Afródromo fomenta horário nobre para entidades do Ouro Negro

04/03/2014
Em sua segunda noite de desfiles, o projeto Afródromo levou ao circuito Osmar (Campo Grande) entidades contempladas no programa de fomento Ouro Negro, da Secretaria de Cultura da Bahia/SecultBA. Esta proposta visa assegurar horários e condições privilegiadas para o desfile carnavalesco de entidades de matriz africana e assegurar o leque de diversidade no circuito tradicional da folia. Ainda em ritmo de celebração dos seus 40 carnavais, o bloco afro Ilê Aiyê encabeçou o cortejo do Afródromo, que foi seguido por mais dois blocos, Muzenza, Ókànbi. O novo horário de saída surpreendeu o público, mas agradou boa parte dos associados. “Estava acostumada com o horário mais tarde, por isto cheguei atrasada. Perdi um começo, mas ainda sim gostei. Tenho que me acostumar com um bom horário. E é melhor ainda porque passo na TV”, comenta Iara Rocha, professora e foliã do Ilê. Logo em seguida foi à vez do Muzenza sair com seus 2500 “guerrilheiros”, como são chamados os associados do bloco. Desfilando também em novo horário, o bloco passou pelo Campo Grande cantando antigas e novas canções. As centenas de foliãs pipoca presentes puderam conhecer um pouco mais da entidade. O mecânico João Ricardo, que estava sentado na arquibancada, viu pela primeira vez o Muzenza do Reggae de perto. “Já tinha ouvido falar muito, mas não conhecia assim de perto. Não sabia das alas e desta bateria tão potente. Agora entendo porque são guerrilheiros”, brinca o mecânico, que estava com toda família. O bloco afro Ókànbi foi o terceiro bloco da faixa negra no carnaval proposta pelo Afródromo e reuniu cerca de 1200 pessoas. Criado em 1983, o bloco também integrou o Comboio Africano de Carlinhos Brown no desfile de domingo do Afródromo. Com o tema “Deusa Negra: 100 anos de Carolina Maria de Jesus”, o bloco homenageou a escritora negra mineira que, se tivesse viva, comemoraria um século no dia 14 de março deste ano. Nos últimos anos, o Ókànbi desfilava perto de meia noite. Com o Afródromo, a saída ocorreu às 21h40m. “A energia é outra. Vamos com mais vontade de dançar”, anima-se Eila Pinto, integrante da ala de dança do bloco. A quarta e última atração do Afródromo de hoje seria o Malê Debalê, que leva à Avenida muita gente do seu bairro de origem, Itapuã. Contudo, outras entidades negras desfilaram antes do afro de Itapuã, como o Aspiral do Reggae, o Mundo Negro, com sua potente percussão e o Blocão da Liberdade, que trouxe o samba do grupo Movimento. O samba também animou os foliões do Bloco Boka Louca, com o som da banda Eterna Dimensão. Todas as entidades citadas, incluído as do desfile do Afródromo de hoje, são contempladas pelo Carnaval Ouro Negro, programa de fomento da SecultBA. Foto: Rosilda Cruz