Blocos Infantis têm grande participação na folia pelo Carnaval Ouro Negro

27/02/2017
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Foto: Lucas Rosário

O domingo de Carnaval também foi da criançada. O Bloco Ibeji que desfila há 23 anos na avenida, ofereceu a crianças, adolescentes e adultos, vindos de bairros populares, a oportunidade de brincar o Carnaval. O Ibéji nasceu com a finalidade de ser uma proposta alternativa para melhoria da qualidade de vida de crianças carentes, em especial da comunidade Santa Rita, no bairro de Brotas. Dono de títulos importantes como o bicampeonato do Troféu Dodô & Osmar (2010 e 2011), ele cresceu e hoje é uma possibilidade de lazer não só para a população intantojuvenil da Santa Rita, mas de toda Salvador.

Outra grande atração da folia este ano foi o Bloco Mamulengo fazendo a alegria de crianças e adultos. O nome remete ao Carnaval de Olinda, e bonecos gigantes, crianças e adultos se misturaram no circuito do Campo Grande, neste domingo (26), quarto dia da programação do Ouro Negro. Do Campo Grande ao Pelourinho, bonecões travestidos de figuras ilustres como Lampião, Carmem Miranda e da Nega Maluca encantaram não somente os foliões do bloco com seu colorido e ginga desengonçada, mas foram a sensação por onde passaram. Acompanhados pela banda de sopro e percussão Mamulengo da Bahia, os foliões se divertiram do início ao fim do percurso. Os bonecões também invadiram o Circuito Batatinha, no Pelourinho, levando alegria e irreverência aos baianos e turistas.

Este ano, o Bloco Commanches do Pelô teve como tema “Bahia indígena a oitava maravilha do mundo”, para lembrar da importância e da beleza da influência indígena na cultura baiana. Cerca de dois mil foliões acompanharam o bloco no quarto dia do Carnaval Ouro Negro em Salvador. Com alas de dançarinos e fantasias, o Commanches é o único bloco de índio que ainda desfila no circuito Osmar (avenida). Cocar e pinturas no rosto fazem parte do figurino que boa parte dos associados usa para acompanhar o bloco ao som do Samba do Pretinho, Jorginho Commancheiro e alguns convidados. O Bloco Commanches resiste no carnaval de Salvador.

E o Gandhy não pede só paz. “Diáspora Africana – a travessia não me abalou, tornou-me forte” é o tema do Afoxé Filhos de Ghandy no carnaval 2017. Depois do Padê, ritual tradicional de saída do bloco no Pelourinho, o grande tapete branco sobe no contra-fluxo, em companhia do homenageado Gilberto Gil.

São quase dez mil associados que desfilam no afoxé mais tradicional do carnaval de Salvador, entoando o som do Ijexá. A idéia da entidade este ano é falar sobre a resistência do povo negro no Brasil desde quando foi trazido do continente africano. “Estamos falando de uma resistência através do pensamento, da resiliência. E é com isso que nosso povo negro vai se reiventando”, reflete o presidente Chico Lima.



Também causou impressão o desfile do Bloco Banana Reggae que veio com uma ala de mulheres quilombolas. O grupo abriu o desfile usando panos africanos e bandeiras de países afro-latinos, representando a força das mulheres quilombolas em coreografia a animar os associados.

Desde 1995, o leva o ritmo jamaicano para a avenida, durante o carnaval de Salvador. Este ano não foi diferente. Embalados pela música de Thomé Viana e Banda Ragga, os foliões mostravam muita disposição para seguir o bloco na avenida.

“Nos mantemos em resistência. Seguimos aqui no carnaval sustentados pelas nossas raízes negras, com muita força, humildade e fé”, diz Lucrécia Neres, diretora e responsável pela coreografia da ala de frente. Sediado no Terminal Esperança, próximo à Estrada Velha do Aeroporto, em Salvador, o bloco tem como novidade para 2017 o lançamento do CD Reggae Bom, de Thomé Viana e Banda Ragga, com composições inéditas.

E pra fechar, o swing do Bloco Afro Os Negões balançou os foliões do Circuito Osmar na noite deste domingo, na levada contagiante da percussão, regida pelo mestre Geraldinho. Os Negões encerra sua participação no Carnaval Ouro Negro 2017 consolidando a representação do tema “O Mensageiro Fruto da Vida e da Transformação” em suas alas e cânticos.

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Foto: André Frutuôso

A entidade inovou em trazer para a Avenida um desfile fruto de um processo criativo anterior ao período da folia. A história da mensagem negra ancestral foi representada, nestes dois dias de desfile, por uma perspectiva afro-religiosa a partir do orixá Exu. “As alas, as músicas, as indumentárias, tudo tem a ver com o crescimento nosso através do mensageiro, é ele que consegue conciliar a matéria e o espírito, trazer a força e o crescimento para nós”, como disse o presidente Paulo Nascimento.

CARNAVAL DA CULTURA

O Carnaval da Cultura é o carnaval da democracia e da diversidade e do folião pipoca, que leva para as ruas, durante todos os dias e circuitos da folia, a mistura de ritmos e gêneros musicais e, principalmente, a estética e a arte de diferentes artistas, grupos e entidades culturais da Bahia. São centenas de atrações e shows gratuitos de afoxé, samba, reggae, axé, pop, MPB, fanfarras e muito mais. É diversão garantida para todos os gostos e estilos no espaço público da rua para alegria do folião. O Carnaval da Cultura – uma realização da Secretaria da Cultura do Estado da Bahia, por meio do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI) – está organizado a partir de quatro programas: Carnaval do Pelô, Carnaval Pipoca, Carnaval Ouro Negro e Outros Carnavais. A programação completa de nossa festa está disponível nos sites www.cultura.ba.gov.br e www.carnaval.bahia.com.br.