“Esta reforma do MAM honra Lina Bardi na Bahia”, diz Juarez Paraíso

23/12/2014
[caption id="attachment_56094" align="aligncenter" width="498" caption="Foto: Lázaro Menezes"][/caption] Professor emérito da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e fundador das ‘Oficinas do Museu de Arte Moderna (MAM)’ – que completam 35 anos em 2015 - o artista plástico Juarez Paraíso se entusiasmou na última sexta-feira (19) durante a visita técnica às obras de reforma do complexo arquitetônico do Unhão, onde está sediado o museu baiano. “Esta é a primeira grande reforma do museu desde a execução do projeto de Lina Bo Bardi (1914–1992) na década de 1960”, disse o artista. Ainda muito jovem Juarez conheceu a arquiteta ítalo-brasileira Lina Bardi e compartilhou das ações desenvolvidas no Museu a partir dos anos 60. A reforma atual tenta resgatar parte do projeto original de Lina, que contemplava, por exemplo, uma reserva técnica para o acervo do museu, mas que nunca foi construída. “A próxima etapa que envolverá as Oficinas de Artes do MAM deve ser observada por arquitetos e artistas como um espaço aberto, assim como Lina idealizou”, disse Juarez Paraíso. Localizado às margens da Baía de Todos os Santos, o MAM é um dos museus do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), autarquia da SecultBA, que administra o Palacete das Artes, na Graça, o Palácio da Aclamação, no Campo Grande, e o Solar Ferrão, no Pelourinho, dentre outros museus. O Unhão é tombado desde 1943 como Patrimônio Nacional pelo Ministério da Cultura. ETAPAS – “Estamos mostrando a primeira etapa que inclui a restauração da capela, da galeria 1 com cinema e reserva técnica e a passarela do Parque das Esculturas”, esclareceu na visita o secretário de Cultura do Estado (SecultBA), Albino Rubim. Rubim explicou que as obras executadas pelo IPAC têm na primeira etapa, ações físico-estruturais com investimento de R$ 7,5 milhões. A segunda etapa, com previsão de R$ 8 milhões, incluirá a requalificação do Solar, das oficinas do MAM, galeria 3, os famosos arcos criados pelo arquiteto Diógenes Rebouças e o restante do Parque das Esculturas. Os recursos são exclusivos do Tesouro estadual. De acordo com a diretora geral do IPAC, Elisabete Gándara, também presente à visita, a segunda fase contemplará ainda subestação de energia, sanitários e vestiários. “Além disso, o projeto implantará salas de diretoria e administração com climatização em todos os ambientes fechados do complexo”, assegurou Elisabete. "O MAM, junto com o Teatro Castro Alves, são os mais importantes equipamentos de arte e cultura da Bahia", lembrou o arquiteto Nivaldo Andrade, também integrante da comitiva. Professor de História e Patrimônio na Faculdade de Arquitetura da Ufba, se disse impressionado com o cuidado dos arquitetos e engenheiros do IPAC na preservação do patrimônio e nas soluções de sustentabilidade nos campos da hidráulica, da manutenção da vegetação e do meio-ambiente local. MUSEU ABERTO – Também presente à visita, a artista plástica Márcia Magno destacou a nova reserva técnica para o acervo do MAM – composto hoje por cerca de 1,2 mil obras de arte –, os serviços de museologia que terão condições de funcionamento e o cineteatro. Elogiou ainda a intervenção nas Oficinas onde deverão “respeitar as necessidades estruturais hidráulicas, elétricas e de ventilação, mas preservando a modernidade original do projeto de Lina”. As construções mais antigas do MAM remontam ao século XVII quando ali funcionou um engenho. Durante a reforma o MAM não fecha suas portas, continuando com exposições no casarão, capela e outros espaços, com o café aberto e apresentações do ‘Jazz do MAM’. Sua frequência anual chega a cerca de 200 mil pessoas. Somente os espaços onde ocorrem obras serão fechados, como as Oficinas e o Parque das Esculturas. Mais informações nos site http://bahiamam.org ou via o telefone 31168877.