26/09/2017

Nome: Alva Célia Medeiros
Idade: 62 anos
Atuação: Coordenadora do Lindroamor Axé
Professora de português, pós graduada em História da África e cultura baiana, Alva Célia Medeiros nasceu em Terra Nova e aos 7 anos foi morar na cidade de São Francisco do Conde, onde atualmente é coordenadora do Lindroamor Axé. Considerada Franciscana, afinal já reside no lugar há 55 anos. Desde criança se envolve nas questões culturais, mostrando sensibilidade para dança, teatro, musica. Por volta de 1993 sua genitora Mãe Áurea e Dona Lourdes, junto com outras pessoas da cidade se responsabilizaram em reativar o folguedo do Lindroamor, que já estava há quatro décadas inativo. Alva foi se aproximando para auxiliar na revitalização do Cortejo que tem como padroeiros os santos gêmeos São Cosme e São Damião. “Este ano vamos realizar o 24º Caruru, como todo ano no dia 27 de setembro. Em torno 1996 eu já estava dentro da diretoria, não saí mais. É muito amor, carinho e devoção, estou disposta a destacar cada vez mais essa manifestação cultural”. O Lindroamor é uma manifestação secular de origem portuguesa, particularmente ligada à questão religiosa, onde pessoas de várias idades saem nas ruas com cantigas, orações e muita dança para alcançar esmolas para construir a festa. “Conseguimos manter este projeto por causa da comunidade, todos são responsáveis de contar essa história, trazendo os mínimos detalhes do passado. É uma festa toda baseada na cultura oral porque é da ancestralidade. Até pessoas públicas ajudam, mas não existe hierarquia, é do povo, uma tradição mantida pelos moradores. Recolhemos doações de tudo: quiabo, tempero, frango...”. O folguedo é reconhecido principalmente por seu empenho na propagação da Cultura Africana no recorte religioso, o que diretamente influencia o combate ao racismo e à intolerância religiosa. O grupo enfrentou muito preconceito no inicio da reconstrução da história por utilizarem um espaço do terreiro de candomblé. “Mostrar às pessoas que se tratava de um cortejo popular foi difícil, precisamos de muita paciência, fomos em portas, fizemos seminários. Foi um trabalho de ensinamentos e aprendizados. Valeu a pena demais, hoje falamos abertamente e combatemos as opressões. Tudo é baseado na fé”. E assim, usando muitas cores, ritmos, aprendizado, criatividade e fé, Alva Célia carrega a bandeira desta tradição secular que permanece viva.
Confira outros perfis da série Cultura em Movimento
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