28/12/2016

Toni Duarte é baixista da banda Mont Serrat, que acompanha Gerônimo Santana. Foto: Lucas Rosário
“Fui criado na beira do mar, na pesca, no mergulho, pelos caminhos das areias, e na capoeira, como os meninos das histórias de Jorge Amado”, assim Toni Duarte se auto-define. Seria ele um Capitão da Areia, ou um Capitão da Música? Aos 11 anos começou a explorar os instrumentos e cresceu autodidata. Com profissional da música correu o Brasil e o mundo com grandes nomes como: Gerônimo, Carlinhos Brown, Luiz Caldas, Grupo Garagem, Daniela Mercury.
Multi-instrumentista, Toni toca guitarra, bateria, teclados, e da parte técnica, entende de programação, gravação, mixagem etc. Baixista de paixão acompanha o irmão Gerônimo Santana na banda Mont Serrat. Recentemente se interessou por world music e reconstruiu memória afetiva com a música latina, introduzida pelo pai. A partir da amizade e parcerias com músicos da Colômbia, como Juan Fernando Ruiz (Guitarrista e Gestor cultural) e Juan Guillermo Aguilar (Percussionista e Baterista), ambos da cidade de Medellín e que tocam com bandas reconhecidas como “Frankie há Muerto” e “Puerto Candelaria”, o desejo de aprender mais sobre sons latinos aumentou.
Foi a inspiração que faltava para que nascesse um projeto que concorreu e foi contemplado no Edital de Mobilidade Artística (Fundo de Cultura) da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia e da Secretaria da Fazenda. Partiu para a Colômbia e fez um intercâmbio musical.
Nessa entrevista concedida à Assessoria de Comunicação da SecultBA o músico fala sobre a experiência com o financiamento público para realização do projeto de intercambio cultural.
O que é o Latinas Identidades?
É uma proposta de reconhecimento musical entre países irmãos. Somos povos formados a partir da Península Ibérica, da África e dos povos indígenas. Temos nossas semelhanças e diferenças. A ideia surgiu do convívio com músicos da Colômbia que conheci e mantive contato. Aí resolvemos juntar músicos daqui e de lá.
Porque a Colômbia foi escolhida como pano de fundo do projeto?
A música latina é a motivação principal. Minha relação com a música latina vem da infância, por influência do meu pai. Existe também, claro, uma relação com o país. Já conhecia a Colômbia, conheço músicos colombianos. Como o projeto visa a música latina, precisava começar por algum país e a Colômbia era o mais próximo.
O que essa experiência, proporcionada pelo Edital de Mobilidade Artística, mudou no seu trabalho com a música?
A relação entre o público e o artista. Percebi que a relação no país vizinho é mais respeitosa. Aqui, em muitos shows, percebemos que as pessoas vão apenas entreter, beber e conversar. Não estão atentos aos músicos e o que se toca. Lá na Colômbia vi as pessoas atentas ao que estávamos tocando e isso faz uma diferença enorme para nós músicos.
Qual a importância do edital que você foi contemplado?
O Edital de Mobilidade Artística da SecultBA foi fundamental para viabilizar as passagens aéreas e diminuir os custos do projeto. E ajudou bastante, pois pude levar comigo outros músicos para viver essa experiência comigo. E isso é muito enriquecedor.
O que planeja para 2017?
Pretendo continuar o projeto. A intenção é percorrer os países latinos. O projeto não termina com a ida à Colômbia, quero ir pra Venezuela, Chile, Bahamas, Uruguai e etc. E na medida do possível tenho a pretensão de trazer músicos pra cá, para eles viverem aqui a experiência que vivi lá.
Confira mais informações sobre Toni Duarte e o workshop: