Terreiros do ''Bembé de Santo Amaro'' pedem mais políticas públicas

13/07/2015
[caption id="attachment_63886" align="aligncenter" width="330" caption="Foto: Etelvina Rebouças"][/caption] "Temos uma festa que é ''Patrimônio da Bahia'' pelo Estado da Bahia, mas precisamos de parceiros e políticas públicas permanentes que atendam os terreiros e a comunidade". As palavras da yalorixá Lídia Queiroz do terreiro de candomblé Ilê Iaomam - com 92 anos de fundado - resume o sentimento das comunidades de mais de 40 terreiros que participam da Festa Bembé do Mercado. Registrada como ''Bem Cultural Imaterial'' baiano desde 2012, a manifestação popular acontece anualmente na semana do 13 de maio em Santo Amaro, cidade localizada a 78 km de Salvador. A festa érealizada há 126 anos e comemora a libertação dos escravos, ocorrida em 1888. O babalorixá Pai Pote, do terreiro Ilê Axé Oju Onirê, autor do pedido de registro do Bembé feito ao IPAC, concorda com a yalorixá Lídia e lamenta as condições precárias dos terreiros, defendendo a inclusão de projetos para o município. "Precisamos de mais investimentos em editais de cultura, em obras nos terreiros e serviços básicos", ressalta. Para ele, já que foi "o povo negro que construiu o país, devemos exigir mais valorização". SALVAGUARDA - Vinculado à Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA), o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultura (IPAC), foi o responsável pelas pesquisas para tornar a manifestação um ''Patrimônio da Bahia'', produzindo livro e videodocumentário sobre o tema. As declarações estão ocorrendo na medida em que o IPAC distribui a publicação para os terreiros. Segundo o diretor geral do IPAC, João Carlos de Oliveira, ao decretar o reconhecimento de um bem cultural o Estado passar a ter responsabilidades de proteção. "Temos que garantir a salvaguarda dos terreiros. É por isso que a festa precisa ser pensada o ano todo. Preservação dos terreiros, projetos socioculturais para as comunidade e infraestrutura para a população devem ser prioridades", diz João Carlos. Durante esses encontros, líderes, como o Pai Gilson, do terreiro Ilê Axé Omorodé Loni Omorodé Oluaiê e a mãe Edna, do Terreiro Centro do Caboclo Sete Flechas, destacaram a importância da publicação do IPAC. "O livro é educativo e informativo, pois mostra o Bembé como ato significativo. Estamos felizes porque as pessoas estão tomando consciência dessa tradição", relata pai Gilson. "Agora, com o livro, o povo vai saber como é a nossa festa", completa mãe Edna. VERSÃO DIGITAL - Santo Amaro possui o maior número (60) de terreiros das religiões de matriz africana no Recôncavo que reúne cerca de 20 municípios. Em seguida, estão Cachoeira (48), Muritiba (44), Cruz das Almas (35) e Valença (34). Nessa pesquisa da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Estado (Sepromi) foram identificadas 420 comunidades no Recôncavo e 116 na região do Baixo-Sul. O livro do integra as ações salvaguarda do bem cultural registrado que é o Bembé. Este é o sétimo volume da coleção ''Cadernos do IPAC''. São 160 páginas, mais de 170 imagens entre fotografias, mapas e infográficos, além do vídeodocumentário de 52 minutos. A versão digital é acessada no link. Mais dados sobre o Bembé na Gerência de Patrimônio Imaterial (Geima) do IPAC, via telefones (71) 3116-6741 e 3116-6828. Conheça o site, o Facebook ''Ipacba Patrimônio'' e o Twitter @ipac_ba.