Monumento nacional do século XVI será cenário para DVD neste fim de semana (4 e 5)

02/09/2015

Um dos museus do IPAC, o Wanderley de Pinho já tem projeto de restauração inserido no Prodetur Bahia para a Baía de Todos os Santos coordenado pela SETUR Com cerca de 450 anos de construído, tombado como ‘Patrimônio Cultural do Brasil’ pelo IPHAN desde 1944, o Engenho Freguesia, construção originária do século XVI, será palco neste final de semana (4 e 5) para gravação do DVD ‘Agora’ do duo ‘Dois em Um’, formado pelo músico, compositor e produtor Luisão Pereira e pela cantora e violoncelista Fernanda Monteiro. A iniciativa tem patrocínio do edital baiano do programa Natura Musical. Fernanda e Luisão Pereira lançaram o CD ‘Dois em Um’ nos Estados Unidos e Brasil em 2009. A dupla recebeu elogios do jornal O Globo e foi premiada no festival BTR como Revelação e Melhor Música. “Após pesquisas chegamos ao lugar ideal. O disco tem relação com o elemento água, e a gravação acontecerá às margens da Baía. Como contraponto, teremos o casarão colonial”, afirma Gilberto Monte, responsável pelo projeto. Luisão fundou a banda Cravo Negro, fez parte da banda Penélope, compôs música para o especial ‘A Terra dos meninos pelados’ da TV Globo (2004) e fez trilhas para cinema e publicidade. Produziu ainda discos e shows de Los Hermanos, Nação Zumbi, Mombojó, Elza Soares, Paralamas do Sucesso, Titãs, Tom Zé, Starla, Canto dos Malditos, Leoni e Djunks. O Engenho Frequesia e o seu entorno é um dos espaços da Secretaria de Cultura (SecultBA) com o nome Museu do Recôncavo Wanderley de Pinho. “Trata-se de um dos principais símbolos arquitetônico-paisagísticos do Brasil colonial, por deter extensa área verde de mata, como a original, ter acesso marítimo típico da era colonial e conservar suas principais edificações”, explica o diretor geral do IPAC, João Carlos de Oliveira. O IPAC administra todos os museus da SecultBA. RESTAURAÇÃO Segundo a Secretaria de Turismo do Estado a restauração do museu Pinho está no Prodetur Bahia (www.prodeturbahia.turismo.ba.gov.br), com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e contrapartida estadual. O Prodetur pretende desenvolver os segmentos náutico e cultural na zona turística da Baía de Todos os Santos. O complexo do Wanderley fica em frente à Ilha de Maré, às margens da Baía, em Caboto, município de Candeias. A casa de quatro pisos que está implantada em uma encosta, possui esquadrias do século XVIII e grades do século XIX. No forro de um dos sótãos está o brasão do Conde de Passé. Cozinha coifas e chaminés de tipo português alentejano são outras características. A grande capela anexa possui medalhão de N. Sra. da Conceição e altar neoclássico. “Este é um dos raros exemplares conhecido no Brasil de edifício residencial desenvolvido em torno a dois pátios. Pelas vergas de arco abatido, a planta da capela com corredores laterais e tribunas o prédio data do século XVIII enquanto o pátio aparenta ser do século XVII, mas o engenho é do século XVI”, relata o diretor do IPAC. Em 2010 foi feita estabilização com R$ 500 mil da Petrobras. Até 2011, a restauração de esquadrias, telhado, piso, reforma de sanitários e pintura interna pelo IPAC, com cerca de R$ 250 mil. Informações sobre o duo musical, via telefone (11) 99365-0944 e endereço patriciadornelas.news@gmail.com. Sobre os Museus do IPAC clique aqui. Dados sobre obras e projetos do IPAC no site, facebook ‘Ipacba Patrimônio’ e twitter ‘@ipac_ba’. Box OPCIONAL – CRONOLOGIA: 1560 - A sesmaria onde mais tarde surgiria o Engenho da Freguesia é doada a Sebastião Alvares. 1584 - As mesmas terras passam para Sebastião Faria, filho do primeiro. Gabriel Soares descreve o conjunto: "grandes edifícios, assim de engenho como de casas de purgar, de vivenda e de outras oficinas..." 1624/25 - Os holandeses atacam e incendeiam o engenho e Igreja de N. Sra. da Piedade. 1680/90 - O engenho é vendido a Antonio da Rocha Pita. 1760 - Pertencia, nesta época, ao Capitão Mor Cristovão da Rocha Pita, neto de Antonio da Rocha Pita. Wanderley Pinho, devido ao fato de Cristovão ter reconstruído a fábrica, surgere que poderia ter sido ele o construtor da atual casa. Nesta época, o Engenho Caboto é incorporado ao Freguesia. 1848 - Antonio Bernadino da Rocha Pita e Argolo, futuro Conde de Passé, adquire o engenho e restaura o conjunto. 1877 - Com o falecimento do Conde de Passé, passa para suas netas Maria Luiza e Antonia Tereza e é administrado pelo Barão de Cotegipe. 1886 - Através de casamento com uma das herdeiras, o engenho passa a pertencer ao Dr. João Ferreira de A. Pinho. 1900 - O engenho deixa de moer. Histórico arquitetônico: 1584 - Gabriel Soares de Souza descreve a fábrica como "Engenho de Sebastião de Faria de duas moendas que lavram com bois". 1624/25 - O holandeses atacam e incendeiam a fábrica. 1760 - O Capitão-Mor Cristovão da Rocha Pita recebe em herança o engenho e incorpora ao mesmo o Engenho Caboto. Cristovão da R. Pita reconstrói a fábrica trazendo do velho Engenho Caboto "seus cobres" e outros equipamentos. 1850 - A primitivas almanjarras que moviam as moendas são substituídas por máquina a vapor. 1856/57 - O Conde de Passé restaura a fábrica e cria novas instalações. 1871 - O Visconde de Passé, filho do Conde, ao fazer mover moenda e serra com o vapor de uma só caldeira provocou a explosão da mesma que matou escravos, agregados e o próprio Visconde. 1899 - É moída a última safra de cana na fábrica. A partir daquele ano, o Freguesia passou a fornecer cana para outros engenhos. 1969 - O engenho é adquirido pelo Governo da Bahia para instalação do Museu W. Pinho.