Afrobaile canta as lutas e resistências da juventude negra no Largo do Pelourinho

10/02/2018
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Foto: Alexandra Martins Costa

A segunda noite do Carnaval da Cultura 2018, no Largo do Pelourinho, começou com o groove eletrizante do grupo camaçariense Afrocidade, que trouxe para a festa o Afrobaile, embalado pela força e musicalidade do pagode baiano para cantar as lutas e resistências do povo negro, principalmente da juventude negra. O baile contou com a participação marcante das cantoras Luedji Luna e Xênia França, numa edição especial do projeto que se apresenta com a proposta de dar voz ao que há de mais novo nos movimentos negros.

“Para além da música, nosso encontro tem como missão um diálogo musical com artistas da capital e do interior desse estado tão diverso que é a Bahia. Nossa música tem em comum o compromisso com o discurso e com a militância. A ideia é desconstruir o estereótipo do pagode como música sem qualidade”, revela a cantora e compositora Luedji Luna.

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Participação da cantora Luedji Luna/Foto: Alexandra Martins Costa

Se o Carnaval do Pelô já tem em si a marca da diversidade, as ruas e ladeiras que compõem esse espaço chamado Pelourinho tem como traço identitário as lutas e as resistências do povo negro. É nessa perspectiva que a cantora baiana Xênia França, natural da cidade de Candeias, mas que ganhou o mundo ao se permitir trilhar os caminhos proporcionados pela música, chama atenção para a importância da festa.

“É simbólico estar no Pelourinho e de grande importância ocupar esse espaço, que tem uma história triste e ainda carrega um pesar muito grande, uma energia de dor. É importante para celebrar aqueles que vieram antes da gente e que sofreram para que hoje possamos estar aqui mostrando nossa arte. É muito importante a presença de tanta gente, de tanta gente preta”, disse.

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Participação da cantora Xênia/Foto: Alexandra Martins Costa

O projeto Afrobaile é realizado há três anos na cidade de Camaçari. No último ano, a proposta conquistou novos espaços e públicos, inclusive na capital baiana, chegando, pela primeira vez, ao Carnaval da Bahia. “Os espaços são limitados para quem faz música alternativa. Estar aqui neste palco do Carnaval do Pelourinho é uma verdadeira ocupação artística e lança um olhar de união entre músicos, produtores e artistas da música negra. Nossa presença está na perspectiva de ressignificar esse lugar com a arte, para construir um olhar especial sobre aquilo que atualmente afeta a negritude", explica Éric Mazzone, integrante e um dos idealizadores da banda Afrocidade.

Embalada pelo som que ecoava do palco, a técnica de enfermagem Leilane, que passou a frequentar a festa no Pelourinho há dois anos, fez questão de dizer: “O Pelourinho é o começo de tudo. É o lugar da família, da tranquilidade, de descobrir novidades, de ficar à vontade, de curtir sem assédio”.


CARNAVAL DA CULTURA

O Carnaval da Cultura é o carnaval da democracia e da diversidade e do folião pipoca, que leva para as ruas, durante todos os dias e circuitos da folia, a mistura de ritmos e gêneros musicais e, principalmente, a estética e a arte de diferentes artistas, grupos e entidades culturais da Bahia. São centenas de atrações e shows gratuitos de afoxé, samba, reggae, axé, pop, MPB, fanfarras e muito mais. É diversão garantida para todos os gostos e estilos no espaço público da rua para alegria do folião. O Carnaval da Cultura – uma realização da Secretaria da Cultura do Estado da Bahia, por meio do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI) – está organizado a partir de quatro programas: Carnaval do Pelô, Carnaval Pipoca e Carnaval Ouro Negro. A programação completa de nossa festa está disponível nos sites www.cultura.ba.gov.br e www.carnaval.bahia.com.br