Artistas baianos festejam sucesso com o Fazcultura

19/12/2016
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Foto: Vinicius Xavier

O Programa de incentivo à Cultura, Fazcultura, parceria das secretarias da Cultura e da Fazenda da Bahia, é um dos parceiros do edital Natural Musical 2016, que teve o resultado divulgado recentemente, selecionando alguns artistas baianos que terão seus trabalhos produzidos e lançados durante 2017. Outros editais nacionais e regionais, como a Lei Rouanet, o semear (PA) e LIC (RS) também contemplam patrocínios.

O Natura Musical nasceu em 2005 com o objetivo de estimular a cadeia da música, contribuindo para viabilizar projetos de grande valor simbólico para a cultura e para o público. Entre os artistas contemplados no Estado, o músico Xangai ganhou o direito a realizar o documentário “Os Catingueiros”, que será narrado por ele e que fará um resgate, com entrevistas, das obras de Mateus Aleluia, Gordurinha, Bule Bule e, seu grande parceiro e também cantador, Elomar.

Segundo a produtora Milena Araújo, trata-se de um projeto de resgate do trabalho realizado por esses artistas, que contará também com encontros musicais, sempre com base na obra regional dos autores. Ela acredita que o edital permite a concretização de trabalhos com qualidade. Xangai, conhecido cantador, estreou como ator na novela global Velho Chico e agora será o narrador do documentário que promete ressaltar ainda mais a qualidade da sua poesia e dos seus parceiros musicais.

Um dos artistas a ser entrevistado no documentário, Mateus Aleluia também foi contemplado com um projeto próprio, o relançamento das obras durante a fase afro-barroca de Os Ticoãns, grupo com nome inspirado em uma ave do cerrado brasileiro que revolucionou a música brasileira ao criar harmonias vocais para cantos de religiões afro e samba de roda. O trio, formado por Aleluia, Heraldo e Dadinho mergulhou na cultura dos terreiros, do Candomblé e rodas de capoeira dando novos contornos para a música afro-brasileira.

Os LPs da época (década de 70, principalmente) foram fruto de intensa pesquisa sobre os cantos do Candomblé. Mateus Aleluia conta que a ideia de resgatar o acervo de Os Tincoãns partiu da advogada, especialista em direito autoral, Monaica Mota. “A ideia é recuperar esse acervo da fase afro-barroca do grupo, formada por quatro LPs e quatro compactos e também somar a esse trabalho a produção de um encarte gráfico, que é praticamente um livro, com design de Gringo Cardia”.

Os discos foram produzidos em gravadoras diferentes e o trabalho inicial é a liberação das obras. Segundo Aleluia, os editais Natura e Fazcultura permitem esse tipo de mergulho na história das artes, fazendo um resgate necessário da nossa linguagem. “O trabalho de os Tincoãns representou uma quebra de paradigma com relação à música afro, cujo perfil era apresentado como exotismo e passou a ser respeitada como base de cultura e religião. É muito bom que estudantes e o público em geral tomem conhecimento dessa história”, reflete o músico, que em 2017 também estará trabalhando um documentário sobre o Disco “Africano”, também dos Tincoãns, com apoio do Fundo de Cultura da Bahia.

O superintendente de Promoção Cultural da SecultBA, Alexandre Simões, reflete que o papel do Fazcultura é justamente permitir que projetos com grande peso cultural e histórico possam ser patrocinados por empresas de todos os tamanhos. “No caso do Natura Musical trata-se de um projeto grandioso que trabalha o resgate de obras importante e também o lançamento de nomes que estão em ascensão. A parceria entre empresa e Estado, baseado no benefício fiscal, com a utilização de recursos do ICMS devido e uma parcela de apoio direto das instituições, permite a realização de grandes projetos e eventos. Há um entendimento do papel das empresas e do Estado no investimento em cultura e no social, afinal de contas os recursos também vão estimular a criação de novas ocupações no mercado de trabalho, dinamizando a economia criativa”.

O Quadro
Da música mais regional para o hip hop e o rap, o Natura Musical, com apoio do Fazcultura, também apoiará a gravação do novo disco do grupo ilheense O Quadro. O manager do grupo, Alex Pinto revela que o grupo deve entrar em estúdio em março e o resultado deve chegar às lojas em junho. A banda já tem 15 anos de estrada, inclusive já realizou três turnês internacionais para a Europa (Dinamarca e Reino Unido). “Já tivemos projeto aprovado pelo Conexão Vivo, também em parceria com o Fazcultura, em 2012, tamb´pem muito importante para divulgação nacional do n osso trabalho”.

Alex Pinto acredita que o novo projeto representa o momento de “virada” da banda. “Temos um público fiel e somos convidados para eventos no exterior. Agora é o momento de aproveitar a projeção nacional”, aposta. Na Bahia, o montante do edital a ser aplicado com apoio do Fazcultura chega a R$ 1 milhão. O trâmite agora é o das análises prévia, técnica e de mérito para posterior publicação no Diário Oficial. Os baianos Lívia Matos e Lucas Santtana, além da paulista Talita Avelino – radicada em Salvador – fecham o grupo beneficiado pelo edital no Estado.

Outro artista baiano que foi contemplado é Lucsa Santtana, radicado no Rio de Janeiro, vai gravar mais um disco, dessa vez pelo Fazcultura, em parceria com a Natura Musical.

FAZCULTURA – Parceria entre a SecultBA e a Secretaria da Fazenda (Sefaz), o mecanismo integra o Sistema Estadual de Fomento à Cultura, composto também pelo Fundo de Cultura da Bahia (FCBA). O objetivo é promover ações de patrocínio cultural por meio de renúncia fiscal, contribuindo para estimular o desenvolvimento cultural da Bahia, ao tempo em que possibilita às empresas patrocinadoras associar sua imagem diretamente às ações culturais que considerem mais adequadas, levando em consideração que esse tipo de patrocínio conta atualmente com um expressivo apoio da opinião pública.