20/12/2017

Foto: Lazaro Menezes
O músico, pesquisador e professor suíço-brasileiro, Anton Walter Smetak (1913–1984), será homenageado nesta quinta (21), às 15h, no Centro Cultural Solar Ferrão (Rua Gregório de Mattos, 45, Pelourinho), com a reabertura da exposição ‘Smetak – o alquimista do som’, totalmente requalificada. Na abertura, com entrada gratuita, filho e netos de Smetak – Uibitu Smetak, Ícaro Smetak e Vladimir Bonfim – fazem performance musical com instrumentos do artista, seguida por mediação especial da sua filha, Bárbara Smetak, na visitação às obras. “É um espaço amplo. Os smetakianos com certeza vão gostar”, disse Bárbara Smetak.
A mostra tem 86 instrumentos-esculturas, distribuídas em quatro ambientes em um dos pavimentos do solar que detém seis andares e foi construído a partir do século XVII no declive entre o Terreiro de Jesus e a Baixa dos Sapateiros. A edificação é tombada como Patrimônio Nacional pelo IPHAN/MinC desde 1938.
Já o acervo completo de instrumentos de Smetak, composto de 150 peças e de propriedade da sua família, está tombado provisoriamente como Patrimônio da Bahia, em processo de elaboração de dossiê. “Além de contar com a participação da família, a expografia atual privilegia a natureza lúdica da coleção. Essa reabertura devolve aos estudiosos e admiradores de Smetak um espaço para deleite e inspiração. Essa mostra fica aberta para visitação gratuita das terças aos sábados, sempre das 13h às 17h, no Solar Ferrão”, explica a coordenadora geral do Centro Cultural, Graça Lobo. Segundo ela, dentre as melhorias, está a readequação dos ambientes, melhor projeto de iluminação e a nova sonorização-ambiente com músicas de autoria de Smetak. “Transferimos ainda o local para exibição do videodocumentário sobre a vida e obra do artista, para atender um número maior de assistentes, e teremos duas réplicas de suas obras que poderão ser manuseadas pelos visitantes como experiência sonoro-estética”, completa Graça.
Coleções de arte – Além da sua importância arquitetônico-histórica, sendo um dos prédios mais importantes do Centro Histórico de Salvador, o Solar Ferrão abriga importantes coleções de arte e o Museu Abelardo Rodrigues de Arte Sacra. As coleções de Arte Popular, Claudio Masella de Arte Africana e Instrumentos Tradicionais Emília Biancardi compõem as restantes. “A coleção de Arte Popular será a próxima a ser requalificada e reaberta ainda neste verão 2018, enquanto a de Instrumentos Tradicionais se manteve em funcionamento permanente”, diz Graça Lobo.
Já o Museu Abelardo Rodrigues será reaberto ainda no primeiro semestre de 2018. “A nossa meta é conseguir expor o máximo de obras dessa coleção que é considerada uma das mais importantes de arte sacra do país e, por isso, deveremos ampliar para seis salas, hoje restrita apenas a três”, relata a museóloga. Além do Centro Cultural Solar Ferrão, a DIMUS é responsável pelos museus Tempostal e o Udo Knoff de Azulejaria e Cerâmica, no Pelourinho, o Palácio da Aclamação e o Passeio Público, no Campo Grande, o Museu do Recôncavo Wanderley Pinho, em Cachoeira, e o Parque Histórico Castro Alves, em Cabaceiras do Paraguaçu. Através de um convênio com o Convento de Nossa Senhora dos Humildes, a DIMUS também responde pelo Museu do Recolhimento dos Humildes que funciona nessa edificação de 200 anos localizada às margens do Rio Subaé, em Santo Amaro, Recôncavo baiano.
SALZBURGO e TROPICÁLIA – O acervo de Smetak no Solar Ferrão integra o conjunto de obras que foi restaurado e exposto nos museus de arte moderna da Bahia (2007) e de São Paulo (2008), sendo este apenas um recorte da ampla trajetória desse músico. Smetak nasceu em 1913, em Zurique, Suíca, filho de imigrantes tchecos, tendo como primeiro instrutor musical, seu pai, um renomado virtuose da cítara tcheca. Estudou no Mozarteum de Salzburgo, na Áustria, formando-se violoncelista e concertista pelo Conservatório de Viena, junto a Pablo Casals, em 1934. Com a iminência da 2ª Guerra Mundial, vai para o Brasil em 1937, inicialmente para Porto Alegre.
Em 1957, é convidado pelo compositor alemão Hans Joachim Koellheutter para Salvador, onde integra os Seminários Livres de Música, no movimento de excelência artística que se processava na Universidade da Bahia sob comando do reitor Edgar Santos. Na Bahia, Smetak inicia pesquisas microtonais inspiradas pela teosofia e cria cerca de 150 instrumentos-esculturas. A partir de 1969, sua oficina de experimentação sonora é frequentada por importantes artistas que marcaram a Tropicália e outros movimentos: Gilberto Gil, Rogério Duarte, Tom Zé, Gereba, Tuzé de Abreu, Djalma Correia e Marco Antônio Guimarães (fundador do grupo Uakti), dentre outros. Gravou ainda dois discos, escreveu três peças de teatro e mais de 30 livros.
Música Brasileira – Em entrevista à jornalista Carla Bittencourt para o Goethe Institut, durante a apresentação do concerto ‘Reinventando Smetak’ com a orquestra alemã Ensemble Modern, no Teatro Castro Alves em julho deste ano (2017), o compositor carioca, Arthur Kampela, destacou que nos instrumentos de Smetak existe uma ‘subversão na construção’. “Ele agrega novos materiais, coloca cabaças, molas de relógio, estende as cordas além de um violoncelo tradicional, por exemplo”, lembra.
Já o gestor artístico e geral do Ensemble Modern, Christian Fausch, diz que a influência do trabalho de Smetak na música brasileira é imensa. “É um universo fascinante, rico e colorido, e é altamente interessante ouvir, ver e experimentar o que Smetak fez, combinando o seu passado na Suíça e toda a bagagem que ele adquiriu no Brasil”, relata. “Pelo que podemos perceber de músicos e especialistas, a obra de Smetak continua única e sem paralelo no Brasil, mostrando que o seu legado permanece vivo e instigando a curiosidade de artistas, estudantes e pesquisadores, por isso, também, a importância dessa mostra no Ferrão”, finaliza Graça Lobo.
Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) – Autarquia do Governo do Estado da Bahia, vinculado à Secretaria de Cultura (SecultBA), o IPAC coordena atualmente a proteção de 186 bens culturais na Bahia, sendo 100 em caráter definitivo e dois perímetros urbanos. Em 2017 o IPAC completará 50 anos de serviços prestados à história, à memória e à sociedade da Bahia, sendo referência no Brasil como órgão pioneiro no país em defesa dos bens culturais materiais e imateriais.
Serviço:
Reabertura da exposição ‘Smetak – o alquimista do som’
Local: Centro Cultural Solar Ferrão – Rua Gregório de Mattos, 45, Pelourinho – Salvador (BA)
Data: Quinta (21)
Horário: às 15h
Visitação: terça a sábado, das 13h às 17h
Entrada gratuita
A mostra tem 86 instrumentos-esculturas, distribuídas em quatro ambientes em um dos pavimentos do solar que detém seis andares e foi construído a partir do século XVII no declive entre o Terreiro de Jesus e a Baixa dos Sapateiros. A edificação é tombada como Patrimônio Nacional pelo IPHAN/MinC desde 1938.
Já o acervo completo de instrumentos de Smetak, composto de 150 peças e de propriedade da sua família, está tombado provisoriamente como Patrimônio da Bahia, em processo de elaboração de dossiê. “Além de contar com a participação da família, a expografia atual privilegia a natureza lúdica da coleção. Essa reabertura devolve aos estudiosos e admiradores de Smetak um espaço para deleite e inspiração. Essa mostra fica aberta para visitação gratuita das terças aos sábados, sempre das 13h às 17h, no Solar Ferrão”, explica a coordenadora geral do Centro Cultural, Graça Lobo. Segundo ela, dentre as melhorias, está a readequação dos ambientes, melhor projeto de iluminação e a nova sonorização-ambiente com músicas de autoria de Smetak. “Transferimos ainda o local para exibição do videodocumentário sobre a vida e obra do artista, para atender um número maior de assistentes, e teremos duas réplicas de suas obras que poderão ser manuseadas pelos visitantes como experiência sonoro-estética”, completa Graça.
Coleções de arte – Além da sua importância arquitetônico-histórica, sendo um dos prédios mais importantes do Centro Histórico de Salvador, o Solar Ferrão abriga importantes coleções de arte e o Museu Abelardo Rodrigues de Arte Sacra. As coleções de Arte Popular, Claudio Masella de Arte Africana e Instrumentos Tradicionais Emília Biancardi compõem as restantes. “A coleção de Arte Popular será a próxima a ser requalificada e reaberta ainda neste verão 2018, enquanto a de Instrumentos Tradicionais se manteve em funcionamento permanente”, diz Graça Lobo.
Já o Museu Abelardo Rodrigues será reaberto ainda no primeiro semestre de 2018. “A nossa meta é conseguir expor o máximo de obras dessa coleção que é considerada uma das mais importantes de arte sacra do país e, por isso, deveremos ampliar para seis salas, hoje restrita apenas a três”, relata a museóloga. Além do Centro Cultural Solar Ferrão, a DIMUS é responsável pelos museus Tempostal e o Udo Knoff de Azulejaria e Cerâmica, no Pelourinho, o Palácio da Aclamação e o Passeio Público, no Campo Grande, o Museu do Recôncavo Wanderley Pinho, em Cachoeira, e o Parque Histórico Castro Alves, em Cabaceiras do Paraguaçu. Através de um convênio com o Convento de Nossa Senhora dos Humildes, a DIMUS também responde pelo Museu do Recolhimento dos Humildes que funciona nessa edificação de 200 anos localizada às margens do Rio Subaé, em Santo Amaro, Recôncavo baiano.
SALZBURGO e TROPICÁLIA – O acervo de Smetak no Solar Ferrão integra o conjunto de obras que foi restaurado e exposto nos museus de arte moderna da Bahia (2007) e de São Paulo (2008), sendo este apenas um recorte da ampla trajetória desse músico. Smetak nasceu em 1913, em Zurique, Suíca, filho de imigrantes tchecos, tendo como primeiro instrutor musical, seu pai, um renomado virtuose da cítara tcheca. Estudou no Mozarteum de Salzburgo, na Áustria, formando-se violoncelista e concertista pelo Conservatório de Viena, junto a Pablo Casals, em 1934. Com a iminência da 2ª Guerra Mundial, vai para o Brasil em 1937, inicialmente para Porto Alegre.
Em 1957, é convidado pelo compositor alemão Hans Joachim Koellheutter para Salvador, onde integra os Seminários Livres de Música, no movimento de excelência artística que se processava na Universidade da Bahia sob comando do reitor Edgar Santos. Na Bahia, Smetak inicia pesquisas microtonais inspiradas pela teosofia e cria cerca de 150 instrumentos-esculturas. A partir de 1969, sua oficina de experimentação sonora é frequentada por importantes artistas que marcaram a Tropicália e outros movimentos: Gilberto Gil, Rogério Duarte, Tom Zé, Gereba, Tuzé de Abreu, Djalma Correia e Marco Antônio Guimarães (fundador do grupo Uakti), dentre outros. Gravou ainda dois discos, escreveu três peças de teatro e mais de 30 livros.
Música Brasileira – Em entrevista à jornalista Carla Bittencourt para o Goethe Institut, durante a apresentação do concerto ‘Reinventando Smetak’ com a orquestra alemã Ensemble Modern, no Teatro Castro Alves em julho deste ano (2017), o compositor carioca, Arthur Kampela, destacou que nos instrumentos de Smetak existe uma ‘subversão na construção’. “Ele agrega novos materiais, coloca cabaças, molas de relógio, estende as cordas além de um violoncelo tradicional, por exemplo”, lembra.
Já o gestor artístico e geral do Ensemble Modern, Christian Fausch, diz que a influência do trabalho de Smetak na música brasileira é imensa. “É um universo fascinante, rico e colorido, e é altamente interessante ouvir, ver e experimentar o que Smetak fez, combinando o seu passado na Suíça e toda a bagagem que ele adquiriu no Brasil”, relata. “Pelo que podemos perceber de músicos e especialistas, a obra de Smetak continua única e sem paralelo no Brasil, mostrando que o seu legado permanece vivo e instigando a curiosidade de artistas, estudantes e pesquisadores, por isso, também, a importância dessa mostra no Ferrão”, finaliza Graça Lobo.
Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) – Autarquia do Governo do Estado da Bahia, vinculado à Secretaria de Cultura (SecultBA), o IPAC coordena atualmente a proteção de 186 bens culturais na Bahia, sendo 100 em caráter definitivo e dois perímetros urbanos. Em 2017 o IPAC completará 50 anos de serviços prestados à história, à memória e à sociedade da Bahia, sendo referência no Brasil como órgão pioneiro no país em defesa dos bens culturais materiais e imateriais.
Serviço:
Reabertura da exposição ‘Smetak – o alquimista do som’
Local: Centro Cultural Solar Ferrão – Rua Gregório de Mattos, 45, Pelourinho – Salvador (BA)
Data: Quinta (21)
Horário: às 15h
Visitação: terça a sábado, das 13h às 17h
Entrada gratuita