29/10/2014
O segundo dia do Seminário Nacional Mulher e Cultura começou com a mesa institucional formada pela secretária de Políticas Culturais do Ministério da Cultura (MinC), Márcia Rollemberg, representando a ministra de Cultura, Marta Suplicy, a secretária estadual de Políticas para as Mulheres (SPM-BA), Vera Lúcia Barbosa e a coordenadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres da Universidade Federal da Bahia (NEIM-UFBA), Rosângela Araújo.
A secretária Márcia Rollemberg apresentou as políticas culturais do governo federal, editais lançados pelo Ministério nos últimos anos e destacou a importância do evento para as políticas culturais em prol das mulheres. “Esse primeiro encontro serve de base para articularmos uma rede de pensar políticas culturais para as mulheres e a partir disso elaborar um documento que traduza as diversas atitudes e produção de cada cultura", frisou. Para mais, Rollemberg falou sobre o Sistema Nacional de Cultura. “Consolidar as políticas de cultura que envolvam os municípios é fazer um importante pacto de cidadania e de diversidade cultural para a sociedade. E isso tem de ser feito numa rede solidária de serviços, conhecimento e de participação social, pois estas bases fortalecem o circuito e as ações de reconhecimento das produções artísticas”, afirmou.
Na continuidade, a primeira mesa de debate, com o tema “Mulher, Tradição e Contemporaneidade” teve a participação da cacique Maria das Dores Florêncio, da Aldeia Juerana, em Coroa Vermelha-Bahia, atuante na luta pela garantia dos direitos dos povos tradicionais e seus territórios. A cacique é presidente do Conselho de Caciques Pataxó e Tupinambá e integra o Conselho de Saúde Indígena de Porto Seguro, no extremo sul da Bahia. “Os livros didáticos contam a nossa história de forma equivocada, inclusive, afirmam que o povo pataxó foi todo dizimado, entretanto, eu sou um deles”. Na questão territorial, a cacique falou dos desdobramentos da demarcação do território onde vive. “O meu marido morreu, sou cacique há nove anos, já lutei muito, mas não estou cansada. Um dia os tratores chegaram e derrubaram as nossas casas e deixaram tudo destruído, quando vi aquilo fui à luta pelo direito do meu povo, pois estavam entrando num espaço que não é deles”, lembrou.
Intermediando a Mesa, a indígena tupinambá do Território Sul da Bahia e membro do Conselho e da Articulação Indígena do estado, Nadia Akuã enfatizou que não se pode falar de oralidade sem se tratar da tradição cultural do povo indígena. "Nós mulheres precisamos sempre reafirmar o nosso gênero e a nossa função, porque, para a mulher indígena a coisa não é muito simples, já que estamos buscando e conquistando espaço na sociedade. A cultura e o conhecimento são as nossas bases, que referendarão as nossas inserções tanto na cultura como na educação”.
Por motivos de saúde, a yalorixá Beata de Iemanjá (RJ) não pode comparecer ao evento, no qual seria uma das debatedoras, e foi representada pelo seu filho, Aderbal Ashogun, que exibiu trecho do documentário biográfico sobre a trajetória de Mãe Beata. A programação segue durante toda a tarde com a mesa "Mulheres e Cultura", com o foco de discutir a trajetória de mulheres de diferentes regiões do pais que produzem e empreendem cultura em suas localidades.
O SNMC é uma realização da Fundação Pedro Calmon/Secretaria de Cultura – Bahia, com parceria do Ministério da Cultura (MinC), por meio da Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural (SCDC), da Universidade Federal da Bahia (UFBA), por meio do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher (NEIM), da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM-BA), da Secretaria de Comunicação (SECOM-BA) e da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE). Toda programação do SNMC pode ser consultada no www.fpc.ba.gov.br/mulherecultura.
Confira fotos do monólogo musical, "O Cheiro da Feijoada", com a atriz Iléa Ferraz e de todo o evento aqui.
