
Fundo de Quintal e Xande de Pilares / Foto: André Frutuôso
E foi com o samba que o circuito Osmar abriu nesta quinta-feira o Carnaval da Cultura 2016. A avenida foi invadida por uma multidão que acompanhou o bloco Alerta Geral, comandado por Xande de Pilares e participação ilustríssima do sambista carioca Arlindo Cruz. “É sempre um prazer enorme participar do Carnaval daqui de Salvador. O samba representa a cultura popular não só da Bahia, mas do Brasil inteiro. É uma mistura de todos os lugares, mas a Bahia é sempre um ponto de encontro” define o compositor. Para Sr. Augustinho do samba, 59 anos, o samba é o que há de melhor na música baiana. “Saio no Alerta Geral desde quando era adolescente. Não tem tempo ruim para mim. Tô aqui desde o início de tudo e posso garantir que não existe bloco melhor”, aposta o aposentado.
Em seguida foi a vez do Pagode Total, bloco comandado pelo É o Tchan, arrastar uma multidão com a música ‘Bota a Cara no Sol’ – canção que promete ser uma das mais tocadas no Carnaval 2016, além do repertório da banda que fez sucesso na década de 90, com os cantores Cumpadre Whashigton e Beto Jamaica.
Os toques do som Afro – O bloco afro Bankoma apresentou no Carnaval o tema “A paz caminha ao nosso lado”. O desfile desta quinta-feira teve como destaque maior a rainha da agremiação, a jovem Diele Fiúza, 19, que vê o título como uma grande responsabilidade. “É sim uma responsabilidade, mas hoje, felicidade me resume, pois estou representando minha comunidade meu terreiro”.
Situado no bairro de Portão, em Lauro de Freitas, o Bankoma desfila há 16 anos no Carnaval de Salvador e desenvolve, a partir de um ponto de cultura, no terreiro São Jorge Filho da Gomeia, diversas ações culturais e profissionalizantes. No dia a dia do terreiro e em suas atividades comunitárias, o Bankoma trabalha o valor da mulher negra, sua estética, sua pele, seus cabelos, desde a infância. “Temos aula de percussão, corte e costura tecelagem e oficina de turbante e roda de conversa sobre a estética negra”, relata Lais Santos, 30, que está no bloco desde a sua fundação e foi rainha do bloco em 2008.
Não diferente do bloco afro Bankoma, o Bloco da Capoeira também desenvolve atividades culturais e profissionalizantes, não somente no bairro de Pau Miúdo, como também em Mussurunga e Nordeste de Amaralina. E, segundo seu fundador e cantor, Tonho Matéria, “abraça no desfile deste ano 25 grupos de capoeira, que representará 25 mestres homenageados, com o tema: Água de beber camará – um culto aos ancestrais da capoeira”. Para Matéria, o tema e também a música fala do saber, do “conhecimento e da beleza de aprender e ensinar, que na capoeira é eterno”.
CARNAVAL DA CULTURA
O Carnaval da Cultura 2016 é o carnaval da democracia e da diversidade, que leva para as ruas, durante todos os dias e circuitos da folia, a mistura de ritmos e gêneros musicais e, principalmente, a estética e a arte de diferentes artistas, grupos e entidades culturais da Bahia. São centenas de atrações e shows gratuitos de afoxé, samba, reggae, axé, pop, MPB, fanfarras e muito mais. É diversão garantida para todos os gostos e estilos no espaço público da rua para alegria do folião. O Carnaval da Cultura – uma realização da Secretaria da Cultura do Estado da Bahia, por meio do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI) – está organizado a partir de quatro programas:Carnaval do Pelô, Carnaval Ouro Negro– que apoia blocos afro, de samba, de índios, reggae e afoxés, Carnaval Pipoca– com a criatividade dos microtrios e nanotriose Outros Carnavais, que inclui a folia dos Mascarados em Maragojipe.