Semana de Gestão e Políticas Culturais discute Formação de públicos no Brasil

13/05/2014
A formação de públicos da cultura é o tema deste segundo dia de debates da Semana de Gestão e Políticas Culturais. No período da manhã, a doutora em ação cultural (USP) e gestora cultural, Isaura Botelho, realizou palestra na qual questionou se “é possível formar públicos no Brasil”. A especialista afirmou a necessidade das políticas culturais superarem a tradição de valorização das culturas eruditas e considerarem a diversidade cultural do País. Destinada, principalmente, aos gestores públicos, o debate proposto por Isaura buscou refletir sobre a formação de público para a elaboração de políticas culturais no Brasil. À tarde, a doutora em antropologia social, Regina Novaes, realiza debate sobre jovens e políticas culturais. O evento, que acontece em Feira de Santana, no Centro de Cultura Amélio Amorim, é organizado pelo Observatório Itaú Cultural em parceria com a Secretaria da Cultura do Estado da Bahia e acontece até sexta-feira (16/05). Confira aqui a programação da Semana. Histórico – De acordo com Isaura, a preocupação em sistematizar dados a respeito da formação de públicos tem origem no desenvolvimento das políticas públicas culturais na França, em meados do século XX. No entanto, a orientação de promover uma concepção universalista da cultura erudita fez o ideal de democratização da cultura estimular, especialmente, políticas para a disseminação desta herança cultural. Novos desafios – A doutora em ação ação cultural explicou ainda que a construção da concepção cultural de cada indivíduo passa, principalmente, pela própria vivência e o desenvolvimento de linguagens pessoais. A partir do interesse individual, promove-se também a abertura para a interação com outras expressões artísticas e novas formas de cultura. “O objetivo das políticas públicas, então, é contribuir para que o público entenda o processo de desenvolvimento da cultura e a partir daí pensar alternativas, a partir da reconstrução da situação”, afirmou. Nessa conjuntura, torna-se necessário que o poder público deixe de ser apenas realizador de atividades culturais e passe a pensar em outras formas de atuação caso queira influenciar a formação de públicos por meio de políticas públicas.