Mãe Stella de Oxóssi é homenageada com selo comemorativo alusivo aos seus 90 anos

16/09/2015
Aos 90 anos, Mãe Stella de Oxóssi recebe mais uma homenagem. Foram lançados na tarde desta terça-feira (15), pelo Ministério da Cultura (Minc), por intermédio da Fundação Cultural Palmares e em parceria com os Correios, o selo personalizado e carimbo comemorativo. Na ocasião, também foi anunciada a indicação do nome de Mãe Stella como membro do Conselho Curador da autarquia. A solenidade aconteceu no terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, em Salvador. A confecção e lançamento do carimbo e selo estão previstos nas metas do Sistema Nacional de Cultura e fazem parte de um conjunto de ações governamentais, uma pré-campanha contra a intolerância religiosa, em virtude de vários atos de crimes praticados contra os adeptos das religiões de matriz africana no Brasil. "É com muita alegria que a Fundação Cultural Palmares tem a oportunidade de homenagear a uma Ialorixá, mulher, guerreira, referência para o país que é Mãe Stella. A sua presença no Conselho Curador imprime o pensamento da cultura e da resistência africanas no Brasil e orienta a Palmares para pensar o caminho certo", declarou a presidenta da Fundação Cultural Palmares, Cida Abreu. O secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura, Pola Ribeiro, que representou o ministro Juca Ferreira no evento, leu a carta escrita pelo ministro em que ele destacou que "homenagear Mãe Stella é um ato de alta concentração de carga simbólica, além de ser tomada tomada de posição contra a intolerância religiosa". Durante a solenidade, o secretário de Cultura do Estado da Bahia, Jorge Portugal, recitou o poema Orixá, de sua autoria, escrito na ocasião dos 80 anos da homenageada e que nunca tinha sido recitado em público. Mencionou, ainda, que acompanhou o ministro da Cultura, Juca Ferreira, quando visitou o Ilê Axé Opô Afonjá em janeiro deste ano. "Juca me disse uma frase interessante: se quando vamos a Roma queremos ver o Papa, nós estamos aqui, agora, no Vaticano da Roma Negra, e Mãe Stella é a nossa Papisa", lembrou. O diretor regional dos Correios na Bahia, Cláudio Moras, recordou que o ofício de carteiro foi, durante anos, executado por escravos negros. "Não podemos esquecer das lutas do povo negro e da sua participação na cultura brasileira. Reconhecemos que precisamos avançar muito nas políticas de empoderamento daqueles que sempre estiveram à margem. São bravas as mulheres que dedicam toda a sua vida por uma sociedade mais justa, igualitária e libertária, como Mãe Stella de Oxóssi, que é um verdadeiro baluarte na luta pela preservação da nossa história, sendo motivo de grande orgulho para esta empresa proporcionar essa homenagem", declarou. O carimbo comemorativo será aplicado em toda correspondência, divulgando o evento nacional e internacionalmente, e uma cópia dele ficará na central de vendas à distancia no Rio de Janeiro para que filatelistas (colecionadores de selos) e marcofilistas (colecionadores de marcas postais) de todo o mundo possam ter acesso. O selo foi criado pelo designer Daniel Gomes. Também estiveram presente na solenidade a presidente do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Jurema Machado; a secretária de Cidadania e Diversidade do Ministério da Cultura, Ivana Bentes;  o secretário de Fomento e Incentivo à Cultura, Carlos Paiva; a secretária de promoção da Igualdade Racial, Vera Lúcia Barbosa; o presidente da Fundação Gregório de Matos, Fernando Guerreiro; o cantor Lazzo Matumbi, que participou da atividade cultural após a solenidade, além de diversas autoridades e artistas.   A homenageada – Nascida Maria Stella de Azevedo Santos, no dia 2 de maio de 1925, em Salvador, foi iniciada na Religião dos Orixás aos 14 anos por Mãe Senhora, tornando se Iyalorixá aos 49 anos de idade. Mãe Stella não chegou a ter filhos biológicos; mas como líder espiritual é mãe de mais de mil filhas e filhos de santo. Inspiração ao povo de santo de todo o país, e internacionalmente, especialmente na África. Cidadã consciente dos seus deveres, sempre defendeu diálogo e a educação como possibilidades ao combate às diferenças. A sabedoria não tem cor e não pertence a nenhuma raça específica” reforçou. Autora de nove livros, como “Meu tempo é agora”, “Òsósi – O Caçador de Alegrias” e “Epé Laiyé – terra viva”, sendo a primeira Iyalorixá a escrever sobre religiosidade e saberes de matriz africana. Em agosto de 2015, recebeu a Comenda Dois de Julho, pela Assembleia Legislativa da Bahia. Em 2009 recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade do Estado da Bahia. Ocupa a cadeira 33, da Academia de Letras da Bahia, que tem como patrono o poeta, escritor e abolicionista Castro Alves. Recebeu ainda, o Troféu Esso para escritores negros; a comenda Maria Quitéria; o Troféu Clementina de Jesus; a Comenda da Ordem do Cavaleiro, pelo Governo do Estado da Bahia; e a Comenda do Mérito Cultural, pela Presidência da República. Conselho Curador – Um órgão colegiado presidido pela presidenta da Fundação Palmares; composto por dez membros nomeados pelo ministro da Cultura; para um mandato de três anos, com a finalidade de formular e propor metas norteadoras para o Sistema e o Fundo Nacional da Cultura. Composto ainda, por representantes dos Ministérios da Justiça; da Ciência, Tecnologia e Inovação; da Educação; da comunidade indígena, da cultura Afro-brasileira, a exemplo de Mãe Stella. %