
Walmir Lima / Foto: Sidney Rocharte
A segunda noite carnavalesca do Largo Quincas Berro D’Água fez jus à tradição que o espaço tem de ser um dos grandes redutos do samba em Salvador. Dois nomes consagrados do gênero, Walmir Lima e Firmino de Itapuã, abrilhantaram a programação com bastante gingado e elegância. A festa ainda teve o som de clássicos dos primórdios do trio elétrico, com a banda Lateral Elétrica.
O Grupo Botequim fez a abertura da noite homenageando as Escolas de Samba antigas da Bahia com a canção autoral Tenda de Babalaô.Logo após, o sambista WalmirLima subiu ao palco cantando Coisinha do Pai, de Jorge Aragão, em uma homenagem à sua filha Gabriela.“Nesse show reuni tudo o que eu fiz para a Bahia e para o Brasil em matéria de samba, inclusive a música Ilha de Maré que é um sucesso há 40 anos”, relatou Walmir. Com um repertório que mistura sambas de terreiro, sambas canções, chorinho, sambas enredo, além de antigas marchinhas, Walmir cantou clássicos como Azar o seu, que escreveu em parceria com Anísio Félix, e Bom Jesus dos Navegantes, de sua autoria junto com Lupa.
Segunda apresentação da noite, a banda Lateral Elétrica subiu ao palco com toda a energia da guitarra baiana, fazendo os foliões reviverem a essência do trio elétrico ao som de clássicos carnavalescos como We are Carnaval, Pombo Correio, Vida Boa, Prefixo de verão. Idealizada por Carlinhos Brown, a banda faz um resgate da musicalidade da época do nascimento do trio elétrico, trazendo canções de Carnaval da década de 70 - quando a música nos trios era tocada apenas por duas guitarras baianas, um baixo, percussão e vozes. Para o guitarrista Askê Mesquita, é um desafio poder emocionar o público com poucos instrumentos numa época de tanta tecnologia. “Encontrei felicidade nesse trabalho que resgata o carnaval como era na sua origem”, comenta ele. O show contou ainda com a participação da ex-vocalista da Banda Mel, Janete, que cantou clássicos do carnaval baiano como Faraó e Lambretinha.
Encerrando a noite, Firmino de Itapuã animou o folião com sucessos de sua carreira como Ô Boa Noite Pra Quem é de Boa Noite, Samba do Malandro e Moinho da Bahia Queimou. “Faço parte de uma geração que trabalha pelo samba, e esse é um momento de reconhecimento, mas que essa homenagem não seja só hoje e sim todos os dias, porque o samba faz parte de nossa vida todos os dias”, celebra Firmino.
CARNAVAL DA CULTURA
O Carnaval da Cultura 2016 é o carnaval da democracia e da diversidade, que leva para as ruas, durante todos os dias e circuitos da folia, a mistura de ritmos e gêneros musicais e, principalmente, a estética e a arte de diferentes artistas, grupos e entidades culturais da Bahia. São centenas de atrações e shows gratuitos de afoxé, samba, reggae, axé, pop, MPB, fanfarras e muito mais. É diversão garantida para todos os gostos e estilos no espaço público da rua para alegria do folião. O Carnaval da Cultura – uma realização da Secretaria da Cultura do Estado da Bahia, por meio do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI) – está organizado a partir de quatro programas:Carnaval do Pelô, Carnaval Ouro Negro, Carnaval Pipoca e Outros Carnavais.