“Contatos entre a África e a Bahia no século XIX: viajantes atlânticos do terreiro da Casa Branca” é tema de palestra no Palacete das Artes

26/08/2015

Encontro com a especialista Lisa Earl Castillo acontece dia 29 de agosto e integra programação da campanha #MusEuCurtoArte (Ipac/Secult/Funceb)

No imaginário popular, o contato entre a Bahia e a África girava apenas em torno do tráfico de escravos. Porém, paralelamente à chegada de cativos no porão de navios negreiros, havia também viagens feitas por africanos libertos. Esse fenômeno é relembrado na tradição oral do Terreiro da Casa Branca, que sustenta que fora fundado depois de uma viagem à África feita por duas sacerdotisas: a africana liberta Iyá Nassô e sua filha de santo e sucessora, Marcelina da Silva (Obatossi). Para analisar essas memórias, o Palacete das Artes (órgão vinculado ao IPAC e Secretaria de Cultura), em parceria com a Fundação Cultural do Estado (Funceb), realiza a palestra da professora doutora Lisa Earl Castillo: “Contatos entre a África e a Bahia no século XIX: viajantes atlânticos do terreiro da Casa Branca”. No encontro, que acontece neste sábado(29 de agosto), às 16h, a especialista apresentará documentos históricos localizados no Arquivo Público da Bahia, os quais comprovam a veracidade do tema, e ainda revela sua relação à Revolta dos Malês e outros eventos sociopolíticos da época. A palestra integra a programação da exposição “Bahia é África também – coleção Claudio Masella” (pertencente ao acervo do Solar Ferrão – Dimus), aberta ao público na Sala Contemporânea do Palacete. A iniciativa faz parte do projeto #MusEuCurto, #MusEuCurtoArte, de Dinamização de Museus, realizada em parceria do IPAC com a Fundação Cultural do Estado – unidades da Secult-BA. A campanha conta com ações de mediação, difusão e ocupação de espaços preservados pelo IPAC, com múltiplas possibilidades de ampliação de conhecimento. Este pensamento atende ao propósito de formação de indivíduos que é prioridade para as ações da Fundação Cultural do Estado da Bahia desenvolvidas por suas coordenações de linguagens artísticas e pelo Centro de Formação em Artes (CFA), numa linha de ação atende ao objetivo do programa de governo Educar para Transformar. Sobre a palestrante: Bolsista de pós-doutorado do Centro de Pesquisa em História Social da Cultura, da Universidade Estadual de Campinas – Unicamp, Lisa Earl Castillo possui graduação da Yale University (1983) e doutorado em Letras da Universidade Federal da Bahia (2006).  Sua tese, sobre a relação entre a tradição oral e o uso da escrita no universo religioso afro-brasileiro, foi publicada em 2008, sob o título "Entre a Oralidade e a Escrita: a Etnografia nos Candomblé da Bahia". Suas pesquisas atuais focalizam a reconstrução de histórias de vida dos africanos libertos que fundaram os terreiros de candomblé mais antigos da Bahia, cruzando narrativas das tradições orais com pesquisa documental.