Ipac estuda terreiros de culto aos Egunguns de Itaparica

24/10/2016
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Foto: Elias Mascarenhas

A antiga tradição africana de culto aos Egunguns (culto aos ancestrais) ainda existente na Ilha de Itaparica, na Baía de Todos-os-Santos,  e está sendo estudada por equipe de especialistas do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), órgão vinculado à Secretaria de Cultura do Estado (Secult). O Instituto coordena as políticas de proteção aos bens culturais baianos. “As pesquisas de campo e coleta de material já foram feitas. Estamos agora escrevendo e elaborando o dossiê”, afirma a gerente de Patrimônio Imaterial, Nívea Alves.

A equipe multidisciplinar do Ipac pesquisou dois terreiros de candomblé que fazem culto aos Egunguns na localidade de Ponta de Areia, na ilha, o Omó Ilê Agboulá e o Ilê Olokotum. “Após a conclusão do dossiê, prevista para janeiro de 2017, devemos propor o Registro Especial de patrimônio cultural imaterial para esses terreiros quando enviarmos o dossiê ao Conselho de Cultura da Bahia”, diz a antropóloga Nívea. O Registro Especial foi uma ação inédita do instituto no Brasil, que garante um plano de salvaguarda com metas, objetivos, regras e ações de proteção a curto, médio e longo prazos para esses mananciais da cultura afrodescendente.

História - De acordo ainda com a antropóloga , as pesquisas, estudos e construção do dossiê acontecem por meio de roteiros estruturados. “Fazemos um trabalho técnico-científico, com metodologias, pesquisa de campo, observação, coleta e verificação de documentos, como jornais e registros antigos, fotografias, artigos, vídeos e entrevistas, entre outros”.

O terreiro de Ilê Agboulá foi fundado no século 20, por volta de 1940, por Eduardo Daniel de Paula, filho de nagôs. “É um símbolo de resistência, pois aconteceram inúmeras perseguições policiais. Contudo, a manifestação se manteve fiel ao culto a Babá Egum, tornando-se um espaço legítimo e fiel representante aqui na Bahia”, enfatiza Nívea. O Ilê Olokotúm, foi fundado em 1850 e possui a característica principal da não interrupção, funcionando continuamente há 166 anos, sendo o mais antigo ainda existente na Bahia.