Longa-metragem aborda perfil de ex-abade do Mosteiro de São Bento que virou símbolo na Bahia por profundidade religiosa, diálogo com Candomblé, ação social e defesa dos direitos humanos no contexto da Ditadura Militar
[caption id="attachment_62053" align="aligncenter" width="464" caption="Fotos: Nathália Miranda/ Caranguejeira Filmes "]
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Nos primeiros meses na Bahia, recém-eleito abade do Mosteiro de São Bento, Dom Timóteo já mostrou sua força. Nos idos de 1965, realizou a Missa do Morro e foi chocou as alas mais conservadoras da Igreja por adicionar atabaque e berimbau ao tradicional canto gregoriano. Depois, defendeu as esquerdas e lutou pelos direitos humanos no combate à repressão ao apoiar militantes desaparecidos e presos. Também aprofundou os valores cristãos, no que resultava, aparentemente, em questionamentos de dogmas.
Dom Timóteo Amoroso Anastácio comandou o Mosteiro de 1965 a 1981 e atravessou o período da Ditadura Militar como uma figura de destaque, mas com a proeza de ser respeitado por todos. Ícone da mais tradicional comunidade beneditina fora da Europa, ele terá suas histórias e, sobretudo, suas idéias transpostas para o cinema, num filme de Mateus Damasceno e produção da Caranguejeira Filmes.
A etapa de filmagem começou no final de abril e deve durar até meados de junho, com gravações na Itália, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte.
Aos Meus Irmãos, documentário longa-metragem de cerca de 80 minutos, também vai abordar a invasão do Mosteiro por tropas militares em 1968, ao reprimir manifestação de estudantes abrigados nas dependências de São Bento por Dom Timóteo, além da luta pela anistia e a resistência contra desapropriação de áreas ocupadas por comunidades oprimidas.
“O filme vai discutir as ideias de Dom Timóteo a partir do seu próprio perfil de tolerância religiosa, a ligação com o Candomblé e outras religiões, o engajamento na luta pelos direitos humanos, democracia e defesa dos menos favorecidos, assim como suas discussões filosófico-religiosas”, conta Mateus Damasceno, diretor do filme produzido pela Caranguejeira Filmes, da qual é um dos três sócios, junto com Vítor Rocha e Pedro Santana.
O projeto foi contemplado pelo edital Setorial do Audiovisual 2014, da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, para produção, e na edição anterior do mesmo edital para o desenvolvimento do roteiro e projeto executivo.
