Teia do Recôncavo leva jovens quilombolas do Kaonge, em Cachoeira, para conhecer o quilombo do Giral Grande, em Maragogipe

20/03/2014

Samba, batuque, cantigas, caminhadas e muita alegria. Assim foi a vivência na comunidade quilombola do Giral Grande, em Maragogipe, onde os jovens quilombolas do Kaonge (Cachoeira) puderam compartilhar  experiências com os jovens daquela região, através do Teia do Recôncavo.  O projeto, que é apoiado pelo edital Territórios Culturais 05/2012, tem como uma de suas ações encontros interativos entre três Pontos de Cultura do Recôncavo Baiano. A vivência aconteceu nesta última quarta (19), quando dezoito crianças e adolescentes saíram do Kaonge e foram conhecer a comunidade do Giral Grande. Um encontro também já havia acontecido no último dia 17, quando crianças e jovens do Giral Grande saíram para conhecer o Kaonge. Dentro da van, que conduziram os jovens, o clima era de muita expectativa para chegar ao destino almejado. Com tambores e pandeiros todos cantavam samba de roda até Maragogipe. Na chegada, foram recebidos  pela comunidade também ao som de sambas de roda e canções a São Benedito, santo cujos moradores são devotos. Participaram do encontro cerca de sessenta pessoas de diversas gerações. Após os festejos, os integrantes do Kaonge foram levados para conhecer a cachoeira ‘Poço da Sereia’, onde foram surpreendidos com a beleza natural que domina o cenário paisagístico do lugar. Na volta, um almoço coletivo e sorvetes de aimpim aguardavam os visitantes, que já estavam tão familiarizados com o lugar, que não queriam voltar tão cedo para suas casas no outro lado do Paraguassú. “Foi muito bom passar mais um dia com eles, para  nos conhecermos, já que somos quilombolas, irmãos”, disse Marcele Cardoso, 15 anos, da comunidade do Giral Grande. Alex Reis, 21 anos, do Kaonge, também acredita que o encontro foi bastante proveitoso. “A gente vem de uma cultura muito parecida, cada comunidade que visitamos serve como aprendizado. A trilha que fizemos hoje parece com a trilha Griô que já fazemos na nossa comunidade, do nosso projeto de turismo étnico sustentável”. SEMELHANÇAS- Além do samba, os participantes se identificaram com várias questões que atingem as comunidades quilombolas. Dentre elas, os conflitos territoriais e carências de serviços públicos. A preservação ambiental também foi colocada em pauta, já que ambas comunidades se situam em áreas nas quais são suas próprias fontes de sustentabilidade. “ Nós temos os mesmos interesses. Ser quilombola é afirmação. Cada vez eu vejo que essa é a minha identidade. Um projeto como esse nos dá força, isso é valorização”, disse Eliete Calheiros, que é líder comunitária do Giral Grande. Jucilene Viana, que é uma das líderes comunitárias do Kaonge,  tem a mesma percepção. Para a líder comunitária do Kaonge, o momento foi de fortes identificações. “Além da troca de experiências, foi um encontro com uma comunidade que tem muito a ver com a nossa, as lutas são as mesmas assim como a história e a forma de sustento, com a pesca e agricultura. Aqui também é um lugar lindo, maravilhoso, que conserva a natureza”.