noelson Souza, 24 anos, como Negro Malê e Priscila Reis, 19 anos, como Negra Malê, reis da agremiação. O evento integra a agenda de eventos pré-Carnaval apoiadas pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA).


Abordando o tema Reino Negro dos Haussas: Malê Debalê canta a Nigéria e fazendo referência às tradições e cultura africanas, Noelson e Priscila representarão a instituição durante o Carnaval 2016 e em todos eventos que o Malê esteja presente este ano. Em torno do ritmo, beleza, aplausos e animação da plateia e dos candidatos, o concurso homenageou a atriz Neuza Borges, que sempre se destacou como porta voz em prol da igualdade racial no Brasil e participou do evento como uma das juradas, bem como encerrou a noite com show da banda Katulê.


Para Arany Santana, diretora do Centro de Culturas Populares e Identitárias da SecultBA, a realização do concurso do Malê incentiva a beleza e a autoestima dos afrodescendentes. “Esta belíssima festa mostra como o Governo do Estado da Bahia sempre busca estar presente, apoiando e respeitando, os eventos de matriz africana”, afirmou. Já para Vovô do Ilê, é imprescindível que o poder público apoie eventos que valorizem as manifestações culturais. “Infelizmente as grandes marcas, as cervejarias ainda não atentaram para o poder do negro. Nós somos a maioria nessa cidade, mas não somos vistos com toda a reparação que é necessária”, refletiu


Sobre o Malê Debalê - O bloco afro foi fundado em 1979 por um grupo de moradores de Itapuã que desejavam ver o seu bairro representado no carnaval de Salvador. O nome é uma homenagem aos Malês, negros muçulmanos, que lutaram contra o processo de escravidão, representando, na Bahia, uma resistência ativa. Assim, o bloco, como afrodescendente, tem na história dos Malês, um mito de referência. O bloco tem na dança e na música um elo forte com a tradição cultural herdada da cultura afro, mesclada com o viver popular e o mental coletivo contemporâneo de sua comunidade praieira.


Sobre o Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI) – O CCPI, órgão da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), é responsável pela execução, proteção e promoção das políticas públicas de valorização e fortalecimento das manifestações populares e de identidade, orientadas de acordo com o pensamento contemporâneo da Unesco e do Ministério da Cultura. Seu campo de atuação contempla a cultura do sertão, de matrizes africanas, ciganas e indígenas, LGBT, infância e idosos. Coordena o projeto Pelourinho Cultural, responsável pela programação artística dos largos do Pelourinho e suas grandes festas populares, e administra o Forte de Santo Antônio Além do Carmo, conhecido como o Forte da Capoeira.