Mulher, cultura e comunicação foram temas de debate na manhã desta quinta (30)

30/10/2014

[caption id="attachment_54080" align="aligncenter" width="448" caption="?Fotos: Estandarte Photo e Vídeo"][/caption] As jornalistas Angélica Basthi (UFRJ) e Juliana Nunes (EBC), a integrante do Coletivo Nacional de Cultura do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Ana Chã e a pesquisadora Fernanda Felisberto (RJ) foram as palestrantes da manhã deste penúltimo dia do Seminário Nacional Mulher e Cultura (SNMC). Com mediação da pesquisadora, Linda Rubim, a mesa teve debates variados, como o da visibilidade da mulher negra na mídia, que foi trazido por Angélica Basthi. “Cabe ao jornalismo contribuir para a desconstrução de crenças, costumes, valores e práticas que reforçam a estrutura social racista, sexistas e etnocentrista sobre a mulher e o homem negro no Brasil”, disse. Os estereótipos relacionados à produção da notícia sobre a mulher negra no Brasil, segundo Basthi, são marcados por ausências e fundamentam-se num pensamento racista, sexista e etnocêntrico. “Na grande mídia, a população branca sempre é vista com valores, imagens e poder positivo enquanto a população negra é vista de forma contrária. Somos identificados como preguiçosos, burros, feios, violentos, marginais e intelectualmente inferiores. E assim ocupamos os espaços na mídia socialmente naturalizados por meio de imagens subalternizadas, exóticas ou sexualizadas, como por exemplo na figura da ‘mulata’”, frisou Basthi. Em concordância com Basthi, Ana Chã, acrescentou que a mídia não pauta as demandas de mulheres que integram os grupos de movimentos sociais. “Quando aparecemos é como baderneiras, sujas, loucas, libertinas e assim ficamos estigmatizadas de várias formas. A grande mídia nos apresenta, mas não nos representa. Se hoje podemos dizer que as mulheres têm mais espaço na sociedade, isso só foi possível por causa dos muitos debates e diálogos sociais, culturais e políticos na sociedade”, destacou Chã. A invisibilidade no mercado editorial foi tratado pela pesquisadora Fernanda Felisberto. “Quando comecei a pesquisar sobre literatura negra percebi que eles não associam o autor ou autora negra como agente do processo no mercado editorial, no qual a literatura negra é rotulada como fundo de catálogo”. Segundo Felisberto, no Brasil existem poucas livrarias que se dedicam à literatura negra. “Em termos de livrarias especializadas, oficialmente, só temos quatro livrarias sobre a temática afro abrasileira, imagine isso num país do tamanho do Brasil. Então, é preciso comprar os livros publicados, fortalecer a divulgação e o acesso às publicações dos autores, que são muitos”. enfatizou. Nesta linha, a jornalista Juliana Nunes acrescentou: “Durante um período, as mulheres negras tiveram muita dificuldade de acesso na mídia, mas esses espaços foram ocupados, não de forma totalmente satisfatória, mas essa ocupação se deu, em grande parte, pelas cantoras de samba que conseguiram romper essa barreira e foram se revelando nas mídias impressas, de rádio e televisão”, informou.

O SNMC é uma realização da Fundação Pedro Calmon/Secretaria de Cultura – Bahia, com parceria do Ministério da Cultura (MinC), por meio da Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural (SCDC), da Universidade Federal da Bahia (UFBA), por meio do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher (NEIM), da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM-BA), da Secretaria de Comunicação (SECOM-BA) e da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE). >> Confira a programação completa do SNMC