27/02/2017

Foto: Fafá
Quem queria participar de um carnaval, democrático, alternativo, diverso e representativo e veio ao Pelourinho no domingo de carnaval, não se arrependeu. Atrações como Liniker, Tássia Reis, As Bahias e a Cozinha Mineira, Larissa Luz, Ellen Oléria e BNegão trouxeram um público diferenciado que buscava representatividade numa festa que é conhecida por ter o axé como ponto principal do festejo.
Para Ana Paula, carnaval é diversidade. “A proposta de trazer todos os ritmos e todos os gostos para o Pelourinho é bacana por ter essa característica mais democrática. Estas novas sonoridades são incríveis” declarou a antropóloga.
Já Eduardo Vasconcelos, fisioterapeuta, acredita que oferecer mais alternativas para a população é fazer com que as pessoas conheçam artistas novos. “Eu sou uma pessoa que curto o circuito carnavalesco tradicional, mas também gosto de ter uma opção diferente porque a gente tem a chance de variar esse cardápio musical. Hoje tive a oportunidade de conhecer um artista que não conhecia, que foi Liniker. Conhecia visualmente, de reportagens, mas não conhecia o repertório e hoje saio daqui com uma sementinha plantada, uma vontade de ouvir mais vezes. É importante que o carnaval continue sendo algo plural. A gente precisa disso. Existem pessoas aqui hoje que estão conhecendo artistas que não teriam acesso se não tivesse essa multiplicidade na programação”.
“É fantástica essa programação alternativa no carnaval que é tão diverso. Ter opções para quem não quer ir pra Barra e Campo Grande, que são programações mais comerciais, podem vir pra cá que tem uma programação mais cultural. A cidade é enorme, tem muitos públicos para muitas opções”, declara Keliane Coelho, gerente de projetos.
A professora Edvânia Barros fez uma análise sobre a importância da representatividade. “O que está acontecendo no Pelourinho é interessantíssimo porque o carnaval é uma festa pública e muitas vezes os blocos e camarotes monopolizam, então vir aqui é uma oportunidade para quem não quer sair em blocos e camarotes, conhecer a festa de uma forma mais diversa, que é diferente do axé music e do pagode. O show de Liniker, por exemplo, tem um público muito diverso. São cantoras que têm afirmações identitárias específicas: são gays e transexuais e lidam com a questão da negritude de um modo afirmativo e as pessoas querem um carnaval para serem reconhecidas na questão racial, na questão sexual. O carnaval é para os gays, transexuais e para todas as raças. Deu uma cara nova ao circuito que uns anos atrás só tinham bandinhas e marchinhas”.
Lis Varjão, estudante, declara que existe um público imenso para os artistas que se apresentaram hoje no Centro Histórico. “A gente precisa desses artistas que são nossos mensageiros no palco. A maioria dos jovens hoje está cansada de trabalhos mercadológicos como o pagode e o axé e precisamos de alguma forma de representatividade que grite algo de alma e algumas dessas pessoas que nos representam é Liniker, As Bahias, Larissa Luz e BNegão”.
Para a estudante Júlia Moraes, existe um público que não participa do carnaval por não aprovar a indústria que se transformou a festa. “O axé é uma indústria gigante, mas não é necessário. O público que está presente aqui hoje não é por causa do carnaval. Eu não pulei dia nenhum do carnaval, só estou vindo hoje por conta das atrações que estiveram presentes aqui. Tem muita gente que conheço que está aqui porque veio em busca de cultura diferente. A Bahia não é só axé”.
CARNAVAL DA CULTURA
O Carnaval da Cultura é o carnaval da democracia e da diversidade e do folião pipoca, que leva para as ruas, durante todos os dias e circuitos da folia, a mistura de ritmos e gêneros musicais e, principalmente, a estética e a arte de diferentes artistas, grupos e entidades culturais da Bahia. São centenas de atrações e shows gratuitos de afoxé, samba, reggae, axé, pop, MPB, fanfarras e muito mais. É diversão garantida para todos os gostos e estilos no espaço público da rua para alegria do folião. O Carnaval da Cultura – uma realização da Secretaria da Cultura do Estado da Bahia, por meio do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI) – está organizado a partir de quatro programas: Carnaval do Pelô, Carnaval Pipoca, Carnaval Ouro Negro e Outros Carnavais. A programação completa de nossa festa está disponível nos sites www.cultura.ba.gov.br e www.carnaval.bahia.com.br