Curadora da 3ª Bienal da Bahia fala dos cem dias de atividades culturais no estado

20/05/2014

Após uma lacuna de 46 anos, a Bienal da Bahia chega a sua terceira edição a partir do dia 29 de maio, com a exposição “Reincenação das Bienais”, no Mosteiro de São Bento, em Salvador. Em entrevista, a curadora chefe, Ana Pato, adianta detalhes dos cem dias de exposições e atividades educativas que vão ocupar o Arquivo Público da Bahia e espaços culturais e sociais como bibliotecas, universidades, museus e outros equipamentos. Na equipe da Curadoria estão ainda o artista visual, Marcelo Rezende e Ayrson Heráclito, os curadores adjuntos são, o pesquisador Fernando Oliva e a professora Alejandra Muñoz. Confira a entrevista: Ascom – Percebe-se que a temática do Arquivo está muito presente no conceito da Bienal. Como se construiu essa relação e de que forma o Arquivo Público da Bahia (APB) estará inserido nos 100 dias de atividades? Ana Pato - A Bienal está diretamente ligada à ideia de arquivo como um todo, o objetivo foi justamente entender que essa não é a primeira, mas a terceira Bienal. Por isso, para começá-la, precisamos contar a história das duas últimas edições realizadas (1966 e 1968); esse é o dever de memória ao qual nos propusemos. São 50 anos do Golpe Militar no Brasil e somente agora começamos a abrir os arquivos da Ditadura Militar. A Bienal foi fechada, justamente, pelo regime e, talvez, essa tenha sido uma das principais ações de repressão sofridas na história da arte brasileira. Entendo o Arquivo Público da Bahia como um espaço de ação e, durante a Bienal, o público vai visitar as exposições, conhecer o arquivo, entender como ele funciona, qual a história do lugar e como sua equipe trabalha. Vamos propor uma dinâmica em que o trabalho do artista seja uma espécie de chave mágica que permita que o público possa conhecer o Arquivo em toda a sua dimensão, seja ela cultural, turística, histórica e de pesquisa. Vamos montar dentro do APB, o Arquivo Bienal, no qual as pessoas encontrarão inventários dos artistas que participam da Bienal. Assim, colocaremos a Bienal num processo de “arquivamento” durante o próprio evento, faremos a seleção, organização e disponibilização para consulta pública do inventário de ideias, propostas e diálogos com os artistas da Bienal, tudo isso dentro do próprio espaço do Arquivo. Ascom – Como se deu a escolha do tema da Bienal? Ana Pato - A escolha está ligada a esse desejo de retomada do projeto da primeira e da segunda Bienal. Na época, a Bienal da Bahia era  um contraponto à Bienal de São Paulo, que naquele momento se propunha a mostrar o Brasil para o mundo. Enquanto que a Bienal da Bahia apresentava um outro Brasil para o Brasil. Assim, retomamos a ideia quando perguntamos “É tudo Nordeste?”. A 3a Bienal da Bahia se propõe a olhar o Brasil a partir dessa experiência de Nordeste, que não é necessariamente um Nordeste geográfico, mas um Nordeste imaginário.  A 3ªBienal tem como proposta atualizar o projeto das suas primeiras edições, contudo, nossa intenção não é a de resgatar a memória, mas trabalhar a partir dessa memória, para dialogar com o presente. Confira entrevista na íntegra aqui.