Cultura em Movimento - Perfil: Isabel Nascimento

29/12/2016
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Quem: Isabel Nascimento
Idade: 49 anos
Atuação: Coordenadora do Terno Rosa Menina

Para quem acha que as comemorações ao nascimento de Jesus acabam no Natal, é porque não conhece o Terno de Reis comemorado em janeiro. A Noite de Reis, ou Folia de Reis é uma manifestação cultural religiosa festiva que envolve grupos conhecidos como Ternos que saem em desfile pelas ruas das cidades no intuito de rememorar a viagem dos Três Reis Magos a Belém. O mais antigo e tradicional de Salvador, o Rosa Menina é conduzido por Isabel Nascimento. O Terno foi fundado em novembro de 1945 pelo pai da dona de casa, Silvano Francisco Nascimento, no bairro de Brotas. Dez anos depois o grupo mudou de endereço, foi para Pernambués onde tem sede até hoje. Bel como é conhecida, tem nove irmãos e começou sair no terno com 12 anos. “05 de janeiro é o nosso ápice, o grande desfile, com todas as musicas. É muito bonito ver os ternos arrumados. Ao chegarmos ao largo da Lapinha, todas as portas estão abertas, todos observando, aplaudindo. A gente ficava até umas 3 horas da manhã”, conta ela. Após alguns anos dessa experiência Bel percebeu que sua vocação era outra, não apenas desfilar, até porque nunca foi “habilidosa” na arte de cantar, então passou a ajudar a mãe na organização, montando figurino ou coordenando os ensaios. Na tentativa de manter a tradição ela dá aulas de pandeiro aos jovens, além de ensinar as coreografias. Com a morte dos pais Isabel assumiu o leme e hoje é a vice-presidente da União dos Tradicionais Ternos de Reis da Bahia, Associação que reúne todos os ternos do Estado. Os filhos estão seguindo os passos da mãe e até a netinha de 03 anos já esta inserida. Católica devota ela defende a manifestação cultural com unhas e dentes, “A Noite de Reis significa muito, é uma homenagem ao menino Jesus, a nossa Senhora, a São José, que junto com as músicas e conteúdos se tornaram uma tradição singela, inocente e muito bonita que não pode acabar”, e fez um desabafo, “Hoje com a popularização de vários ritmos, e aumento do carnaval, os ternos perderam força. Ainda é pouco divulgado nas escolas. Precisamos pensar o Terno de Reis como referência do folclore”.

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