26/02/2017

Foto: André Frutuôso
“Diáspora Africana – a travessia não me abalou, tornou-me forte” é o tema do Afoxé Filhos de Ghandy no carnaval 2017 em Salvador. Depois do Padê, ritual tradicional de saída do bloco no Pelourinho, o Filhos de Ghandy forma o grande tapete branco subindo no contra-fluxo. A Rua Carlos Gomes ficou cheirando a alfazema e ecoando muitos gritos de Ajayô. Acompanharam o desfile, o governador Rui Costa e o homenageado Gilberto Gil.
São quase dez mil associados que desfilam no afoxé mais tradicional do carnaval de Salvador. Entoando em conjunto o som do Ijexá, a idéia do bloco este ano é falar sobre a resistência do povo negro no Brasil desde quando trazido do continente africano. “Estamos falando de uma resistência através do pensamento, da resiliência. E é com isso que nosso povo negro vai se reiventando”, reflete Chico Lima, presidente do Afoxé Filhos de Gandhy.
Para ter o tapete branco na avenida, muito trabalho é feito. Desde quando termina o carnaval, já se pensa no próximo. Por isso, a sensação do presidente Chico Lima ao ver o bloco desfilando é de muito orgulho. “A sensação é de dever cumprido. Eu desfilo no Gandhy desde a década de 80, entrei para diretoria em 99 e há três anos estou como presidente. Mas a emoção de desfilar com o bloco continua a mesma”, disse.

Foto: André Frutuôso
Emoção em família - O tapete branco conquistou o coração do paulista Antônio Carlos Silva há oito anos, acompanhado do filho e do irmão que participam pela primeira vez do Carnaval da Bahia. Antônio gosta de seguir o bloco do lado de fora da corda com a família. Questionado sobre sua paixão, ele conta que lembrar de Salvador é resgatar na memória a passagem do Filhos de Gandhy. “Não tem época melhor para estar nesta terra maravilhosa, o Gandhy é único, uma energia que me toma e não consigo explicar”, confessa Antônio emocionado.
Respeito às mulheres – Entre tantas ações realizadas pelo bloco, o presidente Chico Lima destacou a que está realizando com a Secretaria de Política para as Mulheres do Governo do Estado da Bahia. Segundo Chico, um trabalho de conscientização dos homens para acabar com o assédio contra as mulheres no meio da festa tem sido feito com os associados. “Como um bloco essencialmente masculino, é importante que a gente trabalhe esse tema. A já tradicional troca de colar por beijo pode continuar acontecendo desde que nenhum homem agrida qualquer mulher”, comenta Chico.
CARNAVAL DA CULTURA
O Carnaval da Cultura é o carnaval da democracia e da diversidade e do folião pipoca, que leva para as ruas, durante todos os dias e circuitos da folia, a mistura de ritmos e gêneros musicais e, principalmente, a estética e a arte de diferentes artistas, grupos e entidades culturais da Bahia. São centenas de atrações e shows gratuitos de afoxé, samba, reggae, axé, pop, MPB, fanfarras e muito mais. É diversão garantida para todos os gostos e estilos no espaço público da rua para alegria do folião. O Carnaval da Cultura – uma realização da Secretaria da Cultura do Estado da Bahia, por meio do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI) – está organizado a partir de quatro programas: Carnaval do Pelô, Carnaval Pipoca, Carnaval Ouro Negro e Outros Carnavais. A programação completa de nossa festa está disponível nos sites www.cultura.ba.gov.br e www.carnaval.bahia.com.br