Colóquio trará debate sobre identidade nos traços dos quadrinhos

13/10/2014

Encerrando a programação do “Colóquio História e Quadrinhos: A história da Bahia em HQ”, dia 17, o debate “Identidade nos traços” reunirá quadrinistas e cartunistas como André Betonnasi, Lila Cruz e Marcelo Lima, que falarão de estilos e estéticas buscadas pelos cartunistas e ilustradores baianos. O colóquio tem inscrições gratuitas abertas no site da Biblioteca Virtual 2 de Julho. Cada convidado apresentará sua trajetória e a consolidação de um estilo no traço, a exemplo do Doutorando em Comunicação e Cultura Contemporânea pela Universidade Federal da Bahia, André Betonnasi que, em seus estudos enfatiza os aspectos narrativos das histórias em quadrinhos. Seu principal campo de atuação são histórias em quadrinhos, narrativas visuais (fotografia e quadrinhos), texto/imagem, mangá, tipicidade do herói e mito. “O interessante é pesquisar muito sobre os autores que desejar trabalhar e copiá-los inicialmente, se for o caso, isso até a pessoa ganhar traço próprio. Entender a linguagem de outros autores, sem negligenciar outras possibilidades gráficas que podem ser incorporadas ou combinadas no seu trabalho. Também são aspectos primordiais, já que o resto é prática e paciência para aprimoramento da arte”, explica  Betonnasi. Atuação profissional - No quesito mercado, a cartunista Lila Cruz avalia que na Bahia ainda é incipiente. “As pessoas estão começando por agora a investir em ilustradores, porque houve, em anos anteriores, uma valorização do trabalho do quadrinista e do ilustrador. Acho que esse mercado deu uma caída e está recomeçando a se movimentar”, frisou. Cruz acrescenta que a falta de valorização do profissional de ilustração ainda é algo a ser revisto. “Ainda se acredita muito que desenho é uma coisa fácil de fazer e que, por isso, não necessita nem mesmo de remuneração”, disse Lila. Neste dia, Lila lançará seu zine-livro, “Silêncio”, baseado em sua exposição, "de dentro da história", de 2013. O roteirista Marcelo Lima, que escreve e organiza enredo, também compartilha da opinião de Lila. “O roteirista de histórias de quadrinhos na Bahia precisa escrever também audiovisual para se manter financeiramente na área. A maioria dos projetos de quadrinhos que existem são cartilhas educativas ou obras financiadas pelo Estado, através de leis de incentivo e fundos para a cultura”, observa. Lima também endossa que faltam boas oportunidades de formação e ausência de editoras que publiquem quadrinhos, entretanto, incentiva os interessados em iniciar na arte de roteirizar. “Se planejar para conseguir estudar muito, fazer oficinas e cursos na área, talvez também seja necessário viajar para conseguir uma melhor formação. E, desde sempre, escrever para exercitar a forma escrita e as ideias. O retorno financeiro na área é bastante demorado, mas com paciência e organização é possível conseguir”, indicou. - Confira a programação completa do “Colóquio História e Quadrinhos: A história da Bahia em HQ”