Cultura em Movimento - Perfil: Edu O

19/09/2017
d

Nome: Edu O
Idade: 40 anos
Profissão: Dançarino e coreógrafo

O coreografo e dançarino Edu O sempre se viu como artista e se imaginava no palco. Porém, este desejo parecia limitado, já que não via o seu corpo representado em espaços de visibilidade. Edu teve pólio com 1 ano de idade, que lhe deixou com uma deficiência física. Aos 13 ganhou a sua primeira cadeira de rodas. Sua infância foi bastante ativa, entre brincadeiras e peças que escrevia e dirigia na escola e no quintal de sua casa em Santo Amaro, cidade culturalmente rica de arte e manifestações. A necessidade de se expressar o levou para a Escola de Belas Artes da UFBA, onde estudou artes visuais. Durante este período, conheceu na escola de teatro uma dançarina que trabalhava a inclusão, teve seu primeiro contato com a dança e com a Cia. De Dança Sobre Rodas. “Quando entrei na dança entendi que ali é o meu lugar de expressão sobre meu corpo, sobre as questões que me rodeiam. Ali eu posso futucar uma reflexão nas pessoas sobre o estar no mundo através de um olhar para o corpo que dança”, explica Edu. No ano de 1999 entrou para o Grupo X de Improvisação em Dança, projeto de extensão da escola de dança da UFBA, onde atua até hoje como diretor e coreógrafo. Com mais de 60 montagens em sua trajetória de quase 20 anos, Edu O foi vencedor de diversos prêmios e editais, circula por vários países, e vem experimentando trabalhos pensados na composição das imagens e nas diversas espacialidades, quebrando paradigmas. Em seus espetáculos busca promover a acessibilidade com recursos como áudio descrição e tradução em libras. Já escreveu um livro infantil, Judite Quer Chorar, baseado no espetáculo de mesmo nome, que também virou um áudio book narrado por Malu Mader. Edu O ainda se tornou o primeiro professor de dança cadeirante numa universidade pública no Brasil, a UFBA, o que prefere destacar como uma conquista do coletivo. “É consequência de movimentos que já vem desde o século passado, buscando ocupar espaços que antes não nos cabiam pelo olhar da exclusão”, afirma. Para ele, falta ainda serem quebradas as paredes dos chamados “espaços inclusivos”, para que pessoas deficientes possam ocupar TODOS os espaços. “Quando penso em representatividade a primeira palavra que me surge é espelho. A gente poder se ver no mundo”, defende.