Confira tudo sobre a 9ª edição do Festival Internacional de Artes Cênicas

24/10/2016
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Foto: Diney Araujo

Como reinventar a participação coletiva diante de tantas rupturas? Esse é o mote da nona edição do Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia, FIAC Bahia, que acontece em Salvador de 25 a 30 de outubro, em doze espaços culturais da capital. Com patrocínio da Petrobras e apoio financeiro do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBa), ao longo de seis dias a capital baiana será um centro de ebulição performativa com espetáculos, oficinas, debates, mediações e festas.


No dia 25 de outubro, às 10h, a FIAC Bahia estreia com a 3a edição do Seminário Internacional de Curadoria e Mediação em Artes Cênicas ocupando o Goethe-Institut. Às 20h, no Teatro Vila Velha, acontece a abertura oficial com o espetáculo “Nós”, do Grupo Galpão (MG), convocando logo de cara o público a entrar em cena. Gerada após um mergulho radical na experiência de mais de 30 anos do Galpão, a 23ª montagem da companhia tem direção de Márcio Abreu e patrocínio da Petrobras, e surge para debater questões como a violência e a intolerância, a partir de uma dimensão política. Neste trabalho, somos todos levados a presenciar situações de opressão e de convívio com a diferença, provocadas pelas relações de proximidade entre artista e espectador, ator e personagem, cena e plateia, público e privado, realidade e ficção. Nós chega ao FIAC Bahia pouco tempo depois de sua estreia nacional, realizada em abril deste ano.


Após estreia Teatro e Pátio do Goethe-Institut e Teatro Vila Velha, o festival se espalhará por mais dez espaços da capital: Teatro Castro Alves, Teatro Martim Gonçalves, Espaço Cultural Barroquinha, Teatro Martim Gonçalves, Teatro Experimental, Teatro Gregório de Mattos, Casarão Barabadá, Casa Preta, Coaty e Oliveiras. A programação de cada espaço pode ser acessada no site oficial do FIAC Bahia, no endereço http://www.fiacbahia.com.br/espetaculos/.

Entre as montagens que o festival traz a Salvador, está I Am Not Ashamed of My Communist Past (“Não Tenho Vergonha do Meu Passado Comunista”, da diretora Sanja Mitrović – nascida em Zrenjanin, antiga Iugoslávia – e do ator sérvio Vladimir Aleksić) ou Trilogia Antropofágica: Ato I – Permanecer e Ato II – Resistir (Tamara Cubas – Uruguai). Os três espetáculos estarão ao lado de outros que chegam pela primeira vez à Bahia, depois de conquistar críticas elogiosas em suas respectivas temporadas: Amadores (Cia. Hiato – SP), OE (Eduardo Okamoto – SP), Villa + Discurso (Guillermo Calderón – Chile) e Antígona Recortada – Contos que cantam sobre pousospássaros (Núcleo Bartolomeu de Depoimentos – SP).


Da produção baiana estão na programação Cuspe, Paetês e Lantejoulas (Grupo de Dança Contemporânea da UFBA), Endogenias (Balé Teatro Castro Alves), Isto Não É uma Mulata (Mônica Santana), Mamba Negra: o Covil da Imperatriz Mavambo (Diego Alcântara), O Bobo (Teatro Terceira Margem), O Galo (OCO Teatro Laboratório) e Obsessiva Dantesca (Laís Machado), formando um grupo de trabalhos que dão corpo a diferentes vozes, mas que se agrupam pela coragem de debater e dar visibilidade a tópicos relacionados a engajamento social e a crises de representatividade. Trazem também modos de pensar dos atuais modelos de produção do fazer artístico, a partir do enfrentamento a questionamentos internos e a crises surgidas a partir do próprio modo de existir.


CENA FORA DA CENA –
Se nos espetáculos a produção de um pensamento crítico é proposta em cena, a nona edição do FIAC Bahia traz também outras possibilidades de experiências reflexivas, não menos performáticas. Jornalistas e coletivos de diversos estados – Antro Positivo (SP), Questão de Crítica (RJ), Satisfeita, Yolanda? (PE), Horizonte da Cena (MG), AGORA (RS), Barril (BA) e Precisa-se Público (RJ) – chegam para realizar intervenções em ações múltiplas. Em uma delas, o público será estimulado a expressar suas opiniões a respeito dos espetáculos e enviá-las para uma seleção. Uma vez escolhidos, os textos serão comprados e disponibilizados para publicação.

As noções do que faz parte da cena ou de fora dela também são expandidas com a 3a edição do Seminário Internacional de Curadoria e Mediação em Artes Cênicas, que integra o FIAC Bahia, através de três eixos principais que ganham vida no Goethe-Institut: Diálogos, Invenções e Partilha. Os Diálogos reunirão nomes ligados às artes cênicas locais, para vivenciar – simultaneamente – rodas de conversas com o público sobre assuntos ligados aos desafios envolvidos em suas respectivas experiências. As Invenções surgem numa parceria com o Goethe-Institut e a curadora e dramaturga alemã Sigrid Gareis, que convidará especialistas baianos em diversas áreas para fomentar experiências sobre colaboração e utopias coletivas. Já a Partilha acontecerá por meio de publicações artesanais dos conteúdos produzidos durante o festival, confeccionadas pelo público junto com a Sociedade DA Prensa (SDP).

Em cada uma das ações programadas o convite é para o coletivo, o engajamento físico, uma convocação à presença; ou seja, um chamado para “meter mão”, tanto no sentido figurado, quanto literal. O FIAC Bahia 2016 é uma realização da Realejo Projetos, e produção da 7OITO Projetos.

Fundo de Cultura do Estado da Bahia (FCBA) – Criado em 2005 para incentivar e estimular as produções artístico-culturais baianas, o Fundo de Cultura é gerido pelas Secretarias da Cultura e da Fazenda. O mecanismo custeia, total ou parcialmente, projetos estritamente culturais de iniciativa de pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado. Os projetos financiados pelo Fundo de Cultura são, preferencialmente, aqueles que apesar da importância do seu significado, sejam de baixo apelo mercadológico, o que dificulta a obtenção de patrocínio junto à iniciativa privada. O FCBA está estruturado em 4 (quatro) linhas de apoio, modelo de referência para outros estados da federação: Ações Continuadas de Instituições Culturais sem fins lucrativos; Eventos Culturais Calendarizados; Mobilidade Artística e Cultural e Editais Setoriais. Para mais informações, acesse: www.cultura.ba.gov.br


SERVIÇO

Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia - FIAC Bahia

Quando: 25 a 30 de outubro


Estreia


25/10, 10h: Seminário Internacional de Curadoria e Mediação em Artes Cênicas – Local: Goethe-Institut

25/10, 20h: Espetáculo “Nós” – Local: Teatro Vila Velha

Programação Completa: www.fiacbahia.com.br



FIAC Bahia 2016 – Roteiro de Espetáculos
Programação completa no site www.fiacbahia.com.br

Os ingressos para os espetáculos FIAC Bahia 2016 podem ser adquiridos através dos seguintes canais:

COMPRA ANTECIPADA - Até às 12h do dia do espetáculo

INTERNET
: www.sympla.com.br/fiacbahia
Funcionamento: 24h
Pagamento em cartão de crédito, débito ou boleto bancário

BILHETERIA FIAC:
no Goethe-Institut (ICBA) - Corredor da Vitória,
Funcionamento: diariamente, das 10h às 16h
Pagamento em cartão de crédito, débito ou em espécie

COMPRA NOS LOCAIS DE APRESENTAÇÕES – No dia das apresentações


BILHETERIA DO PRÓPRIO TEATRO
Funcionamento: no dia da apresentação, 2 horas antes da apresentação
Pagamentos exclusivamente em espécie

ATRAÇÕES:
Nós (Grupo Galpão – MG)
Enquanto preparam a última sopa, sete pessoas partilham angústias, algumas esperanças e muitos nós. A vigésima-terceira montagem da companhia debate, a partir de uma dimensão política, questões atuais, como a violência, a intolerância e a convivência com a diferença. Gerada após um mergulho radical na experiência de mais de 30 anos do Galpão, a 23ª montagem da companhia tem direção de Márcio Abreu e patrocínio da Petrobras, e surge para debater questões como a violência e a intolerância, a partir de uma dimensão política.
Onde: Teatro Vila Velha
Quando: 25/10, às 20h, 26/10, às 18h, e 27/10, às 20h.
Quanto: R$20 (inteira) e R$10 (meia)

Trilogia Antropofágica – Ato 1: Permanecer (Perro Rabioso – Uruguai)

O projeto da Trilogia se organiza como uma prática política onde o verbo vai buscando caminhos pata existir contra a hegemonia. O Ato 1 da Trilogia (Permanecer) propõe a seus públicos que se relacionem com a peça a partir de uma visão micropolítica, permitindo a construção de uma identidade coletiva em tensão com os acontecimentos sociais e políticos contemporâneos. O espectador é convidado a se transformar na matéria de uma plataforma coberta de carvão e em constante movimento onde deve ficar de pé durante um tempo de exposição marcado pela chegada de um outro. Direção de Tamara Cubas para o coletivo uruguaio Perro Rabioso.
Onde: Teatro Martim Gonçalves
Quando: 26/10 e 27/10, das 14h às 18h
Quanto: Gratuito - O espetáculo Trilogia Antropofágica - Ato 1: Permanecer será gratuito e o acesso poderá ocorrer a qualquer tempo durante a apresentação, entre as 14h e as 18h; Acesso sujeito à lotação do espaço.

Villa + Discurso
1970, Chile - O principal centro de tortura e extermínio do regime do general Pinochet é a notória Villa Grimaldi. Trinta anos depois, três mulheres argumentam sobre como remodelar o mesmo complexo de edifícios encharcado de sangue e como o Chile moderno deve responder a este legado horrível e indesejado. Já Discurso recria as últimas horas no escritório de Michelle Bachelet, presidenta do Chile entre 2006 e 2010, com um discurso de despedida imaginário. Ele explora o coração de sua nação, em um duplo conhecimento de dramas contemporâneos ardentes, expondo tanto uma herança terrível quanto a grande humanidade que o inspirou. Discurso será apresentado em forma de leitura dramática, imediatamente após a sessão de Villa. O ingresso dá acesso às duas montagens. Direção de Guillermo Calderón para o Teatro Playa, do Chile.
Onde: Teatro Gregório de Mattos
Quando: 26/10, às 20h e 27/10, às 18h
Quanto: R$20 (inteira) e R$10 (meia) - O ingresso dá acesso às duas montagens, sendo que a leitura dramática Discurso tem início imediatamente após o espetáculo Villa e será realizada pelo mesmo elenco.

O Bobo (Teatro Terceira Margem - BA)
Um homem (ou ator) anuncia seu suicídio, iniciando a ação dramática da
peça. Cavando a sua própria sepultura, encontra um crânio/máscara do Bobo. Antes de dar fim a sua vida, resolve vesti-la. O bobo da corte pode ser “um misto de ator, palhaço, menestrel, mas, antes de tudo, uma máscara que tem a licença do rei para “dizer verdades”. A trama tem como forte inspiração o personagem Yorick, da peça Hamlet, de Willian Shakespeare, e do personagem do bobo em Rei Lear, do mesmo autor. Dentre os muitos temas, o papel do teatro nas sociedades contemporâneas e a investigação do oficio do ator, desvelando algumas de nossas máscaras possíveis no jogo teatral cotidiano. O Bobo tem concepção, criação e atuação de Caio Rodrigo.
Onde: Teatro do Goethe-Institut
Quando: 26/10, às 18h
Quanto: R$20 (inteira) e R$10 (meia)

Isto Não É Uma Mulata (Mônica Santana – BA)
Solo com direção, dramaturgia e atuação de Mônica Santana, que transita entre o teatro e a performance, compondo uma espécie de manifesto estético sobre a representação da mulher negra. A invisibilidade, a visibilidade reduzida, os estereótipos, o silenciamento, a exotização e a hipersexualização são alguns dos pontos tocados em Isto Não É Uma Mulata, de conotação feminista e de denúncia do racismo. Emprega humor, ironia, referências de cultura pop e de massa, o solo dialoga com grandes divas da música internacional como Beyoncé e Nina Simone, além de evocar o universo do samba e do carnaval.
Onde: Casarão Barabadá
Quando: 26/10, às 20h
Quanto: R$20 (inteira) e R$10 (meia)

Endogenias (Balé Teatro Castro Alves – BA)
Endogenias reúne coreografias concebidas por bailarinos do próprio balé do Teatro Castro Alves, que, assim, parte do interior para o exterior e se mostra como um todo: Generxs, de Leandro de Oliveira, fala de gênero, identidade e sexualidade, com foco nos limites impostos a todos nós; Youkali, de Konstanze Mello, inspira-se em Bertolt Brecht e Kurt Weill para retratar um utópico lugar onde se pode viver livremente, diante de uma realidade perversa; e Dê Lírios, de Tutto Gomes, que propõe encontrar um elo entre a arte popular e a dança contemporânea.
Onde: Teatro Castro Alves
Quando: 27/10, às 20h
Quanto: R$20 (inteira) e R$10 (meia) - As vendas de ingressos para o espetáculo Endogenias serão efetuadas exclusivamente na bilheteria do TCA, das 10h às 22h, ou através do site www.ingressorapido.com.br

Mamba Negra - O covil da Imperatriz Mavambo
Mamba Negra - O covil da Imperatriz Mavambo bebe na estética afropunk e atmosfera dos quadrinhos para criar uma personagem anti-heroína do mundo underground . Com criação e direção de Diego Alcântara, Mamba Negra aponta caminhos e soluções agressivas na busca de ser diferente, construir um deslocamento diante das velhas logicas binárias homem x mulher, branco x preto, bem x mal, centro x periferia. É uma espécie de mensageira do apocalipse, que apesar de anunciar outro tempo também reverencia a ancestralidade.
Onde: Espaço Cultural Barroquinha
Quando: 27/10, às 18h
Quanto: R$20 (inteira) e R$10 (meia)

Trilogia Antropofágica: Ato 2: Resistir (Perro Rabioso – Uruguai)
O projeto da Trilogia se organiza como uma prática política onde o verbo vai buscando caminhos para existir contra a hegemonia. O Ato 2 da Trilogia (Resistir) traz a resistência como uma potência e ampliação do campo do possível, como um ponto fixo que se volta resistente / resistido a tudo. Resistência como vetor de força transformadora, como adaptação e auto-organização. Direção de Tamara Cubas para o coletivo uruguaio Perro Rabioso.
Onde: Teatro Experimental (Escola de Dança da UFBA – Ondina)
Quando: 27/10, às 20h, e 28/10, às 18h
Quanto: gratuito - O espetáculo Trilogia Antropofágica - Ato 2: Resistir será gratuito e as senhas serão distribuídas no local a partir de 1 hora antes da sessão, sujeito à lotação do espaço.

28/10/2016 – SEXTA-FEIRA


Antígona Recortada – Contos Que Cantam Sobre Pousospássaros (Núcleo Bartolomeu de Depoimentos – SP)
Direção de Cláuda Schapira para o Núcelo Bartolomeu de Depoimentos, Antígona Recortada relata a história de adolescentes e crianças que vivem nos morros, nas favelas, e pelas circunstâncias acabam por levar uma vida de adultos desde tenra idade. O universo do tráfico de drogas é o grande pano de fundo para esta narrativa, onde o foco principal é retratar esses jovens e a inversão de papéis que a realidade dura e muitas vezes trágica, acaba por inflingir. A descrição deste universo e a possibilidade de criar, apenas por um dia, outro mundo possível, uma zona autônoma temporária, uma utopia futura, são o foco central da narrativa.
Onde: Espaço Cultural Barroquinha
Quando: 28/10, às 20h, e 29/10, às 18h
Quanto: R$20 (inteira) e R$10 (meia)

Cuspe, Paetê e Lantejoulas (Grupo de Dança Contemporânea da UFBA)
Entre citação e excitação. Repetir, repetir até ficar violento. Bater, debater até ficar abatido. Cuspe: lubrifica, estimula e ofende. Visgo agridoce que despe e desmonta. Perguntar, perguntar até ficar diferente. Diferir, diferir até ficar possível. De onde se fala? E para quem se fala? Direção de Lucas Valentim e Lulu Pugliese para o Grupo de Dança Contemporânea da UFBA.
Onde: Teatro Gregório de Mattos
Quando: 28/10, às 18h
Quanto: R$20 (inteira) e R$10 (meia)

Não tenho vergonha do meu passado comunista (Sanja Mitrović e Vladimir Aleksić – Sérvia e Holanda)

Em Não tenho vergonha do meu passado comunista, a realizadora Sanja Mitrović e o ator sérvio Vladimir Aleksić abordam a história recente da República Federal Socialista da Iugoslávia. Os dois partem de um país que agora existe apenas na imaginação e memória através de um diálogo entre cinema e teatro, a investigação abre uma série de temas aparentemente não relacionados: o passado socialista, a luta antifascista, o estado de bem-estar, o sentido de comunidade, as guerras nacionalistas, a transformação pós-socialista, o neoliberal revisionismo, desindustrialização e a devastação da cidade natal dos artistas, que já foi um gigante económico. Nascida em Zrenjanin (antiga Iuguslávia), Sanja Mitrović assina a direção da montagem, dividindo a concepção – e a cena – com Vladimir Aleksić (Servia).
Onde: Teatro Vila Velha
Quando: 29/10, às 20h, e 30/10, às 18h
Quanto: R$20 (inteira) e R$10 (meia)


Amadores (Cia Hiato – SP)
Uma criação da Cia. Hiato (SP) com direção de Leonardo Moreira, Amadores é um passeio por histórias e contextos que poderiam nos separar, mas que se aproximam em cena. Um evento que almeja o estabelecimento (ainda que só poético, porque tão distante da experiência real) de um palco sem divisões. No palco, estes indivíduos são portadores de um discurso pessoal que os revela também socialmente: seja pela marginalização por questões raciais, de gênero ou sexualidade; seja por uma exclusão de classe (e, logo, geográfica, na cidade de São Paulo) ou por contextos culturais diversos. O que se vê em cena é uma espécie de diálogo cênico que remove (ou, pelo menos, confronta) as distinções entre artistas e artesãos, profissionais e amadores, cena e política.
Onde: Teatro Martim Gonçalves
Quando: 29/10, às 20h, e 30/10, às 16h
Quanto: R$20 (inteira) e R$10 (meia)

OE (Eduardo Okamoto – SP)
Um livro contendo a definição de todas as coisas existentes no mundo. Aí, o legado de um escritor para o seu primogênito com deficiência intelectual. E um sonho: no dia da sua morte, toda a experiência acumulada em si fluiria para o espírito inocente de seu filho. OE é um solo do ator Eduardo Okamoto com direção de Marcio Aurelio, inspirado na obra do escritor japonês Kenzaburo Oe, especialmente no livro Jovens de um novo tempo, despertai! A narrativa parte de circunstâncias singulares (um indivíduo e seu filho deficiente), mas não se encerra em particularidades. A expressão da singularidade de um ser humano relaciona-se a enfrentamentos coletivos. A delimitação da vida de um homem também esbarra nos limites do humano. Uma imagem do mundo revela também os nossos limites para sonhá-lo de outras maneiras.
Onde: Teatro do Goethe- Institut
Quando: 29/10, às 18h, e 30/10, às 20h
Quanto: R$20 (inteira) e R$10 (meia)

Obsessiva Dantesca (Laís Machado – BA)
Obsessiva Dantesca propõe um espaço de ritualização das obsessões políticas, existenciais e filosóficas, mesclando duas estruturas estéticas: o show e o rito - a performer vai expondo temas e situações-tabu referentes à condição da mulher negra através de representações, músicas autorais e improvisação, ao mesmo tempo em que consome bebidas alcoólicas, que também são dadas pelo público, subvertendo a lógica da vulnerabilização da mulher mediante a embriaguez. Sobre política e outros afrofuturismos. Tem criação e atuação de Laís Machado e direção artística de Diego Pinheiro.
Onde: Ocupação Coaty (Ladeira da Misericórdia s/n)
Quando: 29/10, às 20h
Quanto: R$20 (inteira) e R$10 (meia)

O Galo (Oco Teatro Laboratório – BA)
Filho de coronel morre em uma suposta rinha de galos, na qual em verdade ele distribuía panfletos contra a ditadura imperante. Deixa como herança para os pais um galo de briga e a partir de então se instaura o sonho de que o animal servirá para mudar a vida dos velhos, assim que ganhar na próxima rinha. Para tanto, eles precisam gastar o pouco que tem mantendo assim o animal vivo. Um galo, a fome e um filho morto conformam a herança que é legada a duas pessoas que, em situações extremas, debatem-se constantemente entre o real e o mágico, entre a necessidade objetiva de subsistir e a utopia. O espetáculo O Galo tem texto de Claudio Lourenzo inspirado na obra Ninguém Escreve ao Coronel, de Gabriel Garcia Marquez. Com Claudia Di Moura e Lúcio Tranchesi, e direção de Luis Alonso para o Oco Teatro Laboratório.
Onde: Teatro Gregório de Mattos
Quando: 30/10, às 16h
Quanto: R$20 (inteira) e R$10 (meia)Como reinventar a participação coletiva diante de tantas rupturas? Esse é o mote da nona edição do Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia, FIAC Bahia, que acontece em Salvador de 25 a 30 de outubro, em doze espaços culturais da capital. Com patrocínio da Petrobras e apoio financeiro do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBa), ao longo de seis dias a capital baiana será um centro de ebulição performativa com espetáculos, oficinas, debates, mediações e festas.

No dia 25 de outubro, às 10h, a FIAC Bahia estreia com a 3a edição do Seminário Internacional de Curadoria e Mediação em Artes Cênicas ocupando o Goethe-Institut. Às 20h, no Teatro Vila Velha, acontece a abertura oficial com o espetáculo “Nós”, do Grupo Galpão (MG), convocando logo de cara o público a entrar em cena. Gerada após um mergulho radical na experiência de mais de 30 anos do Galpão, a 23ª montagem da companhia tem direção de Márcio Abreu e patrocínio da Petrobras, e surge para debater questões como a violência e a intolerância, a partir de uma dimensão política. Neste trabalho, somos todos levados a presenciar situações de opressão e de convívio com a diferença, provocadas pelas relações de proximidade entre artista e espectador, ator e personagem, cena e plateia, público e privado, realidade e ficção. Nós chega ao FIAC Bahia pouco tempo depois de sua estreia nacional, realizada em abril deste ano.


Após estreia Teatro e Pátio do Goethe-Institut e Teatro Vila Velha, o festival se espalhará por mais dez espaços da capital: Teatro Castro Alves, Teatro Martim Gonçalves, Espaço Cultural Barroquinha, Teatro Martim Gonçalves, Teatro Experimental, Teatro Gregório de Mattos, Casarão Barabadá, Casa Preta, Coaty e Oliveiras. A programação de cada espaço pode ser acessada no site oficial do FIAC Bahia, no endereço http://www.fiacbahia.com.br/espetaculos/.

Entre as montagens que o festival traz a Salvador, está I Am Not Ashamed of My Communist Past (“Não Tenho Vergonha do Meu Passado Comunista”, da diretora Sanja Mitrović – nascida em Zrenjanin, antiga Iugoslávia – e do ator sérvio Vladimir Aleksić) ou Trilogia Antropofágica: Ato I – Permanecer e Ato II – Resistir (Tamara Cubas – Uruguai). Os três espetáculos estarão ao lado de outros que chegam pela primeira vez à Bahia, depois de conquistar críticas elogiosas em suas respectivas temporadas: Amadores (Cia. Hiato – SP), OE (Eduardo Okamoto – SP), Villa + Discurso (Guillermo Calderón – Chile) e Antígona Recortada – Contos que cantam sobre pousospássaros (Núcleo Bartolomeu de Depoimentos – SP).


Da produção baiana estão na programação Cuspe, Paetês e Lantejoulas (Grupo de Dança Contemporânea da UFBA), Endogenias (Balé Teatro Castro Alves), Isto Não É uma Mulata (Mônica Santana), Mamba Negra: o Covil da Imperatriz Mavambo (Diego Alcântara), O Bobo (Teatro Terceira Margem), O Galo (OCO Teatro Laboratório) e Obsessiva Dantesca (Laís Machado), formando um grupo de trabalhos que dão corpo a diferentes vozes, mas que se agrupam pela coragem de debater e dar visibilidade a tópicos relacionados a engajamento social e a crises de representatividade. Trazem também modos de pensar dos atuais modelos de produção do fazer artístico, a partir do enfrentamento a questionamentos internos e a crises surgidas a partir do próprio modo de existir.


CENA FORA DA CENA – Se nos espetáculos a produção de um pensamento crítico é proposta em cena, a nona edição do FIAC Bahia traz também outras possibilidades de experiências reflexivas, não menos performáticas. Jornalistas e coletivos de diversos estados – Antro Positivo (SP), Questão de Crítica (RJ), Satisfeita, Yolanda? (PE), Horizonte da Cena (MG), AGORA (RS), Barril (BA) e Precisa-se Público (RJ) – chegam para realizar intervenções em ações múltiplas. Em uma delas, o público será estimulado a expressar suas opiniões a respeito dos espetáculos e enviá-las para uma seleção. Uma vez escolhidos, os textos serão comprados e disponibilizados para publicação.


As noções do que faz parte da cena ou de fora dela também são expandidas com a 3a edição do Seminário Internacional de Curadoria e Mediação em Artes Cênicas, que integra o FIAC Bahia, através de três eixos principais que ganham vida no Goethe-Institut: Diálogos, Invenções e Partilha. Os Diálogos reunirão nomes ligados às artes cênicas locais, para vivenciar – simultaneamente – rodas de conversas com o público sobre assuntos ligados aos desafios envolvidos em suas respectivas experiências. As Invenções surgem numa parceria com o Goethe-Institut e a curadora e dramaturga alemã Sigrid Gareis, que convidará especialistas baianos em diversas áreas para fomentar experiências sobre colaboração e utopias coletivas. Já a Partilha acontecerá por meio de publicações artesanais dos conteúdos produzidos durante o festival, confeccionadas pelo público junto com a Sociedade DA Prensa (SDP).


Em cada uma das ações programadas o convite é para o coletivo, o engajamento físico, uma convocação à presença; ou seja, um chamado para “meter mão”, tanto no sentido figurado, quanto literal. O FIAC Bahia 2016 é uma realização da Realejo Projetos, e produção da 7OITO Projetos.


Fundo de Cultura do Estado da Bahia (FCBA)
– Criado em 2005 para incentivar e estimular as produções artístico-culturais baianas, o Fundo de Cultura é gerido pelas Secretarias da Cultura e da Fazenda. O mecanismo custeia, total ou parcialmente, projetos estritamente culturais de iniciativa de pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado. Os projetos financiados pelo Fundo de Cultura são, preferencialmente, aqueles que apesar da importância do seu significado, sejam de baixo apelo mercadológico, o que dificulta a obtenção de patrocínio junto à iniciativa privada. O FCBA está estruturado em 4 (quatro) linhas de apoio, modelo de referência para outros estados da federação: Ações Continuadas de Instituições Culturais sem fins lucrativos; Eventos Culturais Calendarizados; Mobilidade Artística e Cultural e Editais Setoriais. Para mais informações, acesse: www.cultura.ba.gov.br