26/02/2017
A programação do Carnaval Ouro Negro, no Campo Grande, neste sábado (25) começou com o bloco infantil Pequeno Príncipe de Airá, que trouxe o tema “Ibeji - No mundo das Crianças”. Com cerca dois mil foliões, entre crianças e responsáveis, o bloco mostrou na avenida um repertório recheado de canções criadas pelo projeto, que desenvolve no terreiro de candomblé Ilê Axé Obainã, no bairro de São Caetano.
Famílias inteiras eram vistas no bloco animado pelo grupo musical Unjira. Para o presidente do bloco, Vivaldo Reis, o Pequeno Príncipe de Airá desfila há cinco anos no Carnaval de Salvador e tem o diferencial de proporcionar essa oportunidade para as crianças carentes do bairro. “É o lazer dos meninos e meninas da nossa comunidade, além da apresentação das nossas origens e do trabalho social que desenvolvemos”, pontuou.
Nem mesmo o sol forte desanimou a criançada que desfilou no Bloco Todo Menino é um Rei, no Circuito Osmar (Campo Grande), neste sábado (25), terceiro dia do Carnaval Ouro Negro. A alegria dos pequenos era visível em companhia doe responsáveis. Cerca de 800 associados foram animados pelo Grupo Palavra Cantada. Sob o tema “Motumbá, mocuiú, kolofé – Os Erês pedem a benção nossos griôs!”, os foliões mirins mostraram muito samba no pé. Com 30 anos de fundado e dez de Carnaval, o bloco criado pela Associação Cultural Todo Menino é um Rei é oriundo da comunidade do Tororó, centro de Salvador.
E as marchinhas também tiveram vez. Embalados por muito saudosismo, os 1500 associados do Bloco da Saudade desfilaram no Circuito Osmar (Campo Grande), neste sábado (25) ao som das inesquecíveis marchinhas e dos sambas que resgatam os antigos carnavais. A percussão e o sopro deram o tom do bloco fundado em 1986, que reuniu foliões desde crianças até pessoas idosas. Segunda-feira (27) o bloco volta a desfilar no mesmo trajeto, do Campo Grande ao Pelourinho.
Dentre as novidades, pela primeira vez em 23 anos de Carnaval, o Bloco Didá desfilou no Circuito Osmar (Campo Grande) à luz do dia. As duas mil mulheres da entidade carnavalesca levaram toda a beleza feminina para a avenida, neste sábado (25), terceiro dia do Carnaval Ouro Negro. Diante do sol foi possível apreciar melhor a passagem do bloco dividido em três alas: baianas, dançarinas e percussão. Fantasias coloridas incrementadas de adereços dourados e muita palha foram baseadas no tema “Real, Realeza. Toda mulher negra é uma rainha quilombola”.
A diretora de projetos e uma das 14 percussionistas da banda, Vivian Caroline, reafirma que o principal propósito do bloco é reforçar o empoderamento feminino. “Fomos o primeiro bloco a trazer para o Carnaval de Salvador a discussão sobre o papel da mulher na sociedade. A mulher é uma força de pensamento e usamos o Carnaval para entoar bem forte esse nosso grito. Hoje todas nós somos negras e rainhas quilombolas na luta pela igualdade de direitos”, destacou. O bloco volta a desfilar segunda-feira, no Circuito Osmar (Campo Grande).
O Bloco Canelight comemorou 16 anos na avenida. Com o tema “O Samba e suas Raízes”, levou cadência e ritmo mais uma vez para a rua, na tarde deste sábado (25), com a banda Bitgaboott e o Pagode do Vinny. A agremiação fundada pelo carnavalesco e compositor Jair Almeida de Lima, autor de músicas como Ganaê (Ilê Ayê) e Incenso de índio (Banda Mel), reuniu cerca de 1.500 associados, a maioria moradora no bairro do Canela.
A folia esquentou no Campo Grande com a passagem do Bloco Vem Sambar. A expressão “A arte de sambar” no colorido abadá do bloco representa a originalidade e o molejo dos seus associados. Com dez anos de história, a agremiação traz para o Circuito Osmar grandes atrações musicais, as Alas das Baianas e dos Sambistas da Velha Guarda. Neste sábado (25), a animação ficou por conta dos grupos Fora da Mídia e Exaltasamba.
O Vem Sambar mantém um projeto social com foco na educação ambiental. Vale lembrar que a entidade surgiu de uma brincadeira entre amigos e atualmente é uma das grandes atrações do Carnaval Ouro Negro.
Este ano ano, o Bloco Boka Louka trouxe uma novidade para a avenida. Entrou no Campo Grande, pela primeira vez, animado pela banda Opção 3, que promete o melhor do samba para os cerca de 1.500 associados. Nascido em Massaranduba, mas hoje sediado no Centro Histórico de Salvador, o bloco foi fundado em 1993, mas só foi oficializado em 2005. Desde então, encanta seus integrantes que o acompanham na folia. “Para nós, é uma alegria imensa estar aqui nesse bloco tradicional e nessa festa que é mágica. É um momento muito único e queremos continuar junto com o Boka Louka por muitos anos”, disse o vocalista da banda Opção 3, Adriano Costa.
Já o Malê de Balê este ano homenageia o sertão na avenida. Considerado o maior balé afro do mundo, pela revista New York Times, o bloco afro entrou na avenida com o tema Sou Sertanejo Negro Forte, para referendar a influência da cultura negra no semiárido brasileiro. Com 38 anos de existência, o bloco de Itapuã faz parte do Carnaval Ouro Negro. O carro chefe do bloco é o balé que muito encanta quem assiste a sua passagem pelas ruas durante a folia.
Por fim, muita expectativa na passarela. O colorido das fantasias reluz a ancestralidade africana e reflete a beleza que foi a passagem do Bloco Afro Muzenza do Reggae nesta noite de sábado (25), no Circuito Osmar. Conhecido por abrir as portas para os adeptos dos cabelos dreadlocks, o Muzenza conduz a massa no balanço do samba reggae há 37 anos. Com o tema Afrofuturismo, o bloco inova ao dialogar com as novas tendências, conforme presidente do Muzenza, Jorge Santos.
CARNAVAL DA CULTURA
O Carnaval da Cultura é o carnaval da democracia e da diversidade e do folião pipoca, que leva para as ruas, durante todos os dias e circuitos da folia, a mistura de ritmos e gêneros musicais e, principalmente, a estética e a arte de diferentes artistas, grupos e entidades culturais da Bahia. São centenas de atrações e shows gratuitos de afoxé, samba, reggae, axé, pop, MPB, fanfarras e muito mais. É diversão garantida para todos os gostos e estilos no espaço público da rua para alegria do folião. O Carnaval da Cultura – uma realização da Secretaria da Cultura do Estado da Bahia, por meio do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI) – está organizado a partir de quatro programas: Carnaval do Pelô, Carnaval Pipoca, Carnaval Ouro Negro e Outros Carnavais. A programação completa de nossa festa está disponível nos sites www.cultura.ba.gov.br e www.carnaval.bahia.com.br.