31/10/2017

Thelma Chase
Idade: 64 anos
A manauara Thelma Chase, filha do meio entre cinco irmãos, cresceu sob a influência das tradições culturais que enriquecem sua terra natal. Entre manifestações como bois bumbá e cavalos marinhos, a menina se deslumbrava e tomava base para ser a mulher que se tornaria no futuro. Foi uma grande alfabetizadora, e teve a sala de aula como o primeiro palco para suas produções, sua maneira diferente de educar se manteve quando mudou para o Recife, permanecendo ainda como professora durante alguns anos. Foi em solo pernambucano que ela se aproximou da militância negra, participando da fundação do Movimento Negro Unificado do Recife, e iniciou trabalhos junto a jovens de comunidades periféricas. Suas primeiras produções para além do ambiente escolar tinham como base o ativismo e a busca da igualdade racial, o que inspirou a formação do Balé Arte Negra de Pernambuco. “Nas peças da época tinham vários homens negros, com corpos a mostra em papéis de pouco destaque, carregando mulheres brancas que protagonizavam. Analisando isso, eu quis montar espetáculos colocando os meninos para ser destaque, montamos um espetáculo de dança só formado de homens negros com base em capoeira angola”, relembra. A participação de Thelma na comissão organizadora do Encontro de Negros do Norte e Nordeste a colocou em relação com diversos estados das regiões, incluindo a Bahia, que, após 15 anos no Recife, se tornaria sua próxima casa. A produtora cultural planejava passar apenas um ano no estado, porém, quis o destino que ela permanecesse aqui, onde já vive há 26 anos. Convidada para trabalhar no Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural, acompanhou o projeto de revitalização do Pelourinho e atuou como produtora de eventos durante vários anos, dedicando-se a uma árdua e intensa jornada de trabalho. Em 2011, quando o Pelourinho Cultural é incorporado ao Centro de Culturas Populares e Identitárias, fundado naquele ano, Thelma é convidada pela então diretora Arany Santana para assumir a coordenação do projeto. A responsabilidade não intimidou Thelma, que aceitou o cargo com bastante segurança e tranquilidade. “Eu entendi que eu podia dar outro tipo de contribuição, e se eu não fosse produtora eu nunca poderia ser coordenadora de eventos. Eu não me assustei com a maior cobrança de responsabilidade porque como servidora pública eu entendo que este é o retorno que nós temos que dar para a sociedade. Não adianta questionar e pedir avanços se você não fizer a sua parte”, afirma Thelma. Através do seu papel na coordenação de eventos do Pelô da Bahia, Thelma se interessou pelo crescimento da equipe, formando produtores, e vem prezando pelo envolvimento dos projetos, escolas e moradores do Pelourinho, que abraçaram a “mana” – como é carinhosamente chamada – como parte integrante da comunidade.