A força feminina é a beleza dos blocos afros na noite do sábado

15/02/2015
[caption id="attachment_58196" align="aligncenter" width="461" caption="Fotos: Paulo Lima"][/caption] Gingado, cadência, dengo, não importa muito a palavra que defina o remelexo das baianas traduzido nas coreografias naturais dos seus passos e tão presentes no carnaval negro. O sábado de carnaval retratou a presença destas e de outras mulheres nos blocos de matriz africana. O Afoxé do bloco Filhas de Gandhy, o bloco Didá e o Bankoma encantaram a todos com a representação das mulheres poderosas que desfilaram, dançaram e tocaram. Seguindo a tradição de iniciar o carnaval saindo da sede no Pelourinho, o Afoxé Filhas de Gandhy,  levou às do circuito Batatinha a graça, a beleza e o poder das mulheres baianas que através da arte e espiritualidade se uniram num ritual de beleza, antes do desfile. O tema de 2015 é a Índia de Gandhy sob o olhar da Bahia, cuja homenagem principal é destinada a Indira Gandhy, esposa de Gandhy, lembrada por seus feitos e história de vida marcada por um cruel homicídio que pôs fim aos seus dias. A presidente da sociedade Afoxé Filhas de Gandhy, Glicéria Vasconcelos, garantiu que é a sua espiritualidade quem dirige a instituição. “A fé no Axé, o Afoxé, palavra mágica, é esta magia que responde pelos projetos da instituição que sempre objetivam o respeito à mulher, ao poder do feminino”, defendeu a presidente. [caption id="attachment_58199" align="aligncenter" width="403" caption="Filhas de Gandhy/ Foto: Paulo Lima"]Filhas de Gandhy/ Foto: Paulo Lima[/caption]

Nesta mesma linha, os blocos Didá e o Bankoma trabalham voltados para o público feminino e asseguram um espaço privilegiado dentro da programação do carnaval, para as mulheres das entidades. Pelas distintas belezas femininas reunidas no mar amarelo que compôs o figurino do Didá, é retratado o preenchimento das importantes lacunas econômicas e sociais que essa instituição representa na vida das associadas. Vivian Caroline, diretora e musicista do bloco, apontou a Didá como referência em conquista feminina. “O momento do desfile é o momento máximo da liberdade para estas mulheres, onde a cultura pode ser celebrada da nossa forma”, refletiu Vívian. Para Eliana Santos Souza, coordenadora pedagógica do Bankoma, os quinze anos de existência do bloco refletem a satisfação do povo com a entidade. Para ela, seu trabalho em conjunto com o da presidente Mãe Lúcia é um exemplo da garra, força e autonomia feminina. “A comunicação entre as mulheres da direção e coordenação do bloco é o elo que nutre o orgulho ao pertencimento, valor ensinado às gerações mais jovens”, explicou a pedagoga. O Bankoma, este ano, trouxe para a avenida o tema O caçador de uma flecha só. “Vários caminhos em busca de um só objetivo, foco na missão para atingir a plenitude da existência”, interpretou Eliana.

CARNAVAL DA CULTURA O Carnaval da Cultura 2015 é o carnaval da democracia e da diversidade, que leva para as ruas, durante todos os dias e circuitos da folia, a mistura de ritmos e gêneros musicais e, principalmente, a estética e a arte de diferentes artistas, grupos e entidades culturais da Bahia. São centenas de atrações e shows gratuitos de afoxé, samba, reggae, axé, pop, MPB, fanfarras e muito mais. É diversão garantida para todos os gostos e estilos no espaço público da rua para alegria do folião. O Carnaval da Cultura – uma realização da Secretaria da Cultura do Estado da Bahia, por meio do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI) – está organizado a partir de quatro programas: Carnaval do Pelô, Carnaval Ouro Negro, Carnaval Pipoca e Outros Carnavais. >> Confira a programação completa do Carnaval da Cultura >> Veja mais fotos do Carnaval da Cultura