Jardim Suspenso do TCA recebe O Tear do Terreiro

05/08/2014

No dia 6 de agosto, quarta-feira, um plantio coordenado pelo Tata Mutá Imê, babalorixá do terreiro Mutá Lambô ye Kaiongo, abrirá os trabalhos, os caminhos e a visitação da obraO Tear do Terreiro, do artista porto-riqueinho Luís Berríos-Negrón, no Jardim Suspenso do Teatro Castro Alves. A obra é um trabalho comissionado ao artista para a 3ª Bienal da Bahia, e foi parcialmente desenvolvida no período que o artista esteve em residência artística, no Instituto Sacatar. O plantio de ervas sagradas e medicinais será feito por três filhos do terreiro, da nação Angolão Paquetan. Mam’etu N’udiakalunga (Robenilda Nascimento dos Santos), Sute Mwgongo (Augusto Cezar Santos da Silva) e Taata Poko Ngunzetala (José Raimundo Alcântara) percorrerão a “pirâmide” construída sobre a laje de cobertura do foyer do teatro, ascendendo até o nível da cobertura do volume triangular da sala principal e depois descendendo até a laje-jardim do restaurante do teatro. Neste espaço semearão mudas de arruda, tira-teima, vence-tudo, guimé, manjericão, kioyô, makaká, vassourinha-nossa-senhora, alecrim, folha-da-costa e coentro-da-índia. O plantio será feito seguindo os preceitos da religião, com os cânticos e saudações da tradição bantu.O público é convidado a levar também suas mudas para serem plantadas no dia. Recomenda-se mudas de raiz rasteira. O Tear do Terreiro O trabalho de Luís Berríos Negrón para a 3ª Bienal da Bahia propõe a realização de um pedestal social, uma estrutura que, através dos percursos e espaços que instaura, pretende alimentar o imaginário coletivo com um conjunto de questões relativas ao tempo, à relação entre o homem e a natureza e à revelação de uma possível nova superfície urbana, pública e coletiva. A estrutura em andaimes sobre o terraço do Foyer do Teatro Castro Alves possibilita a contemplação da enorme superfície da sua Sala Principal. O percurso sinuoso e contínuo que leva à plataforma simula o entendimento que as religiões de matriz angolana se relacionam com o tempo, principal entidade para esta nação. Do topo, a possibilidade de contemplação da superfície da cobertura, de um lado, e da frondosa vegetação da Praça do Campo Grande, do outro, potencializam a imaginação pública com relação à existência daquela superfície como espaço público e como jardim coletivo para a cidade. E em um dos lados, uma arquibancada pretende servir como suporte para a realização de conversas, debates e outras atividades da Bienal, conferindo a este espaço um caráter de espaço público aberto à livre apropriação, à troca entre os usuários e ao imprevisto. A arquibancada ficará virada de frente para um jardim suspenso, em uma das lajes do teatro, onde o líder espiritual Tata Mutá Imé irá, ao longo da Bienal, semear um terreiro, com plantas medicinais e sagradas, seguindo a tradição do culto Bakongo, proveniente de Angola. O percurso das experiências realizadas neste espaço é como a composição coletiva de um tecido. Tecer o terreiro é, então, potencializar a percepção de um espaço invisível e alimentar a memória coletiva de um espaço público possível. Abertura da obra O Tear do Terreiro, com plantio de ervas sagradas e medicinais coordenado pelo Tata Mutá Imê Quando: 06 de agosto, quarta-feira, 16h Onde: Jardim Suspenso, na laje de cobertura do Foyer do Teatro Castro Alves