24/03/2014
A forte repressão às artes baianas no período da ditadura militar e civil das décadas de 1960/70, além do impacto disso sobre a cultura e as artes na Bahia é o tema da palestra que diretor do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM), Marcelo Rezende, realiza nesta quarta-feira (26.03), às 14h, como parte do Fórum do Pensamento Crítico, que acontece no Teatro Castro Alves, em Salvador, reunindo expressões da cultura baiana e brasileira em torno da questão ‘Quais as heranças culturais e comunicacionais da ditadura?’.
Em sua fala, intitulada ‘Pitanga, caju e verde oliva’, Rezende enfocará, entre outras abordagens, a censura à 2ª Bienal da Bahia, que foi drasticamente interrompida pelo regime militar dois dias após sua abertura, tendo obras confiscadas e nunca mais devolvidas, criando-se a partir daí um hiato de quase 50 anos, até a retomada com a realização agora da terceira edição do evento.
Escritor, crítico de arte e curador com trabalhos realizados no Brasil e em outros países, como China, Estados Unidos e Canadá, além de diretor do MAM – espaço da Secretaria de Cultura da Bahia (SecultBA) – Marcelo Rezende é curador-chefe da 3ª Bienal da Bahia, que acontecerá durante 100 dias, entre 29 de maio e 7 de setembro deste ano, reunindo obras de artistas nacionais e estrangeiros e, sobretudo, com uma nova proposta de diálogo entre o público e o espaço artístico, inclusive questionando os limites desse ‘locus’.
RETORNO - O curador-chefe da Bienal alerta que a terceira edição renasce exatamente 46 anos depois da 2ª Bienal, de 1968, indo além do circuito artístico convencional baseado em exposições. “A terceira edição será marcada pelo importante resgate da história e memória da Bienal, sem deixar de lado a necessidade de atualizar as intenções originais das primeiras edições do evento”, explica Marcelo Rezende. “A 3ª Bienal da Bahia está sendo construída em torno da indagação ‘É tudo Nordeste?’, propondo com isso uma experiência cultural e histórica nordestina a partir de uma perspectiva baiana, abrindo novos canais de diálogo com o resto do Brasil e a cena artística mundial”, completa.
A bienal tem um grupo de curadores de diferentes partes do Brasil e com experiência em grandes eventos nacionais e internacionais. Marcelo Rezende (escritor, crítico e diretor do MAM-BA), Ayrson Heráclito (artista visual e professor) e Ana Pato (pesquisadora e ex-diretora executiva da Associação Cultural Videobrasil) formam o conselho curatorial. A equipe se complementa com a presença de Fernando Oliva (crítico e pesquisador) e Alejandra Muñoz (professora e pesquisadora), como curadores adjuntos.
O Fórum no TCA é uma promoção do Governo do Estado via SecultBA, com coordenação da Fundação Pedro Calmon. A 3ª Bienal da Bahia, tem coordenação geral do MAM e é realizada pelo Governo do Estado, via convênio entre a Fundação Hansen Bahia e o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), também vinculado à SecultBA. Mais informações no site www.bienaldabahia2014.com.br.
