25/07/2017

"Joana inaugura uma discussão dentro da museologia: a representação da mulher negra nos museus. Além disso, ela fala como acadêmica, mas também como ativista. Dessa forma, traz um bom exemplo de museologia social, que vê o patrimônio como representação do ser humano; que coloca o museu como lugar de reflexão e de educação. A museologia da atualidade discute a inclusão, mas repete muito o discurso colonizador, e ela vem pra quebrar com isso", declarou a orientadora do projeto, professora Graça Teixeira, diretora do Museu Afrobrasileiro da Ufba – Mafro.
Com tiragem de 3.000 (três mil) exemplares, a obra foi distribuída gratuitamente para o público presente; e posteriormente será entregue em museus, universidades, bibliotecas públicas, bem como a pesquisadores que tenham interesse no tema. "Este livro é pertinente porque trata de inclusão. Nossos acervos, nossos museus contemplam muito a aristocracia rural ou religiosa. Os negros, e principalmente as mulheres negras, não tinham sequer o direito da preservação da sua memória. Joana fala sobre isso; sobre como a mulher negra é abordada nos museus, mas também pela ausência dessa temática, o que também quer dizer muito", avalia a professora Maria Célia Teixeira Moura Santos.
"O livro traz a discussão sobre o lugar que é atribuído às mulheres negras nos museus de tipologia histórica de Salvador, a partir das suas exposições de longa duração quando as representam quase sempre na condição de escravizadas", ressalta a autora do livro. "Sem uma narrativa que as aloquem como partícipes da construção política, econômica e cultural do país, sobram-lhes os lugares de subalternizadas", pontua Joana.
A publicação do livro acompanhará uma oficina gratuita de capacitação voltada à utilização dos museus como recursos didáticos para professores da rede de ensino Estadual. Serão 120 vagas destinadas à atividade que acontecerá no MAFRO – Museu Afro-Brasileiro da Universidade Federal da Bahia. Para mais informações basta entrar em contato pelo email: mulheresnegrasemuseus@gmail.com.
SOLAR FERRÃO – Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1938, o casarão construído entre o fim do século XVII e início do XVIII possui seis andares e abriga a Galeria Solar Ferrão, o Museu Abelardo Rodrigues e quatro coleções: a de Arte Africana, a de Arte Popular, a Coleção Walter Smetak e a Coleção de Instrumentos Musicais Tradicionais Emília Biancardi. O Solar Ferrão integra os espaços administrados pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), da Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA).
Fundo de Cultura do Estado da Bahia (FCBA) – Criado em 2005 para incentivar e estimular as produções artístico-culturais baianas, o Fundo de Cultura é gerido pelas Secretarias da Cultura e da Fazenda. O mecanismo custeia, total ou parcialmente, projetos estritamente culturais de iniciativa de pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado. Os projetos financiados pelo Fundo de Cultura são, preferencialmente, aqueles que apesar da importância do seu significado, sejam de baixo apelo mercadológico, o que dificulta a obtenção de patrocínio junto à iniciativa privada. O FCBA está estruturado em 4 (quatro) linhas de apoio, modelo de referência para outros estados da federação: Ações Continuadas de Instituições Culturais sem fins lucrativos; Eventos Culturais Calendarizados; Mobilidade Artística e Cultural e Editais Setoriais.