Seminário debateu a proteção à religião de matriz africana em Maragojipe

31/10/2017
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Foto: Andréa Montenegro

O Terreiro Ilé Alabasé, no Alto da Bela Vista, bairro das Palmeiras em Maragojipe, município da zona oeste da Baía de Todos os Santos, promoveu nesta manhã (31), o seminário ‘Preservação Cultural – a importância da religião de matriz africana’. O evento inicia um projeto voltado para os terreiros da região e que terá prosseguimento durante seis meses, com apoio da Secretaria de Turismo do Estado (Setur) e da Secretaria de Cultura (SecultBA), via Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC).

A SecultBA foi representada no evento pela assessora Andréa Montenegro. “Falamos sobre o papel da secretária Arany Santana, que assume a gestão com a intenção de promover o diálogo com a sociedade civil e a participação da comunidade no processo de patrimonialização”, relata. O projeto conta com a participação de 19 terreiros de Maragojipe, que ainda, ao longo dos seis meses, participarão de atividades de economia criativa e de formação, oficinas de folhas (conhecimento uso, manuseio e processamento) e voltadas para a produção do turismo, arranjo produtivo local e base comunitária. O projeto prevê ainda a produção de videodocumentário.

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Foto: Andréa Montenegro

“Essa é mais uma ação de política pública de patrimônio realizada pelo terreiro, em um espaço reconhecido oficialmente como Patrimônio pelo Estado, tendo ainda a parceria fundamental da Setur”, afirma o assessor de Relações Institucionais do IPAC, Andre Reis. Segundo ele, a parceria é feita por meio de um termo de colaboração entre o IPAC e o Terreiro. Dentre os palestrantes, estiveram o babalorixá do Ilé Alabasé, Robinho de Otyn, o diretor geral do IPAC, João Carlos de Oliveira, a coordenadora pedagógica do projeto, Rutiléia Campos, e a gerente de Patrimônio Imaterial do IPAC, Nívea Alves.

O babalorixá Robinho de Otyn falou da importância da religião e a história do terreiro. Já a coordenadora pedagógica, Rutiléia Campos, abordou a transmissão dos saberes em oficinas realizadas durante o projeto. A programação teve início com apresentação de alabês do Ilé Alabasé. Depois, mesa de abertura, palestras e espaço para debates.

O IPAC/SecultBA já desenvolve muitas ações no Recôncavo baiano, onde se encontra Maragojipe, beneficiando bens culturais materiais e os imateriais. Em Maragojipe o IPAC tombou o terreiro Ilé Alabasé e registrou o Carnaval dessa cidade como Bem Imaterial da Bahia.

História – De origem Ketu e dedicado ao orixá que rege a caça e a fartura, Oxóssi, o Ilé Alabasé foi fundado pelo babalorixá Edson dos Santos, conhecido como Pai Edinho, em 1973. Desde então, desenvolve projetos socioculturais na região. O terreiro ocupa 8,7 hectares, com fonte de água natural e extensa área verde. Pai Edinho foi iniciado aos 17 anos, em 1964, pelo babalorixá Lício, do Ilê Jitundê, de São Francisco. Lício é neto-de-santo de Miguel Arcanjo, do Ilê Amoraxó, e filho-de-santo de Manuel Rufino de Oxum.