Centro de Documentação e Memória realiza palestras sobre história e urbanização dos azulejos em Salvador

01/09/2017
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Foto; Divulgação/Cedom


O surgimento do azulejo e seu uso na composição do espaço urbano em Salvador foram os temas das palestras que o Centro de Documentação e Memória (CEDOM) do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), em parceria com o Museu Udo Knoff de Azulejaria e Cerâmica, promoveu nas tardes de 30 e 31 de agosto. Gratuitas, as palestras receberam mais de 120 pessoas, entre estudantes, artistas, restauradores, professores e demais interessados. O evento aconteceu na sede do CEDOM, localizado na Rua Gregório de Mattos, nº 29 – Pelourinho, em frente à Casa do Olodum.

No dia 30 (quarta-feira), o especialista em restauração de azulejos, Estácio Fernandes, abordou sobre o ‘Pequeno Histórico do Azulejo Português e seus Aspectos de Conservação e Restauro’, considerando o surgimento do azulejo em Portugal, a introdução do mesmo no Brasil, as diversas tipologias do azulejo português e as circunstâncias econômica, social e política no contexto da evolução da azulejaria portuguesa, além de ressaltar os aspectos da conservação, degradação e restauro azulejar na capital baiana. Após a palestra, o especialista conduziu uma visita guiada à Ordem Primeira e Terceira de São Francisco, explicando aspectos deste objeto histórico.

Na quinta-feira (31) foi a vez da doutoranda Eliana Ursine que está atuando na investigação sobre revestimento azulejar de Udo Knoff produzido entre as décadas de 1950 e 1980 e mestre em Preservação do Patrimônio Cultural. Ela discorreu sobre o tema ‘Cerâmica Udo Knoff: A Arte Azulejar na Composição do Espaço Urbano de Salvador no Século XX’. Durante a palestra, relatos sobre a arte azulejar, que ganha feição genuinamente nacional, e a grande criatividade em todo o Brasil, tendo influenciado por algumas décadas a integração entre arte e arquitetura a partir do azulejar, foram apresentados, dando ênfase na região Nordeste, polo de maior destaque com a liderança de Udo Knoff em Salvador e sua relevante participação na formação deste patrimônio.

“É muito importante para o Museu Udo Knoff tratar sobre azulejaria no contexto da Bahia e no contexto nacional contemporâneo, pois é o primeiro Museu de Azulejo da América Latina. Comunicar ao público sobre a importância desse acervo é fantástico, pois tivemos a fala de dois parceiros, Estácio Fernandes e Eliana Mello, que lutam, pesquisam, trabalham e divulgam para o público esse legado herdado. Essa parceria com o CEDOM-IPAC foi excelente. Tivemos acesso a um público mais adulto e interessado no tema, especialistas e estudiosos desse legado herdado por nós. Queremos continuar trabalhando juntos e unindo forças para servir melhor ao público", informa Renata Alencar, coordenadora do Museu Udo Knoff.

O Museu Udo Knoff de Azulejaria e Cerâmica (Pelourinho) dispõe de dois ambientes ocupados por materiais referentes à arte da cerâmica e do azulejo. A área inferior expõe as peças criadas pelo ceramista Udo Knoff – idealizador do museu -, além de proporcionar uma visão cronológica da existência do azulejo disposta do século XV ao XX, incluindo sua chegada ao Brasil, no século XVII. Já a sua área superior, exibe fotografias de prédios revestidos com azulejos confeccionados pela oficina de Udo Knoff, fruto de projetos de artistas renomados do estado da Bahia. Completam a exposição, objetos confeccionados nas oficinas desenvolvidas pelos museólogos da casa, que realizam atividades educacionais. O museu integra a Diretoria de Museus do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (DIMUS/IPAC), unidade vinculada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA).