16/11/2016

O filme sobre dois dos maiores rivais do boxe nacional encerra o XII Panorama Internacional Coisa de Cinema, hoje (16), no Espaço Itaú de Cinema Glauber Rocha. O baiano Reginaldo Holyfield e o pernambucano Luciano Todo Duro são os personagens principais de A Luta do Século, documentário do diretor baiano Sérgio Machado que encerra o festival, às 19h40. Os boxeadores e o cineasta estarão presentes.
Vencedor do Festival do Rio 2016, na categoria documentário, A Luta do Século integra a mostra Panorama Brasil e aborda a rivalidade histórica entre Holyfield e Todo Duro. Durante as filmagens, os pugilistas, que já têm mais de 50 anos de idade, resolveram enfrentar-se pela última vez, levando a produção a rumos inesperados. Segundo o diretor, que já era fã dos lutadores, o filme é sobre um recomeço. “Um filme que era sobre o fim da carreira de dois dos mais famosos boxeadores do Nordeste, acabou virando um filme sobre um recomeço, com essa última luta”. Após a sessão, Sérgio Machado conversa com o público sobre todo o processo de realização do filme.
Encerramento do Festival- Os filmes vencedores do XII Panorama serão anunciados ás 22h. São os longas-metragens e os curtas escolhidos pelo Júri Oficial nas competitivas Nacional, Baiana e Internacional. Além de premiações em dinheiro e serviços, todos recebem o troféu Igluscope, criado pelo artista plástico Luís Parras em homenagem a Roberto Pires, pioneiro do cinema baiano.
Os filmes da competição nacional também contam com o prêmio Prêmio João Carlos Sampaio, concedido pelo Júri Jovem; o IndieLisboa, que seleciona um longa e um curta para exibir no festival português; e o Prêmio Correio Walter da Silveira.
A apresentação da banda Funfun Dúdú, às 23h, encerra a programação da 12ª edição do Panorama. Os ingressos avulsos para o show custam R$ 10,00 (inteira) e R$5,00 (meia), mas quem estiver nas últimas sessões pode apresentar o canhoto do ingresso e pagar meia-entrada.
O Panorama Internacional Coisa de Cinema é uma realização da produtora Coisa de Cinema, com patrocínio da Petrobras e do Governo do Estado da Bahia, através do Fundo de Cultura. Realizado anualmente em Salvador e Cachoeira, o festival tem apoio da Prefeitura de Cachoeira e do jornal Correio.
A equipe da Assessoria de Comunicação da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) conversou com o diretor Sergio Machado sobre a estréia do seu documentário em Salvador, a expectativa para encerramento do Panorama e que se pode esperar do filme. Confira abaixo:
Como nasceu a ideia de se fazer o documentário sobre Hollyfield e Todo Duro?
Hollyfield e Todo Duro fizeram parte da nossa juventude e nós, como todos os baianos, éramos torcedores de Hollyfield. Eu decidi então fazer um documentário pequenininho para pesquisar o assunto. Mas aí o documentário foi crescendo, fui conhecendo os caras e a história me pareceu tão bonita que comecei a questionar a ficção. Acabei me afeiçoando muito a eles.
A película começa como um filme de arquivo. Sua ideia é localizar as pessoas que não são nem da Bahia, nem de Pernambuco?
Eu queria fazer um filme mais de cinema direto, mas, antes de introduzir as imagens de arquivo, o filme só funcionava no nordeste. Eu precisei fazer um documentário dentro do documentário para contar quem eles eram. Não tem baiano que não conheça o Hollyfield. No auge do Holyfield, eu estava no estádio da Fonte Nova, num jogo entre Bahia e Vitória, e, quando ele entrou, o estádio inteiro o aplaudiu. Mas fora do Nordeste não se tem essa noção.
3. Mas está longe de ter sido a única mudança de rota. Seu filme acabou gerando uma nova luta entre eles, justamente essa "luta do século".
Pois é. O filme era sobre dois caras que tinham parado de lutar e, no meio do processo, aconteceu essa loucura. O Holyfield me pediu pra ir visitar um ex-traficante, que foi agenciador deles e que teve uma casa de shows imensa em Salvador, e aí esse cara falou: “Por quê vocês não fazem uma luta?”. Eu achei que aquilo era uma conversa maluca, não dei o menor crédito àquilo. Aí eu fui para Pernambuco e me falaram que ia ter a luta. Fui vendo que a coisa estava ficando séria e comecei a ficar em pânico: "E se esses caras morrem? A culpa vai ser minha!`’ A gente não tinha nem mais dinheiro para filmar. Para filmar o dia da luta, pedi ajuda aos amigos. Cada um emprestou uma câmera e filmamos a luta com cinco câmeras simples. E, assim, um filme que era sobre o fim [da carreira deles], mudou e virou um filme sobre o recomeço.
4. Uma coisa impressionante é ver como os dois, mesmo fora do ringue, não podem se ver que se pegam. E você me disse que eles estarão na sessão da Mostra. E aí, eles vão se controlar [risos]?
Vão, vão. Eu conversei com um e com outro e expliquei: "Em hipótese alguma vocês podem brigar". Eles ficam se provocando, mas vai dar tudo certo. Eu fico nervoso às vezes. Durante as filmagens, eu tinha um pesadelo em que eu estava no meio deles, e apanhava [risos].
5. Você é fã de boxe? Como foi filmar a luta?
Eu era fã de Maguila e de Mike Tyson, gostava de ver na televisão, mas só isso. A única luta que fui ver na vida foi, justamente, uma luta entre os dois - a terceira luta em que Todo Duro deu um tapa no Hollyfield. Na época, se criou uma fofoca tão grande em Salvador que eu fiquei curioso. Tinha 15 mil pessoas lá dentro e 30 mil do lado de fora, gritando: "Ê-ê-ê. Todo Duro vai morrer". As pessoas destruíram o estádio inteiro. A luta deles que eu filmei para o documentário foi a cena mais difícil que eu já filmei em toda a vida. Ver dois amigos batendo um no outro… Eu fazia câmera e tremia; ficava agoniado. Eu sofri muito.
6. Depois de tanta convivência, como você definiria a relação entre eles? É o quê? Ódio? Rivalidade? Amor?
Como diz o traficante que armou a luta, e que gosta de citar filósofos, segundo Nietzsche, uma história de tanto ódio é, no fundo, uma história de amor. Eles não se falam no dia a dia e não dão as costas um para o outro porque têm medo. Ao mesmo tempo, eles só são tão famosos por causa dessa relação. Sozinhos, nenhum deles seria isso. Eles não foram estrelas como Popó, que foi quatro vezes campeão mundial. Acho que eles intuem isso: que precisam um do outro para existir.
Vencedor do Festival do Rio 2016, na categoria documentário, A Luta do Século integra a mostra Panorama Brasil e aborda a rivalidade histórica entre Holyfield e Todo Duro. Durante as filmagens, os pugilistas, que já têm mais de 50 anos de idade, resolveram enfrentar-se pela última vez, levando a produção a rumos inesperados. Segundo o diretor, que já era fã dos lutadores, o filme é sobre um recomeço. “Um filme que era sobre o fim da carreira de dois dos mais famosos boxeadores do Nordeste, acabou virando um filme sobre um recomeço, com essa última luta”. Após a sessão, Sérgio Machado conversa com o público sobre todo o processo de realização do filme.
Encerramento do Festival- Os filmes vencedores do XII Panorama serão anunciados ás 22h. São os longas-metragens e os curtas escolhidos pelo Júri Oficial nas competitivas Nacional, Baiana e Internacional. Além de premiações em dinheiro e serviços, todos recebem o troféu Igluscope, criado pelo artista plástico Luís Parras em homenagem a Roberto Pires, pioneiro do cinema baiano.
Os filmes da competição nacional também contam com o prêmio Prêmio João Carlos Sampaio, concedido pelo Júri Jovem; o IndieLisboa, que seleciona um longa e um curta para exibir no festival português; e o Prêmio Correio Walter da Silveira.
A apresentação da banda Funfun Dúdú, às 23h, encerra a programação da 12ª edição do Panorama. Os ingressos avulsos para o show custam R$ 10,00 (inteira) e R$5,00 (meia), mas quem estiver nas últimas sessões pode apresentar o canhoto do ingresso e pagar meia-entrada.
O Panorama Internacional Coisa de Cinema é uma realização da produtora Coisa de Cinema, com patrocínio da Petrobras e do Governo do Estado da Bahia, através do Fundo de Cultura. Realizado anualmente em Salvador e Cachoeira, o festival tem apoio da Prefeitura de Cachoeira e do jornal Correio.
A equipe da Assessoria de Comunicação da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) conversou com o diretor Sergio Machado sobre a estréia do seu documentário em Salvador, a expectativa para encerramento do Panorama e que se pode esperar do filme. Confira abaixo:
Como nasceu a ideia de se fazer o documentário sobre Hollyfield e Todo Duro?
Hollyfield e Todo Duro fizeram parte da nossa juventude e nós, como todos os baianos, éramos torcedores de Hollyfield. Eu decidi então fazer um documentário pequenininho para pesquisar o assunto. Mas aí o documentário foi crescendo, fui conhecendo os caras e a história me pareceu tão bonita que comecei a questionar a ficção. Acabei me afeiçoando muito a eles.
A película começa como um filme de arquivo. Sua ideia é localizar as pessoas que não são nem da Bahia, nem de Pernambuco?
Eu queria fazer um filme mais de cinema direto, mas, antes de introduzir as imagens de arquivo, o filme só funcionava no nordeste. Eu precisei fazer um documentário dentro do documentário para contar quem eles eram. Não tem baiano que não conheça o Hollyfield. No auge do Holyfield, eu estava no estádio da Fonte Nova, num jogo entre Bahia e Vitória, e, quando ele entrou, o estádio inteiro o aplaudiu. Mas fora do Nordeste não se tem essa noção.
3. Mas está longe de ter sido a única mudança de rota. Seu filme acabou gerando uma nova luta entre eles, justamente essa "luta do século".
Pois é. O filme era sobre dois caras que tinham parado de lutar e, no meio do processo, aconteceu essa loucura. O Holyfield me pediu pra ir visitar um ex-traficante, que foi agenciador deles e que teve uma casa de shows imensa em Salvador, e aí esse cara falou: “Por quê vocês não fazem uma luta?”. Eu achei que aquilo era uma conversa maluca, não dei o menor crédito àquilo. Aí eu fui para Pernambuco e me falaram que ia ter a luta. Fui vendo que a coisa estava ficando séria e comecei a ficar em pânico: "E se esses caras morrem? A culpa vai ser minha!`’ A gente não tinha nem mais dinheiro para filmar. Para filmar o dia da luta, pedi ajuda aos amigos. Cada um emprestou uma câmera e filmamos a luta com cinco câmeras simples. E, assim, um filme que era sobre o fim [da carreira deles], mudou e virou um filme sobre o recomeço.
4. Uma coisa impressionante é ver como os dois, mesmo fora do ringue, não podem se ver que se pegam. E você me disse que eles estarão na sessão da Mostra. E aí, eles vão se controlar [risos]?
Vão, vão. Eu conversei com um e com outro e expliquei: "Em hipótese alguma vocês podem brigar". Eles ficam se provocando, mas vai dar tudo certo. Eu fico nervoso às vezes. Durante as filmagens, eu tinha um pesadelo em que eu estava no meio deles, e apanhava [risos].
5. Você é fã de boxe? Como foi filmar a luta?
Eu era fã de Maguila e de Mike Tyson, gostava de ver na televisão, mas só isso. A única luta que fui ver na vida foi, justamente, uma luta entre os dois - a terceira luta em que Todo Duro deu um tapa no Hollyfield. Na época, se criou uma fofoca tão grande em Salvador que eu fiquei curioso. Tinha 15 mil pessoas lá dentro e 30 mil do lado de fora, gritando: "Ê-ê-ê. Todo Duro vai morrer". As pessoas destruíram o estádio inteiro. A luta deles que eu filmei para o documentário foi a cena mais difícil que eu já filmei em toda a vida. Ver dois amigos batendo um no outro… Eu fazia câmera e tremia; ficava agoniado. Eu sofri muito.
6. Depois de tanta convivência, como você definiria a relação entre eles? É o quê? Ódio? Rivalidade? Amor?
Como diz o traficante que armou a luta, e que gosta de citar filósofos, segundo Nietzsche, uma história de tanto ódio é, no fundo, uma história de amor. Eles não se falam no dia a dia e não dão as costas um para o outro porque têm medo. Ao mesmo tempo, eles só são tão famosos por causa dessa relação. Sozinhos, nenhum deles seria isso. Eles não foram estrelas como Popó, que foi quatro vezes campeão mundial. Acho que eles intuem isso: que precisam um do outro para existir.
SERVIÇO:
A Luta do Século, de Sérgio Machado
Quando: 16 de novembro, às 19h40
Onde: Espaço Itaú de Cinema Glauber Rocha (Praça Castro Alves – Centro)
Ingressos: R$ 10,00 (inteira)/ R$ 5,00 (meia)
Programação completa: coisadecinema.com.br/xii-panorama/